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Neste artigo, investiga-se a financeirização da economia brasileira em escala macroeconômica. Para isso, cinco indicadores de financeirização são analisados. Posteriormente, constrói-se um modelo econométrico com base no índice de financeirização de Bruno et al (2009), abrangendo os anos 1996 a 2017, para relacionar a financeirização com variáveis macroeconômicas. Com a utilização do VEC, por meio de relações de longo prazo (cointegração) e Funções Impulso Resposta, observa-se que a financeirização impacta de forma negativa o crescimento econômico. Resultados secundários também apontam nessa direção, com a financeirização atingindo de forma desfavorável a oferta e a demanda agregada.

Leia o artigo de Luccas Assis Attílio e Jamile Ulisses Pereira em https://www.scielo.br/j/ecos/a/tGKp4R6fPM5KfXYTy9DRK3D/?format=pdf&lang=pt

Apresenta-se, neste artigo, uma reflexão sobre as relações entre democracia e políticas culturais. Enfatiza-se que não há relação necessária entre políticas culturais e democracia, e que, em democracias, as políticas culturais assumem formas institucionais específicas de governança que envolvem a participação dos cidadãos ao longo do ciclo da política. Com apoio no arcabouço epistemológico do neoinstitucionalismo ideacional e a ferramenta da análise de conteúdo, analisam-se as ideias contidas nos programas de governo e discursos de vitória de Bolsonaro (2018) e de Lula (2022), bem como os contextos políticos e imagens desses momentos. Argumenta-se que as “convicções causais” em seus programas influíram diretamente no desenho organizacional do Ministério da Cultura, em ambos os governos (2018, 2022), e geraram duas imagens de políticas culturais: a cultura como medo e a cultura como esperança.

Leia o artigo de José Veríssimo Romão Netto em https://www.scielo.br/j/op/a/jBTQGKhkwJbvNgNqqWKpstc/?format=pdf&lang=pt

O artigo analisa os limites das teorias democráticas que buscam interpretar os efeitos da digitalização sob uma ótica teórica e normativa. Defende que perspectivas deliberativas e agonistas são restritas, impedindo diagnósticos políticos e sociais mais complexos do problema. Assim, propõe uma visão ampliada da digitalização e sua relação com a teoria democrática, sugerindo uma agenda de pesquisa mais abrangente.

Leia o artigo de Felipe Chieregato Gretschischkin em https://www.scielo.br/j/nec/a/wkDD3zFQYjvkP9Lmr64Nd3p/?format=pdf&lang=pt

Este estudo analisa o discurso e as estratégias de comunicação dos programas de transferência de renda no Brasil, México, Índia e África do Sul, usando análise lexicométrica para identificar diferenças estruturais e objetivos de políticas. Primeiro, fornecemos uma breve revisão histórica de cada programa e apresentamos tabelas comparativas destacando suas características específicas. Em seguida, conduzimos uma análise de mineração de texto usando o software livre Iramuteq, que facilita a exploração lexicométrica. Essa abordagem nos permite descobrir padrões na formulação e comunicação dessas políticas, revelando como cada programa enquadra seus objetivos e populações-alvo. Apesar de compartilhar uma natureza política comum, os programas exibem diferenças significativas em design, implementação e resultados esperados. Essas descobertas ressaltam a importância de os formuladores de políticas considerarem cuidadosamente o discurso em torno desses programas, pois ele influencia a percepção pública e a eficácia das políticas. Por fim, esta pesquisa oferece uma nova abordagem metodológica para estudar programas de transferência de renda e contribui para uma compreensão mais profunda de sua estrutura, comunicação e impacto.

Leia o artigo de Liziane Angelotti Meira e outros em https://www.scielo.br/j/ecos/a/3mPPkjdcNf78DNZXxYmzW9N/?format=pdf&lang=en

Este artigo propõe uma análise da relação entre três noções (divisão social, democracia e direitos) que atravessam os textos políticos de Marilena Chaui. A noção de divisão social investigada é condição para a compreensão da democracia como criação social que visa a formar instituições abertas à divisão social, e não voltadas para a sua negação. Já a ideia de direitos analisada se distingue das noções de carência e de interesse e se opõe à categoria dos privilégios, inserindo-se também nos processos históricos abertos à gênese de uma forma social e política democrática. Portanto, as três noções trabalhadas por Marilena Chaui, em seus textos, são importantes instrumentos para refutar as teorias que advogam pela unidade ontológica da comunidade política, constrangem a democracia às eleições e à representação política e associam os direitos a interesses de mercado e os privilégios decorrentes da hegemonia desses interesses.

Leia o artigo de Francisco de Guimaraens em https://www.scielo.br/j/trans/a/VYfCX3spYszVs9CpZrSG7Sm/?format=pdf&lang=pt

O presente texto se inscreve em um programa de pesquisa sobre os contextos territoriais de implementação das políticas públicas, considerando-se as diferentes temporalidades e espacialidades dos processos de formulação, formalização e realização de agendas. Neste paper, o objeto de análise é a regionalização do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio de Janeiro. Trata-se de uma contribuição de natureza qualitativa, do tipo bibliográfica e documental. A metodologia se apoia na realização de entrevistas semiestruturadas com gestores de diferentes níveis do sistema de saúde, além da análise de documentos oficiais, legislação e literatura especializada. Os resultados revelam os inúmeros desafios enfrentados nesse processo, como a fragmentação e o localismo persistentes no estado. Recupera-se também a herança político-territorial do processo de formação do estado do Rio de Janeiro como forma de compreender os entraves para maior articulação entre municípios e entre esses e o estado. Diferente de outras realidades político-territoriais, o estado do Rio de Janeiro ainda enfrenta atrasos na gestão regionalizada e cooperativa da política de saúde, que resultam de interrupções na gestão do sistema, disputas por financiamento entre municípios, entre as escalas municipais, estaduais e federais, além de disputas político-partidárias.

Leia o artigo de J.N. Rodrigues e A.T. Orozco em https://www.scielo.br/j/mercator/a/dJz6gdvDbp6MWHk6qkkLp8F/?format=pdf&lang=pt

Este artigo aborda as dinâmicas morais em torno da ajuda na saúde em um município fluminense. A partir dos dados etnográficos, coletados entre 2013-2017, mostra como os favores e o trabalho na saúde concorrem para fazer políticos, potencializar carreiras e influenciar positivamente no êxito eleitoral, desde que os sujeitos implicados não transgridam certas fronteiras éticas e códigos morais tacitamente estabelecidos, a partir dos quais os munícipes estabelecem suas expectativas e qualificavam o comportamento dos políticos locais. Considerando que os dramas relacionados às enfermidades e/ou à morte são tidos como inegociáveis – fora do circuito das dádivas interessadas, a ajuda na saúde se torna um terreno movediço para os políticos que ignoram ou contrariam os valores sociais concebidos como importantes para a comunidade. Sendo assim, o artigo evidencia que a prática não gera recompensas eleitorais automáticas, ao contrário, em certas circunstâncias pode inclusive desprestigiar o político, fazendo-o perder apoio e voto, pois os eleitores agenciam esses atos de ajuda (de dar ou de negá-la) observando, interpretando e agindo, às vezes estrategicamente, em função das distintas abordagens: se prestativa ou se interesseira.

Leia o artigo de Gilmara Gomes da Silva Sarmento em https://www.scielo.br/j/mana/a/TWH7mjZr5FV7DmhrcG4D3PC/?format=pdf&lang=pt

Pretende-se descrever a dimensão relacional no processo de reconstrução de um Plano Municipal de Saúde no período pandêmico. O enfoque teórico utilizado para analisar o desenvolvimento de estratégias de gestão foi extraído da Matriz Fofa (Fortalezas, Oportunidades, Fragilidades e Ameaças). Adotou-se como método o relato de experiência. Os resultados mostraram que: a fortaleza do processo residiu na formação do colegiado gestor, a oportunidade na gestão da educação em saúde, a fragilidade foi demonstrada na gestão do trabalho, e a ameaça evidenciada com a comunicação em saúde. Consolidou-se um mapa conceitual na dimensão relacional descrita por esses temas. Concluiu-se que a dimensão relacional do Plano Municipal de Saúde suscitou reflexões importantes com limitações intersubjetivas, ratificando a necessidade de novos estudos na temática de planejamento em saúde.

Leia o artigo de Sílvia Alves Ferreira Carneiro e Washington Luiz Abreu de Jesus em https://www.scielo.br/j/icse/a/zQSCMZrTjcgqss8qK69N45v/?format=pdf&lang=pt

O artigo objetivou analisar as motivações para o envolvimento comunitário em instâncias institucionalizadas e espaços não institucionalizados de defesa da saúde. Estudo realizado em 2022 e 2023, com conselhos de saúde e com instâncias comunitárias em municípios da Bahia, mediante 46 entrevistas semiestruturadas, análise documental e observação direta. O referencial teórico-metodológico fundamentou-se no modelo da cadeia da participação. Foi utilizada uma matriz analítica composta pelos incentivos individuais e coletivos. Nos incentivos individuais, adquirir conhecimento, contribuir na discussão das políticas públicas e ascensão na carreira foram fortes atrativos à participação. Os incentivos coletivos mostraram-se com maior capacidade em influenciar a participação, com destaque para a defesa do direito à saúde, a responsabilidade social e o compromisso com os interesses dos representados. A motivação para a participação pode ser promovida. Recomenda-se a valorização dos incentivos individuais e coletivos no desenvolvimento das estratégias mobilizadoras.

Leia o artigo de Luzia Célia Batista Soares e outros em https://www.scielo.br/j/icse/a/gTqYwsq58PYCjdstbzGPyyr/?format=pdf&lang=pt

O debate aqui proposto sobre a implementação da Lei n.º 12.990/2014 nos concursos para o magistério superior nas universidades federais revela a fragilidade do Ministério Público (MP) na proteção de direitos à população Negra. O objetivo do presente trabalho é investigar a não-aplicação do art. 3º desta Lei nos concursos públicos para o magistério superior. Peticionado via Lei de Acesso à Informação, o MP tem referendado práticas que negam direitos à população Negra. Cargos efetivos e a aplicação do art. 3.º da Norma se transformaram em detalhes, passíveis de não implementação, diante da reivindicação das universidades de plena autonomia para interpretação da Norma. A manifestação do MP sobre oito editais de concurso público para o magistério superior, legitimando o sorteio como a metodologia para seleção das vagas que será aplicada à Norma não deixa dúvidas: o racismo institucional se desnudou dentro da instituição responsável por garantir o Estado Democrático de Direito (EDD).

Leia o artigo de Edmilson Santos e outros em https://www.scielo.br/j/soc/a/G8PPKxxq4RKtfhbRbYQGyqp/?format=pdf&lang=pt