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Os estudos sobre os consórcios públicos interestaduais horizontais no combate à pandemia da covid-19 enfatizaram a atuação do Consórcio do Nordeste.  Neste artigo, objetiva-se ampliar o leque de análise da literatura, não apenas ao caracterizar elementos da gênese e das finalidades de todos os consórcios estaduais, mas, principalmente, por mensurar a efetividade de atuação a partir das compras públicas compartilhadas (CPCs) no enfrentamento da pandemia. Com dados qualitativos e quantitativos a partir de documentos e informações de finanças públicas, investigou-se as (CPCs) realizadas em 2020 e 2021. Constatou-se, então, que os Consórcios da Amazônia Legal e da Integração Sul e Sudeste não usaram esse instrumento de gestão, ao passo que o Consórcio do Nordeste, ainda que tenha apresentado uma atuação técnica e política, não obteve êxito nas CPCs. O Consórcio Brasil Central, que é o associativismo mais antigo entre estados, foi o único que conseguiu economizar por meio das CPCs.

Leia o artigo de Ednaldo Tavares Rufino Filho e outros em https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/10013/6990

Este artigo pretende mapear ações e metodologias de pesquisa no campo da saúde que se caracterizam como Ciência Cidadã. A partir de uma pesquisa qualitativa e exploratória, realizou-se uma metodologia composta por um levantamento bibliográfico em base de dados da Ciência da Informação – BRAPCI, BENANCIB e SciELO – e da Saúde – PubMed Central/ MEDLINE, BVS e LILACS. Analisa a evolução do movimento de Ciência aberta e da abordagem da Ciência cidadã. Trata sobre as pesquisas colaborativas e como elas se desenham no campo da saúde. Apresenta três ações metodológicas presentes na literatura que envolvem a participação ativa do público, como: Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade, Partnership, Partner Engagement, and Collaboration e Envolvimento do Paciente e do Público. Conclui-se que existem processos de pesquisa no campo da saúde voltadas à Ciência Cidadã que promovem ações conjuntas de leigos, organismos privados, públicos e formuladores de políticas que trazem resultados eficazes a partir da responsabilidade compartilhada.

Leia o artigo de Ivanilma de Oliveira Gama e Vinícius Ribeiro Soares dos Santos em https://www.scielo.br/j/emquestao/a/HXs45DVPXsmXFkmPG996KLJ/?format=pdf&lang=pt

A gestão das águas é um desafio para o planejamento urbano, especialmente no semiárido brasileiro. Este estudo tem como objetivo investigar as relações entre o consumo de água e a dinâmica espacial e temporal do ambiente edificado em pequenos municípios do estado da Paraíba. A análise parte de uma observação das tendências de consumo de água e sua relação inevitável com o crescimento urbano, de forma a possibilitar uma cenarização futura de demanda hídrica e expansão das cidades. Para tanto, são utilizados séries históricas, sensoriamento remoto e dados de ciência cidadã para análises de tendências. Métodos estatísticos paramétricos e não paramétricos além do Landscape Expansion Index (LEI) para as análises dos padrões e um modelo estatístico para subsidiar cenários futuros, também são utilizados. Os resultados revelam peculiaridades intramunicipais, bem como limitações dos indicadores escolhidos. Ademais, os resultados permitem observar que, na última grande crise hídrica da região, a busca por soluções emergenciais e pontuais de abastecimento dificulta o estabelecimento de relações diretas entre a área urbanizada e o volume consumido, tendo em vista que os volumes reportados nas bases de dados oficiais não retratam a realidade capturada pelos dados de ciência cidadã, em algumas das cidades.

Leia o artigo de Camila Karla Medeiros e outros em https://www.scielo.br/j/urbe/a/hCKRTrCgjjh4Q57W775Kcyx/?format=pdf&lang=pt

En los últimos años se ha evidenciado una disminución en la disponibilidad de agua, principalmente asociada al cambio climático y al fuerte incremento en la demanda de este recurso. Es por esto que, en la actualidad, el sector del agua enfrenta crecientes presiones a nivel social, político, económico y ambiental. El nuevo contexto genera altos niveles de incertidumbre que aumentan las tensiones por el acceso al agua. Las diversas valoraciones y usos que dan los múltiples actores interesados en ese recurso hacen que los modelos tradicionales de gestión y gobernanza basados en la teoría de “comando y control” resulten inadecuados. Este estudio analiza teóricamente distintas concepciones y modelos de gobernanza del agua, sus características, niveles y escalas de operación, identificando potencialidades y limitaciones para enfrentar contextos dinámicos y complejos. A nivel empírico se aborda el caso chileno donde existe mercado de agua para la asignación del recurso. Los resultados muestran que un sistema rígido, centralizado y con una legislación que prioriza los intereses privados antes que los públicos, causa inequidad en el acceso al agua y necesita un cambio en su estructura que permita enfrentar las nuevas condiciones propias de sistemas dinámicos y complejos. Por otra parte, el concepto de gobernanza del agua debe abordarse como un sistema socio-ecológico y no es pertinente analizar el sistema hídrico de forma aislada. El modelo de gobernanza adaptativa emerge como el más propicio para enfrentar condiciones cambiantes, a pesar de que su implementación presenta diversos desafíos. Finalmente, se exponen algunas iniciativas a escala local que están surgiendo en Chile y que se destacan como un avance en la transición de un modelo de gobernanza tradicional a uno adaptativo.

Leia o artigo de Luz Karime Sánchez Galvis e outros em https://revista.clad.org/ryd/article/view/154/307

O presente artigo apresenta uma reflexão teórica sobre os desafios éticos, políticos e pedagógicos do processo de algoritmização curricular iniciado no contexto brasileiro. Por meio desse processo, instaurado no âmbito do advento das tecnologias preditivas vinculadas ao uso das tecnologias digitais e à disseminação de plataformas baseadas em big data, novos processos de seleção de conhecimentos escolares, de planejamento das aulas e da avaliação dos estudantes são colocados em circulação. Em termos analíticos, são descritas e analisadas, enquanto racionalidades pedagógicas, as seguintes elaborações contemporâneas: a noção de aprendizagem ubíqua (bem como a nova matriz de desigualdades que engendra), a nova economia da atenção (coadunada à necessária proteção de nossas capacidades atencionais), e a regulação subjetiva mediante dados (incluindo os desafios éticos e pedagógicos para a inserção de sistemas antecipatórios na educação de crianças e adolescentes).

Leia o artigo de Roberto Rafael Dias da Silva em https://www.scielo.br/j/es/a/NskFqvjLXj5KTk7HtWyzqVL/?format=pdf&lang=pt

Este artigo problematiza as transformações identificadas no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), entre 2004 e 2022, e a concepção neoliberal de qualidade de mercado que nele se tornou hegemônica, no contexto de mercantilização da educação superior. Verificou-se que, ao priorizar o desempenho estudantil nas provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) na definição de qualidade dos cursos de graduação, o Sinaes vem atuando como dispositivo da razão neoliberal – como difusor da racionalidade de mercado na educação superior –, criando subjetividades entre docentes e discentes ancoradas no princípio da concorrência.

Leia o artigo de Alex de Oliveira Fernandes e Suzana Dos Santos Gomes em https://www.scielo.br/j/es/a/cK3fg7GbNbNmsk4jZbXxNcq/?format=pdf&lang=pt

Este artigo tem como objeto a crítica efetuada por Alberto Guerreiro Ramos à sociologia da modernização, sintetizada em dois textos publicados em 1966 e 1967, respectivamente, o livro Administração e estratégia de desenvolvimento: elementos de uma sociologia especial da administração e o artigo “A modernização em nova perspectiva: em busca do modelo de possibilidade”. A análise situa Guerreiro como um ativo integrante periférico de uma controvérsia disciplinar transnacional, avançando o debate tanto no campo do pensamento brasileiro, ao tratar os escritos guerreirianos tardios como peças fundamentais de sua imaginação sociológica, como no campo da história da sociologia, ao examinar o caso no contexto mais amplo da criatividade intelectual periférica.

Leia o artigo de João Marcelo Ehlert Maia em https://www.scielo.br/j/sant/a/nvrD8sPGccyX8tRDwkFnBch/?format=pdf&lang=pt

Cientistas políticos têm identificado posições ideológicas ao longo do eixo esquerda-direita apenas para partidos políticos que ganham eleições e, assim, controlam governos e implementam suas preferências. Porém, os perfis, as estratégias e os comportamentos programáticos dos partidos são mais variados e vão além disso. O objetivo do artigo é oferecer ferramentas para mensurar a ideologia de qualquer partido político para além da sua presença nas arenas eleitoral ou representativa. Os resultados da pesquisa apontam que: i) o centro ideológico do sistema partidário se esvaneceu, ii) a distância média entre os partidos políticos ficou menor ao mesmo tempo em que o sistema se polarizou nesse período, iii) as mudanças nas regras eleitorais afetaram a classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros.

Leia o artigo de Bruno Bolognesi em https://www.scielo.br/j/rsocp/a/xWg9PnvvVs69M5f8wBYMyTg/?format=pdf&lang=pt

Desde o ciclo de protestos pelo qual passou o Brasil (2013-2016), temos observado mais claramente a presença de novos sujeitos coletivos em cena e discutido suas possíveis novidades. Neste artigo, abordaremos os coletivos culturais contemporâneos a partir de uma abordagem processual-relacional para refletirmos sobre o que pode ser compreendido como novidades nessas experiências organizacionais. Os dados da pesquisa nos permitiram destacar inovações concernentes à elaboração de novos padrões de interação com a esfera estatal, às múltiplas linguagens artístico-culturais e às múltiplas agendas. Além da revisão da literatura, a metodologia de pesquisa consistiu em um estudo qualitativo estruturado a partir da análise de entrevistas com ativistas e dos dados de um survey com coletivos culturais no Espírito Santo. Os resultados indicam que, embora os coletivos não representem um novo fenômeno sociológico, podem ser compreendidos como uma novidade na medida em que (re)surgem contemporaneamente resgatando métodos, formas e práticas organizacionais na demarcação do seu próprio modelo organizacional.

Leia o artigo de Marcelo de Souza Marques e Vanessa Marx em https://www.scielo.br/j/op/a/fT7BhKrfYDZVQx4J4NZ4VNC/?format=pdf&lang=pt

Trata-se de ensaio crítico que explora a relação entre o processo de urbanização extensiva, a crise do capital e as dinâmicas instauradas pela lógica do extrativismo no Brasil. O ensaio argumenta que a dinâmica extrativa opera também nesses marcos, e, assim, promove a extensão da urbanização. A urbanização extensiva-extrativa, portanto, implica na dissolução de formas historicamente determinadas de sociabilidade. Destarte, o texto aborda as dinâmicas do conteúdo violento do conflito social produzido pela urbanização extensiva-extrativa em pelo menos três sentidos: a violência própria da extração, a violência presente na relação do extrativismo com o crime organizado, e, por fim, a relação do extrativismo com a violência da nova extrema direita.

Leia o artigo de Thiago Canettieri em https://www.scielo.br/j/rbeur/a/8rcQrrdp8HbxWkspt5npQbr/?format=pdf&lang=pt