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Este ensaio recapitula o legado intelectual de Celso Furtado, destacando sua enorme importância para o pensamento econômico. Adota o recurso de comparar Furtado a outro grande economista brasileiro, Mário Henrique Simonsen, ressaltando a superioridade do primeiro em relação ao segundo em diversos aspectos essenciais. Discute, também, a relação de Furtado com Keynes e a tradição econômica keynesiana, de um lado, e com o Marx e o marxismo, de outro. Ressalta, em conclusão, a sua ligação com o nacionalismo e o romantismo, expresso no seu apego ao Brasil.

Leia o artigo de Paulo Nogueira Batista Jr em https://www.scielo.br/j/rep/a/YpYDh9yDP7WRsSvrnN6cQ3v/?format=pdf&lang=pt

Pretende-se mostrar o protagonismo do Ministério Público no uso de acordos de “colaboração premiada” que vem alterando o entendimento sobre o processo judicial, a prova jurídica e as garantias do réu. Abordamos a expansão do poder e da atuação do MP por meio de pesquisa bibliográfica, documental e na mídia (2017-2018). Analisamos as práticas dos operadores de fazerem acordos, investigações e de gerarem provas judiciais com base em observação e entrevistas com membros do MPF e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (2017-2019). Os acordos legitimam a antecipação da constituição da prova para fase investigativa, inviabilizando a defesa dos réus citados.Leia o artigo de Vera Ribeiro de Almeida dos Santos Faria e outros em https://www.scielo.br/j/dilemas/a/nr5JXbgkNYS3q9wtYy7VL5y/?format=pdf&lang=en

Após um governo marcado por retrocessos na participação social, esta volta a ter centralidade em 2023 com a retomada e criação de diferentes Instituições Participativas. O Plano Plurianual Participativo 2024-2027 configurou na maior experiência de colaboração digital do país, com mais de 4 milhões de acessos e quase 1,5 milhão de envolvidos. Mas para além de um sucesso numérico, limitações impostas pela participação digital tornam necessária uma avaliação do teor participativo e da qualidade dessa participação. Este artigo tem como objetivo apresentar uma reconstrução do processo de desenho e implementação do Plano Plurianual Participativo e, a partir disso, avaliar a plataforma digital de participação. Para tanto, são considerados diferentes modelos de avaliação da participação e a literatura sobre participação social no planejamento nacional, com o intuito de construir um modelo de avaliação adequado ao contexto: uma experiência no Brasil, de participação digital, e de proporções inéditas. A avaliação se baseia em dados disponibilizados pelo governo, entrevistas semiestruturadas com gestores públicos responsáveis pela implementação do mecanismo, e observação participante das instâncias presenciais do Plano Plurianual Participativo. Os resultados revelam como o processo influenciou o perfil dos participantes e como as escolhas do design da plataforma influenciaram a interação entre estes e o processo de tomada de decisão. A pesquisa oferece uma contribuição teórica ao avançar em modelos de avaliação de participação digital, e uma contribuição prática ao apontar limitações da participação digital em escala nacional.

Leia o artigo de Luiza Jardim em https://www.scielo.br/j/rap/a/6zNxSmcG66czKgy4QG9hBzb/?format=pdf&lang=pt

As áreas verdes, como os parques, adquirem cada vez mais centralidade nas cidades, ao contribuírem para a manutenção da qualidade de ar, equilíbrio térmico e fornecimento de valores estéticos e ambientes equilibrados, que oportunizam o contato com a natureza e contribuem para a melhoria de saúde e bem-estar das populações. Inspirados neste contexto, o presente trabalho tem por objetivo investigar as percepções dos visitantes do Parque do Ibirapuera (SP) sobre as motivações e benefícios gerados com a visitação a essa área verde urbana, com olhar atento para as contribuições à saúde e bem-estar. Os procedimentos metodológicos dessa pesquisa, de caráter qualitativo e quantitativo, envolveram levantamento bibliográfico e documental, bem como a aplicação de 197 questionários estruturados com visitantes do Ibirapuera. Os resultados indicam que os principais benefícios percebidos são de ordem psicológica e emocional, seguidos de melhoria na saúde física e relaxamento possibilitado pelo contato com a natureza.

Leia o artigo de Altair Sancho-Pivoto e outros em https://www.scielo.br/j/asoc/a/pkMvgzTd3ymMNbsdJGvhxhp/?format=pdf&lang=pt

A educação é uma das principais ferramentas para conduzir ao desenvolvimento sustentável e, para tal, o ambiente escolar deve se tornar referência capaz de influenciar a comunidade. No Brasil, a educação ambiental é prevista para ocorrer em todos os níveis do ensino, mas as unidades educacionais não são avaliadas quanto à efetividade das ações sustentáveis que conduzem. O presente trabalho objetivou a proposição de indicadores de sustentabilidade aplicáveis a unidades educacionais no território brasileiro. A pesquisa quanti-qualitativa foi desenvolvida a partir de adaptação de ferramentas de sustentabilidade consolidadas, duplamente validada por Survey com especialistas em sustentabilidade e educação. O modelo resultante foi estruturado a partir de três eixos: gestão, estrutura física e educação para a sustentabilidade e possui indicadores em categorias e subcategorias (níveis 1 e 2). O modelo pode subsidiar a elaboração de instrumento de certificação ambiental e garantir a qualidade da educação para a sustentabilidade no ensino formal.

Leia o artigo de Barbara Silva e Souza e outros em https://www.scielo.br/j/asoc/a/ZnX5TLk9NTnZcLTW3YPWCwP/?format=pdf&lang=pt

O artigo investiga a consolidação de um empreendedorismo popular como identidade significativa nas periferias de São Paulo. O texto é produto de etnografia conduzida na zona sul da cidade entre 2017 e 2022. Dois perfis de trabalhadores por conta própria são analisados: um caso de empreendedorismo “fraco”, em que o ethos empreendedor pouco articulado se conjuga com o projeto familiar, e dois casos de empreendedorismo “forte”, em que seus protagonistas expressam o léxico característico do discurso empreendedor, porém com resultados diferentes segundo suas aspirações de distinção social. Para cada um dos três casos são analisadas as experiências em relação ao trabalho, à vizinhança, à educação e às perspectivas de mobilidade social.

Leia o artigo de Henrique Costa em

https://www.scielo.br/j/ts/a/8n67PmHCSBFdTXyFkk3T4ct/?format=pdf&lang=pt

Este artigo apresenta uma análise comparativa de quatro modelos de suporte à criação de startups: incubadoras, aceleradoras, investidores de risco e venture builders (VBs), um modelo emergente que vem ganhando relevância. Usando revisão sistemática de literatura baseada no método Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA), foram identificados nove elementos pertinentes aos quatro modelos. A literatura científica sobre VBs é relativamente escassa e não foram encontrados trabalhos que comparem todos os quatro modelos, principalmente considerando os nove elementos consolidados. Os resultados destacam como os modelos equilibram os elementos de aporte de capital sweat e de capital financeiro, com impacto mais evidente na participação societária negociada. A partir dos resultados, startups em estágios iniciais podem ter maior clareza na busca por apoio adequado às suas necessidades. Adicionalmente, investidores e gestores, públicos e privados, podem aprimorar sua tomada de decisão na criação ou gestão de programas de desenvolvimento de startups.

Leia o artigo de Rodrigo Franco Esteves e Marcelo Caldeira Pedroso em https://www.scielo.br/j/rbi/a/5wyf5Qf948Q4pZhdrmVQTvJ/?format=pdf&lang=pt

Existe ampla evidência de que a estrutura produtiva de uma região condiciona sua capacidade de crescimento econômico, diversificação futura e composição do mercado de trabalho. No entanto, pouco se sabe sobre o papel que as habilidades dos trabalhadores (como comunicação, programação ou operação de diferentes tipos de máquinas e equipamentos) desempenham para que as regiões explorem suas oportunidades de diversificação inteligente e avancem para setores mais sofisticados. A partir de uma estratégia de diversificação inteligente para Santa Catarina, e utilizando a metodologia de relatedness (afinidade produtiva), foram identificados os setores produtivos mais complexos, porém relacionados aos já existentes, para cada microrregião. Em seguida, determinamos a composição de habilidades dos trabalhadores requerida para avançar nesse processo de diversificação e as comparamos com as já existentes. Nossos resultados indicam que a identificação de oportunidades de diversificação inteligente (relacionadas a atividades mais complexas), e as políticas industriais associadas, precisam ter foco nos principais gargalos de habilidades relacionadas. Isso se verificou especialmente a habilidades cognitivas e soft skills que se relacionam a pensamento analítico, interação social e pessoal e TICs em geral.Leia o artigo de Ben-Hur Cardoso e outros em https://www.scielo.br/j/rbi/a/STTBfbq3SZGqRFJvTBCJxqQ/?format=pdf&lang=pt

dinâmica do capitalismo, agora chamado por alguns de capitalismo financeiro ou dos ativos. A integração da economia brasileira às finanças globais, aliada à atuação do Estado, ampliou o poder desses investidores no país. Este artigo explora a financeirização no Brasil, destacando a expansão do mercado de fundos de investimento e o papel do Estado em fomentar um ambiente econômico e institucional propício ao crescimento dos investidores institucionais. A partir dos anos 1990, o mercado brasileiro de fundos cresceu significativamente. Esses intermediários financeiros sustentam sua acumulação rentista-financeira sobretudo por meio do endividamento público interno e da influência sobre políticas e direitos sociais. Os fundos tornaram-se atores centrais na economia, constituindo um novo eixo de dominação financeira na sociedade. Identificamos uma ação intencional do Estado brasileiro, em parceria com atores do mercado financeiro, para a construção de uma base de acumulação centrada no endividamento público e na diminuição dos direitos sociais. Esse redesenho da economia brasileira intensifica a dependência das políticas públicas dos interesses dos mercados financeiros.

Leia o artigo de Wilton Vicente Gonçalves da Cruz e outros em https://www.scielo.br/j/rsocp/a/T3QnHvhPyNSqLyGJBM5bYJv/?format=pdf&lang=pt

O artigo tem como principal objetivo realizar uma discussão teórica sobre o estado da arte da abordagem evolucionária no âmbito da Geografia Econômica, destacando seus pilares, principais conceitos, críticas e limitações. Também são abordadas as contribuições das demais vertentes da Geografia Econômica – Institucionalista, Relacional e Economia Política – que podem auxiliar na superação das lacunas existentes na GEE, culminando com a proposta de uma Geografia Econômica Evolucionária desenvolvimentista alicerçada no pluralismo engajado. A principal contribuição do estudo é propor um framework conceitual no âmbito da Geografia Econômica adequado à compreensão da evolução de lugares reais ao longo do tempo em perspectiva multiescalar.

Leia o artigo de Guilherme de Oliveira Santos em https://www.scielo.br/j/rbi/a/Q3RVHBk7JGnrq4kD3jdVVMv/?format=pdf&lang=pt