Para pensar soluções que reconciliem as instituições públicas brasileiras e o capitalismo com a cidadania substantiva prevista na Constituição de 1988, neste artigo discutem-se os fundamentos e as implicações da crise política que se agravou no Brasil de junho de 2013 em diante e abriu caminho para a ascensão da extrema direita. A partir da correlação negativa entre democracia e desigualdade, realiza-se uma análise crítica da teoria do eleitor mediano (median voter), que associa democracia à redistribuição econômica, confrontando-a com dados empíricos do Brasil recente. Conclui-se que essa teoria consegue explicar a relação entre democracia e igualdade em seu todo, sendo necessário mobilizar categorias éticas da teoria do reconhecimento de Axel Honneth e considerar os déficits informacionais que afetam parte do eleitorado. Leia o artigo de Edvaldo Fernandes da Silva em https://www.scielo.br/j/se/a/88gNNV3xZ8gMx45q3Wwpjkv/?format=pdf&lang=pt