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A inovação, com a implementação e utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), inclusive a generativa (IAG), pode proporcionar impactos positivos no desempenho das entidades privadas ou públicas, nestas últimas inclusos os Tribunais de Contas. Para esses órgãos, a otimização de suas ações converge com seus principais objetivos, especialmente aos voltados para ações de fiscalização. Assim, o presente artigo propõe um modelo de avaliação, composto por indicador com dimensões e critérios específicos que podem ser incluídos ao sistema de avaliação utilizado pelos Tribunais de Contas brasileiros – chamado de Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas do Brasil (MMD-TC) -, que também poderá avaliar o uso de inovações que se relacionam com a utilização de inteligência artificial, incluindo a IAG, nas fiscalizações dos Tribunais de Contas. Para tanto, é apresentada uma pesquisa sobre as características e os avanços nas fiscalizações dos Tribunais de Contas com o uso de IA, indicando como a estrutura do MMD-TC pode apoiar o processo de engajamento com a inovação.

Leia o artigo de Flávia Holz Meirelles Pereira e Luciano Vieira de Araújo em https://www.scielo.br/j/rap/a/nnYHFTRK8wbpHysJJJFpcVm/?format=pdf&lang=pt&ilang=en

Embora muitas vezes negligenciadas na pesquisa de políticas públicas, as narrativas desempenham um papel relevante no debate público e nas diretrizes definidas para combater os problemas públicos. Esta pesquisa identifica as narrativas adotadas por ferramentas de inteligência artificial generativa para descrever a pobreza e as suas causas no Brasil. O estudo utiliza o Narrative Policy Framework (NPF) para mapear os principais elementos dessas narrativas, com o objetivo de comparar o conteúdo gerado em relação à diversidade narrativa. Também visa verificar a relação entre essas explanações e os vieses ideológicos subjacentes a elas. A metodologia é qualitativa e utilizou o ChatGPT-4, o Gemini Advanced e o Copilot PRO para a coleta de dados, que foram averiguados por meio de análise de conteúdo. Os resultados apontam para a consolidação de quatro tipos de narrativa: estruturalista, liberal, assistencialista e desenvolvimentista. As narrativas estruturalistas foram as mais recorrentes, seguidas pelas liberais, assistencialistas e desenvolvimentistas. Ao observar os vieses ideológicos subjacentes, notou-se uma tendência para a centro-esquerda nos chatbots de inteligência artificial generativa.

Leia o artigo de Gabriel Nones Arndt e Leonardo Secchi em https://www.scielo.br/j/rap/a/bYCbWyYRwd8MGT6JBzfrfdj/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

A inteligência artificial (IA) tem se expandido significativamente nos últimos anos, permeando diversos setores da economia e da vida cotidiana. Entretanto, essa rápida adoção exige uma análise das contrapartidas associadas ao seu funcionamento, muitas vezes desconhecidas pelo público. Com base em uma análise de dados extraídos de artigos acadêmicos, relatórios técnicos, repositórios de dados e documentos governamentais, este artigo explora as dimensões físicas, energéticas e geopolíticas subjacentes à IA. Apesar de frequentemente vista como imaterial, a IA depende de uma vasta e complexa infraestrutura física, sustentada por data centers que abrigam milhares de equipamentos produzidos a partir de uma ampla gama de minerais e metais, muitos deles classificados como críticos. Atualmente, existem cerca de 12 mil data centers em operação globalmente, incluindo 992 de hiperescala, que ocupam áreas de milhares de metros quadrados. O curto ciclo de vida dos equipamentos desses centros, combinado ao descarte inadequado, retira metais valiosos da cadeia de suprimentos, intensificando a extração mineral e agravando impactos socioambientais. Paralelamente, a disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de minerais críticos e pela liderança em tecnologias de IA tem acirrado tensões geopolíticas, com restrições mútuas à exportação de tecnologias avançadas e minerais essenciais. Outro aspecto importante é o alto consumo energético das aplicações de IA: nos Estados Unidos, os data centers já representam cerca de 4% do consumo nacional de eletricidade, com previsão de atingir 9,1% até 2030. Embora as grandes empresas de tecnologia invistam em fontes renováveis, como solar e eólica, para suprir essa demanda crescente, tais fontes também requerem volumes significativos de minerais críticos. Esse conjunto de fatores evidencia a complexa interconexão entre Inteligência Artificial, Data Centers, Minerais Críticos, Energia e Geopolítica.

Leia o artigo de João Henrique Santana Stacciarini e Ricardo Junior de Assis Fernandes Gonçalves em https://www.scielo.br/j/sn/a/LC65bzyhKgVBL4zjk7p5Skm/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

Este artigo investiga como a Indústria 4.0 transforma e impacta o mundo do trabalho, compreendendo-a não apenas como avanço tecnológico (inteligência artificial, sistemas ciberfísicos), mas como base de novas formas de gerenciamento algorítmico que extrapolam o ambiente fabril. Objetiva-se analisar como essas tecnologias reconfiguram o controle, a vigilância e a intensificação do trabalho, aprofundando o processo de subsunção real do trabalho ao capital. Metodologicamente, retomam-se estudos sobre fordismo e toyotismo para identificar continuidades, rupturas e limites da Indústria 4.0 enquanto expressão de uma reestruturação produtiva em escala global, e análises empíricas tanto internacionais quanto dos casos brasileiros da Mercedes-Benz (SP) e Jeep (PE). Conclui-se que a difusão dessas tecnologias consolida mecanismos mais complexos de exploração laboral, mediados por algoritmos e dados.

Leia o artigo de Iuri Tonelo em https://www.scielo.br/j/ccrh/a/PC8p8VMkFGr64mJLFLWxCQD/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

Este estudo visa analisar os principais conceitos, benefícios e desafios relacionados à Indústria 4.0 e sua relação com a Transformação Digital no setor industrial brasileiro, a partir de uma revisão sistemática da literatura entre 2019 e 2024. Os achados demonstram que a Indústria 4.0 tem impulsionado a Transformação Digital por meio da adoção de tecnologias como Big Data, IoT, computação em nuvem e inteligência artificial. Os estudos destacam ganhos em eficiência, sustentabilidade e competitividade, mas também revelam lacunas, como dificuldades de adoção por pequenas empresas e desafios na requalificação da força de trabalho. A pesquisa aponta a necessidade de políticas públicas de incentivo, formação profissional contínua e estratégias de integração tecnológica para viabilizar a transformação digital em diferentes setores industriais.

Leia o artigo de Josiane de Fátima Daniel Cardoso e Argemiro Luis Brum em https://www.scielo.br/j/reaufsm/a/FtsNyhmMFt3zWzQGSswFxFh/?format=pdf&lang=en&ilang=pt_BR

A integração da Inteligência Artificial (IA) em órgãos de defesa da concorrência para identificar práticas anticompetitivas acarreta riscos éticos inerentes, como o viés algorítmico e a dependência excessiva de fornecedores de tecnologia. Visando mitigar tais riscos, este artigo investiga como 35 autoridades reguladoras, classificadas pelo Global Competition Review (GCR) Enforcement Rating de 2023, abordam esses desafios. Por meio de uma análise documental realizada com o auxílio do ATLAS.ti25, comparam-se as organizações com base em cinco princípios éticos (Transparência, Responsabilidade/Accountability, Justiça e Equidade, Robustez e Segurança, e Privacidade), fundamentados em frameworks consolidados de ética da IA e bioética de proteção. Os resultados demonstram uma disparidade crítica na maturidade regulatória: observa-se maior rigor técnico em princípios de ética operacional (Robustez, Privacidade e Segurança) do que em princípios de ética social. Persistem deficiências substanciais em Transparência, Responsabilidade e Justiça/Equidade. Essa lacuna aponta para um déficit no princípio central da Explicabilidade (que engloba a inteligibilidade e a prestação de contas). A causa principal reside na ausência de procedimentos objetivos e na falta de divulgação sobre o uso da IA para a atividade-fim dessas organizações. O estudo conclui que o aprimoramento da liderança ética e o estabelecimento de mecanismos organizacionais de prestação de contas são fundamentais para garantir uma aplicação justa e transparente da IA na regulação econômica. Leia o artigo de  Mayla Cristina Costa Maroni Saraiva e Fátima de Souza Freire em https://www.scielo.br/j/rap/a/nY6wFWJRyVMk5d7JLCKkH9x/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

Este artigo analisa o uso de deepfake como forma de violência política de gênero e raça no Brasil. Conecta as raízes do patriarcado e racismo ao surgimento de armas digitais, mostrando como vídeos falsificados atacam, deslegitimam e silenciam mulheres, especialmente na política. Com metodologia qualitativa, define a tecnologia, quantifica seu uso misógino e a relaciona ao Abuso Sexual Baseado em Imagem (ASBI). Avalia o arcabouço jurídico brasileiro, desde a Lei nº 14.192/2021 até a resolução do TSE sobre IA em eleições, contrastando avanços normativos com entraves institucionais e baixa punição. Dados empíricos e estudos de caso de parlamentares revelam a sistematicidade e interseccionalidade dos ataques. Conclui que combater essa ameaça à democracia exige regulação de plataformas, políticas de proteção e educação midiática.

Leia o artigo de Monique Leray Costa e Márcia Haydée Porto de Carvalho em https://www.scielo.br/j/rdp/a/7RQzzNTc6dsQHccVWDHHmxh/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

“A questão não é se armas de IA serão construídas, mas quem vai construí-las e com que finalidade”. Essa afirmação faz parte do que vem sendo chamado de “Manifesto Palantir”, um conjunto de 22 pontos, publicado no X/Twitter, no dia 18 de abril de 2026, pela empresa Palantir, com base no livro A república tecnológica. A Palantir, empresa de tecnologia fundada em 2003 por Peter Thiel, tem como CEO, Alex Karp, um dos autores do referido livro, e é hoje uma das empresas mais poderosas, obscuras e politicamente influentes – especialmente após a segunda eleição de Donald Trump – no mercado de inteligência artificial e análise de dados.

Leia o artigo de  Carolina Parreiras em https://www.scielo.br/j/aantropol/a/8fY58GkGzDLtRJmKYTrKYKx/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

Em que medida a governança de sistemas integrados (polícia–Ministério Público–Judiciário), ao incorporar outputs de Inteligência Artificial preditiva, reconfigura as burocracias penais e tensiona direitos fundamentais? Esta é a pergunta central que orienta o artigo. Sustenta-se que a integração de bases e a circulação automática de outputs (alertas, scores, mapas de risco) tendem a produzir um efeito de presunção de confiabilidade dos dados e das inferências algorítmicas, convertendo-os em insumos administrativos capazes de orientar triagens, prioridades e pedidos cautelares. Tal dinâmica pode aparentar ganhos de eficiência, mas amplia a opacidade decisória, dificulta a contestabilidade e intensifica os riscos de seletividade e de retroalimentação, com consequências diretas para o devido processo (contraditório sobre dados e inferências), a igualdade e a não discriminação, a privacidade (incluída a autodeterminação informativa do art. 5º, LXXIX, da Constituição Federal) e a presunção de inocência. Metodologicamente, articula-se a abordagem dogmático-constitucional, a análise institucional das rotinas brasileiras e o diálogo com os marcos normativos nacionais (Resolução CNJ 615/2025 e Portaria MJSP 961/2025) e internacionais. Propõe-se, ao final, um conjunto de standards mínimos para a governança de sistemas integrados com IA preditiva, centrado em rastreabilidade, contestabilidade, auditoria, separação funcional e dever reforçado de motivação. Leia o artigo de Luciano Rocha de Oliveira e Américo Bedê Jr. em https://www.scielo.br/j/rbdpp/a/htzwbLBK7yykbjjDnzCTWSD/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

A segurança pública brasileira atua em um contexto de crescente complexidade institucional, no qual as transformações das dinâmicas criminais, as demandas por eficiência estatal e a exigência de transparência impõem novos desafios. Nesse contexto, a incorporação de tecnologias nas Polícias Militares possibilita o aperfeiçoamento dos processos operacionais, o fortalecimento da capacidade de planejamento e o aprimoramento dos mecanismos de controle e prestação de contas. O objetivo geral é analisar os impactos da utilização de ferramentas tecnológicas nas Polícias  Militares do Brasil, com respaldo na eficiência operacional e na transparência institucional. Os resultados apontam que a implementação das câmeras corporais contribui para a redução de conflitos entre policiais e cidadãos, aumenta a confiança social na instituição policial e reforça a segurança jurídica dos agentes em serviço. Conclui-se que a adoção dessa tecnologia deve ser compreendida como investimento estratégico da Polícia Militar, promovendo eficiência, transparência e valorização do profissional, em  consonância com as demandas contemporâneas da sociedade democrática. Leia o artigo de José Anderson Bomfim Barros em https://rsdjournal.org/rsd/article/view/50986/39969