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O estudo visa discutir a reconfiguração do trabalho docente no Brasil, com a rápida e crescente adoção de tecnologias educacionais digitais, especialmente a partir da pandemia do SARS-CoV-2. Realizamos um estudo de caráter documental e um mapeamento das empresas desta indústria, no qual identificamos 1.303 empresas, e categorizamos os impactos no trabalho dos professores. Observamos que 91% dessas tecnologias não cumprem funções de suporte ou apoio, mas tendem a substituir atividades intelectuais do trabalho docente. Com base nesses dados, discutimos algumas tendências e alguns riscos ao processo educativo, com recurso a literatura acadêmica e estudos de casos.

Leia o artigo de Allan Kenji Seki em https://www.scielo.br/j/es/a/7Vdn3TMZFLWvyPZBdWBPn6z/?format=pdf&lang=pt

Este artigo analisa criticamente a presença da inteligência artificial e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) na educação básica brasileira, com base em uma cartografia regional que contempla cinco estados representativos das cinco regiões do país. Adotou-se uma abordagem interdisciplinar, articulando os campos do direito, da geografia crítica e das políticas educacionais. Os resultados indicaram a ausência de regulamentações locais específicas, revelando a fragilidade institucional diante da crescente plataformização do ensino público. A falta de normativas claras permite a adoção de tecnologias opacas e automatizadas sem garantias de proteção de dados de crianças e adolescentes, configurando riscos éticos e legais. O estudo propõe que a escola pública seja reconhecida como território ativo de regulação, destacando experiências de resistência e práticas docentes críticas. Concluiu-se que a justiça digital na educação exige uma política pública intersetorial que considere a diversidade territorial e assegure o direito à informação, à transparência e à autonomia pedagógica perante a inteligência artificial.

Leia o artigo de Siderly do Carmo Dahle de Almeida e outros em https://www.scielo.br/j/es/a/BLx4FbGNbs7JG4GHHsWFHkS/?format=pdf&lang=pt

O estudo busca identificar as dualidades entre o uso da inteligência artificial (IA) na educação e os riscos de vieses algorítmicos. A pesquisa se insere como qualitativa e uma revisão sistemática de literatura com apoio bibliométrico. A hipótese levantada é de que os vieses algorítmicos na educação podem comprometer a equidade e a eficácia dos processos educativos. Os vieses foram apontados desde a codificação dos algoritmos até o processamento automatizado, o que pode impactar o desempenho dos alunos e ampliar as desigualdades. Medidas sugeridas para mitigação incluem os cuidados nas fases de treinamento e implementação dos algoritmos, desenvolvimento de práticas de reparação algorítmica, supervisão das plataformas e a necessidade de tecnologias justas e confiáveis. Como resposta à hipótese, conclui-se que a eficácia da IA na educação depende de um treinamento contínuo e inclusivo dos algoritmos e da conscientização de seus usuários sobre os riscos dos vieses algorítmicos, de forma que os sistemas possam ser aperfeiçoados para evitar a reprodução de injustiças sociais. Recomenda-se uma abordagem ética e colaborativa para garantir que a IA contribua para uma educação mais justa. A interação entre os alunos e a IA pode suscitar uma reflexão crítica sobre os feedbacks recebidos, pois eles precisam saber identificar se os resultados são confiáveis, atualizados e não tendenciosos, uma vez que a IA pode demorar a incorporar novos dados de treinamento nos algoritmos.

Leia o artigo de João Marcos Heggler e outros em https://www.scielo.br/j/es/a/qrTryFvZR9Y9WsRpG5fWGHB/?format=pdf&lang=pt

Objetivamos, no presente artigo, realizar uma análise acerca das contradições postuladas pelo “Novo Ensino Médio” e a integralidade ofertada pela Educação Tecnológica e sua relação com a categoria trabalho, desvelando a influência no processo formativo dos estudantes inseridos nos Institutos Federais brasileiros. Para isso, partimos da análise diagnóstica e descritiva de produções acadêmico-científicas – artigos e resultados de pesquisas, baseadas no método crítico-dialético, e documentos oficiais -. O estudo infere que as dificuldades em torno do Ensino Médio e da Educação Tecnológica Integrada, podem contribuir para a evasão escolar, o contínuo desmantelamento do ensino e para a ampliação das expressões da “questão social”.

Leia o artigo de Luciana Sousa Alves e Marinalva de Sousa Conserva em https://www.scielo.br/j/edreal/a/LMv9kHjBkz7rnsfkvH8Ys6P/?format=pdf&lang=pt

Os resultados das avaliações do Ensino Médio de 1997 a 2017 apresentavam um cenário preocupante em termos de aprendizagem, além de uma elevada taxa de evasão dos estudantes dessa etapa da Educação Básica no Brasil. Muitos desses resultados podiam ser creditados na conta de um currículo engessado, fragmentado e superficial, totalmente focado na preparação para o ingresso no Ensino Superior, e 80% dos jovens de 18 a 24 anos não seguiam o caminho da universidade. Para corrigir essas distorções, a Lei n.13.415/2017 trouxe uma nova proposta de organização do Ensino Médio brasileiro, inserindo nos currículos o desenvolvimento de competências, a interdisciplinaridade, a flexibilização curricular, maior articulação com a educação profissional e a formação em tempo integral, alinhando o Ensino Médio brasileiro às tendências internacionais. Entretanto, antes que fosse completado o ciclo de implementação da reforma proposta em 2017, o MEC encaminhou em 2023 uma proposta de alteração dos principais pontos da Lei n.13.415/2017, que resultou na Lei n.14.495/2024. Este artigo irá discutir os princípios da reforma do Ensino Médio proposta em 2017 e os principais impactos da Lei aprovada em 2024 na forma de oferta dessa etapa da educação básica no Brasil.

Leia o artigo de  Eduardo Deschamps em https://www.scielo.br/j/ea/a/WfF835RPjSqYb49cbf9CNdK/?format=pdf&lang=pt

Esta análise põe em evidência o processo, em curso, de reformulação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) na política educacional brasileira, iniciado em 2020. Ancorado em uma pesquisa documental e bibliográfica, o texto concentra-se em analisar quatro temas em disputa, com vistas à constituição de um Novo IDEB, atrelados ao componente da aprendizagem, a saber: adequação aos padrões internacionais, atualização das expectativas de aprendizagem, alinhamento do IDEB à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e aferição de um IDEB por disciplina. Os achados da investigação apontam para uma considerável articulação dos reformadores da educação, no sentido de influir na redefinição do índice e no seu fortalecimento, enquanto mecanismo de accountability educacional.

Leia o artigo de Afonso Gomes de Oliveira e outros em https://www.scielo.br/j/edreal/a/tDFNhxh3cgrWJbHRwRjZLdt/?format=pdf&lang=pt

Este artigo problematiza as transformações identificadas no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), entre 2004 e 2022, e a concepção neoliberal de qualidade de mercado que nele se tornou hegemônica, no contexto de mercantilização da educação superior. Como resultado, verificou-se que, ao priorizar o desempenho estudantil nas provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) na definição de qualidade dos cursos de graduação, o Sinaes vem atuando como dispositivo da razão neoliberal – como difusor da racionalidade de mercado na educação superior –, criando subjetividades entre docentes e discentes ancoradas no princípio da concorrência.

Leia o artigo de Alex de Oliveira Fernandes e Suzana Dos Santos Gomes em https://www.scielo.br/j/es/a/cK3fg7GbNbNmsk4jZbXxNcq/?format=pdf&lang=pt

Este artigo faz uma síntese de algumas das principais tendências observadas nas inovações introduzidas em sistemas internacionais de avaliação em larga escala, tendo em vista a necessidade de aperfeiçoamento dos sistemas nacionais de avaliação, em especial o Saeb e o Enem, e do seu alinhamento às mudanças curriculares implantadas com a Base Nacional Comum Curricular/BNCC. Examina também a expansão dos centros de pesquisa em avaliação educacional no Brasil e a excelência das pesquisas com evidências muito importantes para subsidiar as avaliações nacionais e atualizar as agendas de políticas públicas educacionais no país.

Leia o artigo de Maria Helena Guimarães de Castro em https://www.scielo.br/j/ea/a/358xvv3yw5tryFFrKfHhnFk/?format=pdf&lang=pt

O artigo objetivou analisar a encruzilhada que se encontra a educação contemporânea: entre o caminho do ensino por competências e habilidades, focado na alta performance, e a perspectiva de uma formação humana ampliada. Mediante uma cuidadosa pesquisa bibliográfica, apresenta uma crítica ao ideal do homem-empresa e à sua assimilação inadvertida nos sistemas escolares, seguida da proposição de um caminho formativo pelas sendas do clássico páthei máthos (aprendizagem pelo padecer) e a consequente experiência de educação ampliada. A hipótese foi a de que o espanto faz estranhar a habitualidade performática e abre horizonte para o acontecer de uma autêntica experiência educacional.

Leia o artigo de Rodinei Balbinot e outros em https://www.scielo.br/j/es/a/xLt8YCWLNrchNCQPXsSmG3S/?format=pdf&lang=pt

O artigo apresenta um estudo exploratório da governança/governação e as implicações desses processos para a Gestão Democrática (GD) da educação e escola pública. Foram analisados 249 trabalhos acadêmico-científicos publicados no contexto português e brasileiro, entre 2008 e 2022, e identificados os(as) pesquisadores(as), universidades e produções que abordam a temática. A pesquisa evidenciou: uma certa indefinição analítico-conceitual e divergências teóricas e empíricas em relação à governança/governação no campo educacional e escolar, a ação transnacional na tematização da problemática, as convergências em relação à centralidade do(a) diretor(a) escolar, com diferentes interpretações nos contextos analisados, e o enfraquecimento e a ressignificação da categoria GD, reduzida a elementos mínimos.

Leia o artigo de Janete Palú e Fátima Antunes em https://www.scielo.br/j/es/a/VcRgVXKK6yhcrTyPmmtDXVp/?format=pdf&lang=pt