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A distribuição dos rendimentos do trabalho é um tema relevante do debate econômico, em especial no Brasil, dada a persistência de elevadas desigualdades. Com fases com maior e menor ênfase, a literatura nacional relaciona a distribuição da renda à dinâmica setorial. Contribuindo para tal tradição, este estudo emprega dados de quase quarenta anos ao longo de cinco décadas (1970 a 2010) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para: a) calcular um índice sintético de desigualdade da renda do trabalho que considera as distribuições intra e intersetoriais, e, a partir deste índice e de Análises de Clusters, b) propor uma classificação histórica dos setores econômicos brasileiros. As análises foram contextualizadas pelos ciclos econômicos no período (recessões e expansões). As evidências sinalizaram a importância do índice sintético e da classificação, pouco alterada pela conjuntura, para melhor caracterizar a distribuição de renda setorial.

Leia o artigo de Patrick Leite Santos e Carlos César Santejo Saiani em https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/ES/85/06_SANTOS_E_SAIANI.pdf

A pobreza também alcança a população ocupada no Brasil e é mais frequente entre trabalhadores sem carteira assinada e os que atuam por conta própria. Em 2024, 20,4% dos ocupados sem registro formal e 16% dos autônomos viviam abaixo da linha de pobreza, com percentuais muito acima dos observados entre empregados com carteira assinada — entre esses últimos, apenas 6,7% estavam nessa condição. Os números são da Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025, divulgada pelo IBGE. Segundo o estudo, os dados mostram que a pobreza ainda atinge uma parte das pessoas que estão trabalhando, devido aos salários mais baixos em certos tipos de emprego. Ao mesmo tempo, o levantamento indica que ter alguma renda vinda do trabalho ajuda a diminuir os níveis de pobreza e extrema pobreza entre quem está empregado, especialmente quando comparado a quem está desempregado ou fora da força de trabalho.

Leia o artigo de Mayra Castro em https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/12/03/na-populacao-ocupada-pobreza-e-maior-entre-trabalhadores-sem-carteira-e-por-conta-propria.ghtml

A presente Nota Técnica tem como objetivo apresentar o Privilegiômetro Tributário, demonstração proposta pela Unafisco Nacional, a partir do Demonstrativo dos Gastos Tributários (DGT) de 2026. Neste trabalho, são pormenorizados os gastos tributários considerados privilégios, em virtude da inexistência de estudos técnicos que atestem contrapartida adequada, notória ou comprovada para promover o desenvolvimento econômico sustentável sem aumento da concentração de renda ou para diminuir as desigualdades no país. São igualmente apresentados os gastos tributários com notória contrapartida econômica e/ou social, ou seja, aqueles que têm comprovação e notoriedade social. Com base no total de gastos tributários segundo a Unafisco Nacional, isto é, incluindo as renúncias desconsideradas no DGT (parcelamentos especiais, imposto sobre grandes fortunas e imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos), descrevem-se os parâmetros limítrofes de redução gradual de gastos tributários impostos pela Emenda Constitucional nº 109, de 15 de março de 2021. Há, ainda, o recente Projeto de Lei Complementar nº 203, de 26 de setembro de 2025, que trata de um novo olhar sobre os gastos tributários na federação. Por fim, exibem-se as tabelas e os resultados do Privilegiômetro Tributário do ano de 2026 e analisa-se a evolução histórica dos Gastos Justificados e Privilegiômetros Tributários de 2020 a 2026, por meio da variação percentual dos gastos justificáveis e dos privilégios tributários. Ler a Nota Técnica da Unafisco em https://unafisconacional.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Nota-tecnica-Unafisco-No-35-DIGITAL.pdf

Ferramentas que tornam mais simples a extração e o tratamento de dados públicos contribuem de maneira decisiva para a produção de pesquisa de qualidade e para o desenvolvimento de políticas baseadas em evidências. Nesse contexto, apresentamos o pacote R BrazilCrime, desenvolvido por Vargette, Laltuf e Justus (2024). Trata-se de uma ferramenta simples que disponibiliza, de forma mais rápida e organizada, dados públicos do SINESP, uma plataforma de informações integradas desenvolvida e mantida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Leia o artigo de Bernardo Geraldini e outros em https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD491.pdf

Neste artigo investigamos as chances de evasão do sistema de ensino superior brasileiro segundo a origem social dos estudantes. Pareando os dados do Exame Nacional do Ensino Médio e do Censo da Educação Superior, identificamos estudantes que se desvincularam de cursos em que ingressaram e não retornaram posteriormente entre os anos de 2014 e 2019. Essa abordagem possibilitou examinar, de maneira inédita no contexto nacional, a relação entre origem social e evasão do sistema de ensino superior. Resultados de modelos de regressão logística multinível revelaram desigualdades raciais e socioeconômicas nas chances de evasão do sistema de ensino superior. Essas disparidades variam de acordo com as características dos cursos e das instituições, sendo maiores no bacharelado e em instituições privadas.

Leia o artigo de Gustavo Bruno de Paula e Felícia Picanço em https://www.scielo.br/j/es/a/NBSqmJMT3Bf9HNt6yw4DdGb/?format=pdf&lang=pt

Dada a importância das primeiras fases da vida para o desenvolvimento dos indivíduos, este estudo objetivou mensurar o nível de privação da primeira infância do meio rural e as principais dimensões que contribuem para essa situação nos estados brasileiros. Para isso, construiu-se um índice fuzzy de pobreza multidimensional (IPM) baseado nas dimensões: Condições de Moradia, Condições Sanitárias, Segurança Alimentar e Padrão de Vida. Os resultados indicaram a incidência de múltiplas privações, além da renda entre essas crianças, sobretudo nos estados Amazonas e Maranhão, responsáveis por condições entre média e alta pobreza multidimensional. No outro extremo, Santa Catarina apresentou as melhores condições do país. Condições Sanitárias foi a dimensão mais deficitária em todas as localidades, enquanto Segurança Alimentar foi a segunda pior nos estados mais precários. Esse estudo avança ao identificar o nível de pobreza multidimensional na primeira infância rural nos estados brasileiros e os principais condicionantes dessa privação.

Leia o artigo de Ohanna Larissa Fraga Pereira e outros em https://www.scielo.br/j/ecos/a/WrYgsGN9hBndFTL3gm3DPYD/?format=pdf&lang=pt

Este artigo tem como objetivo investigar o impacto do processo de desindustrialização da economia brasileira sobre os determinantes da probabilidade de pobreza dos chefes de família, entre 2012 e 2023, estimados pelo modelo de regressão logística (logit). A principal contribuição deste trabalho encontra-se na análise conjunta das abordagens estruturalista, neoschumpeteriana e dos determinantes da pobreza, realizada por meio da investigação do impacto das mudanças na estrutura produtiva – mensurados por meio de seus reflexos na estrutura ocupacional, desagregada em 12 setores – na probabilidade de pobreza dos chefes de família brasileiros. Os principais resultados mostram o impacto heterogêneo dos diferentes setores sobre as chances de pobreza dos indivíduos e evidenciam que o processo de desindustrialização da economia brasileira implicou diminuição da contribuição dos segmentos industriais, especialmente da indústria de transformação (setor-chave para o crescimento), na redução das chances de pobreza. Ademais, destacou-se que a superação da pobreza envolve uma política multidimensional de Estado, que combata a discriminação de cor e gênero, amplie o nível de formalização do mercado de trabalho e reindustrialize a economia, aumentando a participação dos segmentos mais dinâmicos (mudança estrutural positiva), que contribuem para a redução das chances de pobreza ao proporcionar melhores oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Leia o artigo de Elohá Cabreira Brito e Ricardo Dathein em https://www.scielo.br/j/rec/a/WtxKbcGCFgqHfBpt6FCWqDp/?format=pdf&lang=pt

Dada a importância de ampliar a visão da Economia fundamentada na maximização das utilidades e na renda dos países, o presente artigo objetiva incorporar o conceito de equidade em saúde e sua importância na discussão econômica sobre desenvolvimento humano, percorrendo uma trajetória bibliográfica que tem início na teoria tradicional do bem-estar e chega até a Abordagem das Capacitações. A associação entre a área de Economia, por meio da Abordagem das Capacitações, e a área da saúde pública, via discussão sobre os determinantes sociais de saúde, possibilita que este trabalho contribua com a definição de conceitos importantes para os estudos sobre equidade em saúde. Conclui-se que a multidimensionalidade presente nos conceitos de desenvolvimento humano e de equidade em saúde permite uma discussão rica, em termos de avaliação da vida das populações, na Economia.

Leia o artigo de Giana Silva Giacomelli e outros em https://www.scielo.br/j/neco/a/kbHFxF3pmbkN9VCFZvyHhDj/?format=pdf&lang=pt

O presente estudo analisa a distribuição espacial da pobreza multidimensional nos municípios brasileiros considerando as Áreas Minimamente Comparáveis (AMC) e sua convergência nos anos de 1991, 2000 e 2010. Para isso, foi construído um Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), realizada a análise exploratória de dados espaciais (AEDE) e, para verificar a convergência da pobreza multidimensional, utilizou-se a abordagem de econometria espacial. Os resultados indicaram que condições de habitação e demografia foram as dimensões que mais contribuíram para a pobreza multidimensional, e as dimensões de saúde e saneamento e renda são as que mais contribuíram para a redução da pobreza multidimensional. O estudo também apontou que o Brasil apresentou convergência absoluta e clubes de convergência da pobreza multidimensional, especialmente de 2000 para 2010. Além disso, as dimensões trabalho e condições de habitação foram as que mais contribuíram para a convergência da pobreza multidimensional.

Leia o artigo de Marcos Aurélio Brambilla e Marina Silva da Cunha em https://www.scielo.br/j/neco/a/HgbVyjbgykrFkhSBD93VqwL/?format=pdf&lang=pt

O presente trabalho tem como objetivo analisar a abordagem das capacidades, nos termos estabelecidos por Amartya Sen e Martha Nussbaum, e suas consequências para o estudo da pobreza. As premissas teóricas articuladas por esses autores não apenas revelam a complexidade desse fenômeno multidimensional, mas também orientam os contornos do que deve ser considerado essencial para uma vida digna. Dessa forma, a abordagem das capacidades se apresenta como base para uma compreensão global da justiça. No entanto, tal afirmação generalizante invariavelmente ignora nuances e particularidades que não são devidamente valorizadas a priori. Nesse sentido, é necessário revelar aspectos estruturais negligenciados, que são decisivos para a perpetuação da pobreza e das desigualdades nos locais onde são mais marcantes. Para isso, perspectivas periféricas serão destacadas como uma ferramenta importante na identificação dos limites da abordagem das capacidades como base para uma concepção de justiça global.

Leia o artigo de Anna Carolina Kähler de Moraes Barros e Pedro Ivo Ribeiro Diniz em https://www.scielo.br/j/cint/a/WJpsCqPZyVfxhFfvGSwzBCk/?format=pdf&lang=en