Arquivo para categoria: Categoria: Boletim 174

O presente artigo analisa o esvaziamento das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (DCN) na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Trata-se de uma pesquisa documental de abordagem crítica inserida nos debates curriculares ancorados nos fundamentos teórico-metodológicos da Pedagogia Histórico-Crítica. Objetiva-se analisar e refletir sobre as diretrizes para a educação de grupos pouco reconhecidos e considerados nas políticas educacionais curriculares brasileiras, no sentido de fomentar o debate em torno dos processos de formação dos sujeitos que se pretende formar. As categorias de análise foram: 1) modalidades da educação (Escolar Indígena, Escolar Quilombola, do Campo, Especial, de Jovens e Adultos, Profissional e Tecnológica), e 2) eixos temáticos contemporâneos (Educação Ambiental, Educação em Direitos Humanos, Educação para jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais, Educação das Relações Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, Atendimento escolar de crianças, adolescentes e jovens em situação de itinerância). Os resultados apontam que há um silenciamento e um retrocesso na BNCC, no que tange a algumas modalidades e eixos temáticos que já tinham seus direitos assegurados na DCN. Em contrapartida, na BNCC, mesmo apresentando os princípios de igualdade e universalidade, os sujeitos são homogeneizados, sem considerar as diferenças e subjetividades que existem ou podem existir. Posiciona-se aqui em defesa de uma educação que, considerando efetivamente a diversidade e as profundas desigualdades da sociedade brasileira, advogue por uma formação omnilateral dos sujeitos na perspectiva da transformação social.

Leia o artigo de Ana Santana Moreira e outros em https://www.scielo.br/j/edur/a/RhDkFKw5s9wtMs6NxdFmF/?format=pdf&lang=pt

O trabalho analisa o mais recente produto financeiro do mercado de capitais voltado para o financiamento do agronegócio, o Fundo de Investimento das Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). O estudo exploratório observa interações sociais que envolvem seu principal financiador, a pessoa física. É objetivo mapear interpretações do investidor individual de varejo para compreender os dispositivos que contribuem para efetivação da compra de cotas do Fiagro. As fontes do estudo são entrevistas realizadas entre janeiro e agosto de 2023, período em que o fundo completou dois anos de operação, além de documentos descritivos e estatísticos. Metodologicamente, uma abordagem especulativa pela amostragem “bola de neve” reuniu relatos de investidores, posteriormente tratados a partir da Teoria Ator-Rede. Os primeiros resultados apontam para a mobilização da pessoa física ao Fiagro pela simultaneidade da diminuição de direitos de seguridade social, da consolidação da imagem próspera do setor agroindustrial e da popularização das redes digital e financeira.

Leia o artigo de Bruna Bronoski e Rodolfo Bezerra de Menezes Lobato da Costa em https://www.scielo.br/j/asoc/a/Z5fS4xxjtrgL6Hvw8w3V5cc/?format=pdf&lang=pt

Analisamos o efeito das variáveis territoriais e da capacidade fiscal municipal nas proposições legislativas e na destinação das políticas distributivas pelas Câmaras dos Vereadores de quatro municípios selecionados da Região Metropolitana de Curitiba. Perguntamo-nos se há associação entre proposições legislativas de caráter distributivo de iniciativa de vereadores e características socioeconômicas, demográficas e fiscais dos municípios estudados. Os achados apontam para uma explicação complementar às encontradas na literatura para as variações da proposição de políticas distributivas. Para além da conexão eleitoral, a destinação dessas políticas pode estar relacionada ao desenvolvimento socioeconômico e fiscal, às características demográficas e às necessidades desiguais e demandas específicas dos municípios. O estudo corrobora a literatura sobre a importância da incorporação do território nas análises da política e dos resultados das políticas públicas. Leoa o artigo de Patrícia Sene de Almeida e outros em https://www.scielo.br/j/rsocp/a/jSHnLzwcgWfX4L4TtWqMP4b/?format=pdf&lang=pt

O presente artigo busca aprofundar o entendimento das vantagens competitivas sustentadas construídas através das estratégias de investimentos em P&D e de registros de patentes e trademarks pela Big Pharma, à luz dos três grupos de atividades principais relacionados às capacitações dinâmicas: identificar, aproveitar e transformar. A utilização deste arcabouço contribui para o entendimento das estratégias de P&D, patentes e trademarks pela Big Pharma na criação de vantagens competitivas sustentáveis e na permanência e estabilidade dessas empresas como líderes do setor. A identificação de oportunidades de P&D que despontam do setor público, a capacidade de aproveitar as oportunidades identificadas através de competências organizacionais e as estratégias constantes de transformação de recursos – como o evergreening – e a construção de marcas fortes foram identificadas como parte importante das capacitações dinâmicas dessas firmas que possibilitam a criação e manutenção de vantagens competitivas sustentáveis.

Leia o artigo de Renata Martins Predo e outros em https://www.scielo.br/j/rbi/a/XSkK3sj3DDjjS5frmDmwP9c/?format=pdf&lang=pt

Enquanto diversos estudos exploraram a implementação de políticas públicas olhando para o trabalho dos burocratas de nível de rua em organizações da linha de frente, a gestão dessas organizações é pouco estudada. Para explorar aspectos da gestão na implementação, este artigo foca os atores responsáveis pela gestão dos burocratas de nível de rua e das organizações de nível de rua, os “gestores de nível de rua”. A análise é baseada em entrevistas com gestores de nível de rua israelenses dos setores de educação, assistência social e segurança e na análise da literatura brasileira sobre diretores escolares e gestores de centros de saúde. Os achados incluem uma discussão sobre suas dinâmicas particulares e como quatro de suas funções de gestão são exercidas na relação com subordinados e com a clientela da política. As funções são de tradução, sincronização, mobilização e resolução de lacunas. Os achados contribuem para compreender quais são as especificidades e desafios dos gestores de nível de rua. Leia o artigo de Anat Gofen e outros em https://periodicos.fgv.br/cgpc/article/view/92803

No atual momento em que ocorre a passagem da Era industrial para a Era digital, o IBGE tem buscado reorganizar as suas ações frente ao avanço da desinformação estatística e ao esvaziamento da soberania nacional dos dados. Três novos eixos da revolução informacional em curso têm questionado o padrão convencional do Sistema Estatístico Oficial do país. De um lado, observa-se a novidade representada pelas operações em larga escala de dados provenientes de múltiplas fontes. Quando conduzidas por grandes empresas privadas estrangeiras, em geral de caráter oligopolista, as chamadas big techs tendem a esvaziar o papel central do Sistema Estatístico Oficial, rompendo com o tradicional monopólio público sobre a coleta, análise e interpretação de dados. Com isso, parte da soberania nacional sobre a informação estatística é gradualmente transferida ao setor privado. De outro lado, destaca-se também o quanto a inovação trazida pela Inteligência Artificial depende da aprendizagem de máquina (machine learning) que viabiliza o desenvolvimento de algoritmos capazes de aprender automaticamente a partir de grandes volumes de dados. A captura de dados diversos operada por grandes escalas de dados pelas big tech estrangeiras e treinadas de máquinas absorve informações de nacionais privilegiadas para alimentar um modelo de negócio com lucros extraordinários extraídos sem pagamento de impostos, geração de empregos no país e transferência tecnológica. Por fim – mas não menos importante –, emerge a Ciência de dados como um campo interdisciplinar que combina métodos científicos, processos computacionais, algoritmos e sistemas voltados à extração de conhecimento e à interpretação de dados estruturados e não estruturados. Tendo por referência uma trajetória histórica de acontecimentos, correlações e associações de dados, padrões de comportamento e, até mesmo, formas de agrupamento de informações possibilita ampliar o conhecimento a respeito da realidade.

Leia o artigo de Marcio Pochmann em https://aterraeredonda.com.br/politicas-publicas-na-era-digital/

Estudos sobre coalizões estão focados exclusivamente no aspecto partidário das alianças políticas do presidente. O artigo analisa a presença proporcional dos estados nos gabinetes ministeriais formados nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff. A partir do local de origem política de 265 ministros, desenvolvemos um índice para mensurar a taxa de coalescência federativa dos gabinetes. Esse índice estima a proporcionalidade da representação estadual das equipes ministeriais ano a ano nesses governos. Mais do que a sobrerrepresentação de alguns estados em relação ao peso efetivo de suas bancadas no Congresso Nacional, nossos resultados permitem comparar os valores da coalescência federativa com a coalescência partidária ao longo do tempo. O índice mostra que o presidente da República procura privilegiar certas facções estaduais dentro dos partidos da base aliada, expressando assim uma nova dimensão do presidencialismo de coalizão.

Leia o artigo de Paulo Franz e outros em https://www.scielo.br/j/dados/a/srw7gH5KVLR5CXNYkK8zZ8s/?format=pdf&lang=pt

Este artigo analisa as implicações da crescente centralidade das Emendas Parlamentares (EP) no orçamento público brasileiro, com ênfase em suas repercussões sobre o sistema político, o pacto federativo e as políticas de saúde. Por meio de levantamento bibliográfico e análise documental, o texto apresenta a trajetória das EP, desde sua função original de fortalecimento do Legislativo até sua consolidação como instrumento de barganha e redistribuição de poder. Argumenta-se que a ascensão das EP provocou um deslocamento institucional do Executivo para o Legislativo, aprofundando distorções na governança orçamentária, na relação entre os Poderes e nas dinâmicas intergovernamentais. A judicialização dos conflitos, a fragmentação do planejamento e o enfraquecimento do papel coordenador do Executivo emergem como consequências desse processo. No campo da saúde, a obrigatoriedade de execução das EP e sua lógica distributiva, desconectada de critérios técnicos, têm comprometido o financiamento equitativo e a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde. O artigo conclui que o modelo atual de alocação orçamentária, baseado em emendas impositivas e de execução opaca, enfraquece a capacidade estatal de indução de políticas públicas, já debilitada pelas medidas de ajuste fiscal, aprofunda desigualdades regionais, fomenta o clientelismo e ameaça os princípios democráticos da política orçamentária.

Leia o artigo de Sonia Fleury e outros em https://www.scielo.br/j/sdeb/a/vFj6H79gd6Dbbcj5QNQ98Ws/?format=pdf&lang=pt

A Estratégia Nacional de Governo Digital inovou em seu formato de construção, ao propor a realização de oficinas e escutas de entes federativos e da sociedade civil. Dessa forma, o Governo Federal acenou para um novo modelo de cooperação no pacto federativo. O artigo narra e analisa esse processo, concluindo que o formato escolhido aponta para a construção cooperativa de políticas nacionais, mas que precisa se apoiar em um sistema de governança colaborativo e de escuta permanente para que mantenha seu caráter democrático. Ainda, é preciso considerar a ausência do cidadão comum, afetado pela política nacional, no processo de construção.

Leia o artigo de Tamara Ilinsky Crantschaninov e Clara Souza Guimarães Marques em https://www.scielo.br/j/cgpc/a/zdN6nwGWwTdKCnJLhfwk6wg/?format=pdf&lang=pt

Ferramentas que tornam mais simples a extração e o tratamento de dados públicos contribuem de maneira decisiva para a produção de pesquisa de qualidade e para o desenvolvimento de políticas baseadas em evidências. Nesse contexto, apresentamos o pacote R BrazilCrime, desenvolvido por Vargette, Laltuf e Justus (2024). Trata-se de uma ferramenta simples que disponibiliza, de forma mais rápida e organizada, dados públicos do SINESP, uma plataforma de informações integradas desenvolvida e mantida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Leia o artigo de Bernardo Geraldini e outros em https://www.economia.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD491.pdf