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Com 67,54 pontos, Resende é o município fluminense com maior Índice de Progresso Social (IPS). O IPS Brasil de 2026 foi divulgado esta semana pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e parceiros. Lanterninha no ranking do Estado do Rio, São Francisco do Itabapoana, no extremo Norte, é o 5.424º colocado entre os 5.570 municípios brasileiros. O estado não tem uma única cidade entre as 200 com melhor qualidade de vida do Brasil, segundo o IPS. Diretor do IPS Brasil, Beto Veríssimo analisa que o Rio, pelo Produto Interno Bruto (PIB) que possui e pelos royalties de petróleo que recebe, deveria ter uma posição melhor em progresso social: “O Estado do Rio tem vivido uma instabilidade política muito grande pelo menos nos últimos 20 anos. Acho que o IPS pode refletir essa instabilidade política. O IPS é uma fotografia da condição da gestão pública. No fundo, estamos medindo a qualidade dos serviços públicos que são prestados pelas prefeituras e pelos estados, e também as políticas federais que chegam a estados e municípios” — explica Veríssimo.

Leia o artigo de Selma Schmidt em https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/05/22/qualidade-de-vida-veja-as-cidades-melhores-e-as-piores-colocadas-do-estado-do-rio-no-indice-de-progresso-social.ghtml

O Índice de Progresso Social (IPS) é uma ferramenta que mede o desempenho social e ambiental de territórios em todas as geografias (países, estados, municípios e até comunidades). O IPS é um índice desenvolvido pela organização internacional Social Progress Imperative, a qual coordena a publicação anual do IPS para 170 países desde 2014. Além disso, há também iniciativas de elaboração de IPS em escala subnacional na União Europeia e em diferentes países como México, Índia, Estados Unidos da América e Reino Unido. Essas iniciativas tiveram como referência o IPS Amazônia desenvolvido de forma pioneira pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) desde 2014. Em 2024, novamente sob liderança do Imazon, o IPS Brasil tornou-se a maior iniciativa já realizada no mundo para a geração do índice em escala subnacional. O IPS Brasil 2026 é o terceiro relatório lançado (após as edições de 2024 e 2025) abrangendo todos os 5.570 municípios brasileiros dos 26 estados, além do Distrito Federal. O IPS Brasil é atualizado anualmente para que seja possível comparar o desempenho socioambiental dos municípios ao longo do tempo. Medir a situação social de municípios numa frequência anual é essencial para captar mudanças e tendências e contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas e melhoria da gestão pública local.

Leia o Relatório de 2026 em https://imazon.org.br/downloads/attachment/indice-de-progresso-social-brasil-2026/93

O Produto Interno Bruto (PIB) consolidou-se ao longo do século XX como o principal indicador de desempenho econômico. Entretanto, as transformações estruturais recentes como a financeirização, a expansão da economia digital, a crescente relevância da economia dos cuidados e a emergência da crise ambiental passaram a revelar limitações importantes desse indicador.

Leia o artigo de Marcio Pochmann em https://aterraeredonda.com.br/nota-sobre-a-capacidade-estatistica-do-pib/

Diz a metáfora que, se colocarmos um sapo em uma panela de água fervente, ele saltará imediatamente para fora. Mas, se o colocarmos em água fria e aumentarmos gradualmente a temperatura, ele se adaptará até morrer fervido, sem perceber o perigo. Essa fábula, embora biologicamente imprecisa, serve como poderosa alegoria para fenômenos sociais e políticos em que a degradação institucional se instala aos poucos, mascarada por rotinas, discursos e adaptações sucessivas. É essa lógica que parece reger, hoje, o cotidiano dos Institutos Federais de Ciência e Tecnologia (IFs). Não se trata de um colapso súbito ou um ataque frontal à sua existência. O que se vive é um processo progressivo de sucateamento institucional, camuflado sob discursos de eficiência, adaptabilidade e inovação. Fazer mais com menos.

Leia o artigo de Bruno Resck em https://aterraeredonda.com.br/os-institutos-federais-sob-o-regime-da-austeridade/

Esta pesquisa investiga os mecanismos de participação social da Anvisa, que, em 20 anos, desenvolveu diferentes iniciativas de interação com a sociedade no seu processo regulatório. Por meio de abordagem qualitativa, investigou-se a qualidade e efetividade da participação na visão de reguladores, regulados e consumidores. Os resultados incluem a percepção dos entrevistados sobre graus de interesse dos atores, eficácia dos mecanismos, isonomia de tratamento da Anvisa e estratégias de influência nas decisões da agência. Os achados estão relacionados aos aspectos do desinsulamento da Anvisa, da tendência à institucionalização da participação e das consequências do uso dos mecanismos por diferentes atores. O presente artigo propicia uma inédita visão ampla dos mecanismos de participação da Anvisa e de seus efeitos em duas décadas na democratização dos processos decisórios da agência.

Leia o artigo de Pedro Ivo Sebba Ramalho e Eliane Aparecida da Cruz em https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/7854/6965

A resistência a projetos de transporte em áreas residenciais tem catalisado diferentes manifestações desde os anos 1960. Em contextos de desenvolvimento urbano informal, tais projetos frequentemente ameaçam a permanência de grupos vulneráveis, relegando as necessidades e os desejos de comunidades de baixa renda. Neste artigo, as noções de conflito urbano e planejamento conflitual, que abrangem práticas e ações de contestação ao planejamento formal, são exploradas a partir de um emblemático estudo de caso brasileiro – o das Comunidades dos Trilhos, em Fortaleza. O artigo apresenta contribuições para o planejamento popular no contexto nacional na medida em que estratégias distintas são analisadas, assim como suas influências sobre o planejamento estatal, considerando os fatores que potencializam ou apaziguam seus poderes de transformação.

Leia o artigo de Rebeca Froés de Assis e outros em https://www.scielo.br/j/cm/a/DHWh5Kq7YxJmHRzN9X7j5Th/?format=pdf&lang=pt

Este artigo analisa as racionalidades políticas e os campos discursivos que informam a articulação entre a gestão de riscos de desastres e a adaptação às mudanças climáticas na Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Por meio da análise crítica do discurso, o estudo examina marcos regulatórios, políticas públicas e planos nacionais adotados entre 2015 e 2024. A pesquisa identifica quatro campos discursivos dominantes: tomada de decisão baseada em evidências, ação climática urgente, responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e compensação por danos e perdas. As descobertas sugerem uma colonialidade epistêmica multinível, privilegiando agendas globais, cenários climáticos futuros, modelagem de impacto e financeirização de riscos. Como consequência, prevalecem abordagens tecnocráticas e medidas reativas, limitando a problematização das causas estruturais da vulnerabilidade.

Leia o artigo de Andrea Carrión e Julien Rebotier em https://periodicos.fgv.br/rap/article/view/97851/90848

El artículo plantea una aportación al debate académico sobre las respuestas a desarrollar desde el sector público a un entorno en el que las crisis, de diversa naturaleza y alcance, se van enlazando hasta cobrar un carácter estructural. La caracterización de las respuestas a las crisis, desde la resiliencia estática o la dinámica, a la robustez, permiten identificar diferentes equilibrios entre estabilidad y cambio. El concepto de gobernanza robusta como paradigma para afrontar um entorno de turbulencia parte de la integración de componentes propios de paradigmas precedentes, asentándose sobre un nuevo equilíbrio entre estabilidad y cambio que permite potenciar las capacidades de adaptación de las instituciones públicas. El desarrollo del concepto, de cara a su eventual aplicación en la realidad latinoamericana, se plantea a través de cinco estrategias de carácter complementario que inciden tanto en las organizaciones públicas como en los modelos de relación de la red de actores implicados en la gobernanza. Leia o artigo de Miquel Salvador e Carles Ramió em https://revista.clad.org/ryd/pt_BR/article/view/Gobernanza-robusta-entornos-estrategias-turbulencia-Latam/512

Este artigo oferece uma visão ampla do Brasil hoje, uma realidade historicamente situada que só pode ser entendida a partir de uma análise histórico-estrutural. O Brasil é um país mestiço no qual a minoria branca ou branqueada é racista. É uma sociedade que completou sua revolução capitalista, mas deixou incompleta a sua revolução nacional iniciada em 1930. Suas elites, que durante 50 anos foram relativamente nacionais, passaram a ser dependentes a partir de 1990 em consequência da grande crise dos anos 1980 e da Virada Neoliberal ocorrida no Norte. Desde então a economia brasileira está quase-estagnada. A democracia, porém, está consolidada porque todas as classes sociais estão determinadas a não se subordinar a um ditador.

Leia o artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira em https://www.scielo.br/j/ln/a/CZF3FFy4vxnm985Yj7QxRmH/?format=pdf&lang=pt

Este artigo aborda a evolução da estrutura social das metrópoles brasileiras sob a perspectiva da interseccionalidade, entre 1982 e 2022, analisando, de forma integrada, as dimensões de classe, raça e sexo. Para a aproximação da dimensão de classe utilizou-se as categorias sócio-ocupacionais do Observatório das Metrópoles, conjugadas com os dados raciais e de sexo disponíveis nos levantamentos domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados permitem afirmar que, apesar da ampliação de posições sociais mais elevadas para as mulheres, especialmente, e para as pessoas negras, de modo mais tímido, a parte superior da estrutura social das metrópoles brasileiras continua marcada pelas desigualdades de classe entre brancos e negros. Na parte inferior, todavia, a estrutura social continua expressando desigualdades entre homens e mulheres e entre brancos e negros. O estudo também evidencia a importância da análise interseccional em estudos populacionais a fim de se identificar diferentes situações de desvantagens e desigualdades sociais no Brasil.

Leia o artigo de Marcelo Gomes Ribeiro e outros em https://www.scielo.br/j/dados/a/kzz7MHr657hDQ9LJSsksvqF/?format=pdf&lang=pt