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O artigo propõe retomar o debate sobre os medos, que não podem ser negados e continuam limitando a liberdade de ação dos indivíduos paralisados. Discute a doutrina liberal do que deve ser feito para impedir que a ação individual seja tolhida, especialmente no liberalismo do medo, doutrina política sobre a crueldade, imposição deliberada de dor física ou moral pelo mais forte sobre o fraco. Relativiza a visão do Estado como uma ameaça perene à liberdade dos cidadãos que devem se curvar à repressão, pois que há grupos organizados ou indivíduos fora do Estado, como na rede do Transnational Organized Crime (TOC), que intimidam ou matam pessoas em nome dos seus interesses individuais ou fins ideológicos coletivos. A saída mais usada é a de garantir que nenhum desses servidores do Estado possa intimidar alguém, a não ser pelo uso de procedimentos legais bem compreendidos e aceitos. A partir daí discute como a guerra às drogas afeta os combatentes servidores do Estado e cria reações e problemas psíquicos, os moradores das áreas urbanas mais violentas que, por causa dos traumas acumulados, fecham-se para a convivência e o associativismo, por fim, os moradores das cidades, mais afeitos à mídia e a ideologia fundamentalista religiosa.

Leia o artigo de Alba Zaluar em https://www.scielo.br/j/ea/a/4TQnKL5yp4Bbw6J7YHztfXL/?format=pdf&lang=pt

A literatura sobre facções e sua expansão reforça majoritariamente os pressupostos jornalístico-policiais de que o “crime organizado” se expande disputando à força “rotas” de drogas e outros mercados ilegais. Em contraponto a essa perspectiva, deslocamos o olhar para o cotidiano de populações marginalizadas, entre as quais o mundo do crime se expande há décadas como alternativa de mobilidade social.

Leia o artigo de Adson Ney Amorim e Gabriel Feltran em https://www.scielo.br/j/nec/a/Jx4G73fqQRFckvSMNNTNJKJ/?format=pdf&lang=pt

Este artigo analisa a violência contra atores políticos na Baixada Fluminense, região que reúne 13 municípios localizados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A hipótese central considera que a violência, sobretudo a violência letal, constitui instrumento predominante na organização das relações de poder e na delimitação de áreas de controle e influência política na Baixada. Uma hipótese correlata a esta avalia que, a partir do perfil das vítimas, a violência política na Baixada se exerce intra e entre elites políticas articuladas a grupos armados, com destaque para as milícias.

Leia o artigo de Leandro Marinho e André Rodrigues em https://www.scielo.br/j/cm/a/xC8KP6dtJyMb4kh7gfBpgVp/?format=pdf&lang=pt

O atual cenário da criminalidade carioca evidencia uma reconfiguração das linhas de forças, produzindo um encadeamento no qual diversos grupos criminais interagem entre si e com as forças da ordem (harmônica ou desarmonicamente) em busca de controle territorial e recursos econômicos. Tráfico de drogas extorquindo moradores, milícia vendendo drogas ilícitas e acordos de cooperação mútua entre ambos revelam que as fronteiras que operavam a distinção dessas duas organizações têm se ressignificado, produzindo situações e agenciamentos complexos. Esta pesquisa busca, a partir de uma abordagem metodológica que combina análise de discurso midiático e documental com entrevistas e conversas com moradores, compreender como as práticas da milícia Liga da Justiça se modificaram ao longo do tempo e quais os contextos e as consequências dessas mudanças para os moradores da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Leia o artigo de Jonathan Willian Bazoni da Motta em https://www.scielo.br/j/dilemas/a/B3X9ZgV6LPdHSq9YRbkSGYF/?format=pdf&lang=pt

O objetivo deste artigo é fazer uma análise acerca dos movimentos realizados pelos diferentes atores do mundo do crime em um bairro da Zona Oeste na busca por identificar as múltiplas formas de organização dos grupos criminosos em função do controle territorial e da gestão dos ilegalismos que caracteriza a guerra nos territórios em disputa no Rio de Janeiro. Seguimos pistas oferecidas pelo trabalho de campo realizado na Praça Seca e tentamos estabelecer relações entre as disputas pelo controle territorial, ora pela milícia, ora pelo tráfico, nas favelas do bairro com o seu entorno e identificar estratégias acionadas pelos moradores que experimentam o “cerco pelo terror” para manter suas rotinas mesmo nas constantes situações de violência a que estão submetidos.

Leia o artigo de Monique Batista Carvalho e Jonathan Willian Bazoni da Motta em https://www.scielo.br/j/cm/a/GhqHK3vZkbtb8pDppfwzbBG/?format=pdf&lang=pt

O artigo objetiva compreender as dimensões socioespaciais que compõem as disputas por mercado e poder inscritos na vida cotidiana da periferia de São Paulo. A quebrada em questão é um lugar de normatividades em disputa e hegemonia compartilhada e explicita a produção do espaço como uma mercadoria política. O território é expressão concreta de regimes diversos de gestão da ordem urbana mediada por ilegalismos. A hipótese é de que a produção social do espaço ganha contornos de uma gestão privada do território mobilizada por estratégias atualizadas de mercantilização fundiária e imobiliária das periferias urbanas. Leia o artigo de Gustavo Prieto e Giovanna Milano em https://www.scielo.br/j/dilemas/a/WCrsnbZghBJJx3MF8dFf8VR/?format=pdf&lang=pt

Este artigo aborda o choque das facções criminosas na cidade de Fortaleza, Ceará, destacando a influência no cotidiano, na dinâmica política e na situação de moradia em bairros populares. A pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa, envolvendo análise de matérias de jornais, entrevistas e incursões aos territórios afetados. A perspectiva compreensiva adotada no artigo considera o ponto de vista de múltiplos agentes envolvidos, evidenciando o domínio consistente das facções em determinados territórios e seu influxo substantivo na vida das comunidades locais. Essa influência ocorre no âmbito das políticas públicas de habitação, afetando diretamente as decisões diárias das pessoas ante o controle ilegal exercido pelos grupos armados.

Leia o artigo de Luiz Fábio S. Paiva e outros em https://www.scielo.br/j/cm/a/byBJ8nvqMX495xhv7Ssxx5J/?format=pdf&lang=pt

Desde o final do século XX, a violência e a criminalidade têm sido objetos de estudo em diversas áreas. No entanto, por muito tempo, negligenciou-se a influência das organizações criminosas na urbanização, um tema que só recentemente tem ganhado relevância. Este artigo visa contribuir para esse campo emergente, apresentando hipóteses sobre a relação entre a urbanização periférica e a atuação de grupos criminosos. Para alcançar esse objetivo, realizamos uma análise de casos com base em nossas próprias pesquisas sobre a participação desses grupos na construção da cidade no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, além da revisão da literatura produzida em São Paulo. Ao final, propomos algumas chaves de leitura para interpretar essa relação, visando aprofundar a compreensão das práticas socioespaciais adotadas por grupos criminosos.

Le o artigo de Thiago CANETTIERI e Priscila COLI em https://www.scielo.br/j/cm/a/QKJfkL6tXy7pXg7hqJmDsKF/?format=pdf&lang=pt

Busca-se contribuir para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e políticas onde se estabelecem domínios armados com suas ambições de hegemonia sobre território e população e de monopólio de mercados ilegais. Parte-se das práticas de governança criminal do PCC em São Paulo e das milícias no Rio de Janeiro como ilustrações de exercício de governos criminais, explorando suas similaridades e diferenças. Propõe-se uma grade conceitual-analítica a partir de alguns elementos centrais como as múltiplas relações com diversos atores estatais, a complexa inserção comunitária e a diversificação criminal e regulação de mercados (i)legais. A abordagem da governança criminal coloca-se como alternativa às narrativas do “crime organizado”, substituindo noções teórico-abstratas por concepções teóricas-conceituais construídas a partir da observação empírica dos efeitos produzidos nos territórios sob domínio armado.

Leia o artigo de Jacqueline de Oliveira Muniz e Camila Nunes Dias em https://www.scielo.br/j/ea/a/VBpypqV6xYJHxVhdSTTXh8h/?format=pdf&lang=pt

Este artigo possui como objetivo realizar um estudo comparativo dos modelos de gerenciamento da política sobre cannabis no Brasil e no Uruguai, sob um olhar interdisciplinar. Diferentemente do Brasil, que adota um modelo proibicionista, o Uruguai foi o primeiro país do mundo a transmudar o problema do campo penal para o campo comercial-tributário. Apesar de a experiência uruguaia ainda estar em processo de implantação e melhoramento, ela já se mostra mais eficaz do que a atual terapêutica estatal brasileira para o enfrentamento do tráfico e consumo de drogas.

Leia o artigo de Kelly Cardoso da Silva em https://www.scielo.br/j/dilemas/a/VgRD8pmPPLMZ4vHxWF3SNGj/?format=pdf&lang=pt