O processo de reabilitação de população vulnerável não se resume à oferta de uma moradia formal, os desafios de adaptação à unidade habitacional são diversos. Assim, o objetivo deste estudo é analisar a adaptação à moradia seriada de população de risco, com foco nos conflitos e na fragmentação espacial. A pesquisa de campo compreendeu medições in loco, observações e entrevistas semiestruturadas no interior de 156 unidades habitacionais no Brasil. As dificuldades relacionadas a essa adaptação são diversas: o tamanho reduzido da área da unidade habitacional e do lote, a dificuldade de ampliação da moradia, a baixa qualidade dos materiais, a ausência de um local ou área para geração de renda, a ausência de laços sociais com a vizinhança, a falta de privacidade, a fragmentação espacial com divisões e construções privativas de áreas não ocupáveis do lote (recuos e afastamentos) e invasão em áreas públicas. O processo de adaptação à moradia formal e seriada envolve especialmente conflitos de vizinhança. Uma das consequências da inadaptação à “formalidade” é a venda ou aluguel da moradia, com 19,0% dos domicílios da amostra ocupados por beneficiários não originários.
Leia o artigo de Gianna Monteiro Farias Simões e Solange Maria Leder em https://www.scielo.br/j/rbeur/a/hJzN7KVhQ4F5g3BmjmJG9Wh/?format=pdf&lang=pt