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Nota-se o recente protagonismo de mulheres negras na televisão, em ambientes acadêmicos e em movimentos políticos, artísticos e culturais das periferias. Apesar dos enormes obstáculos, elas avançam. As cotas ampliaram bastante o acesso dos negros e indígenas ao ensino superior, gradativamente propiciando o surgimento de lideranças intelectuais e profissionais em populações historicamente marginalizadas. Este estudo inicialmente foca a ascensão social das mulheres negras nos marcos do vigoroso progresso social que, grosso modo, vigorou de 2004 a 2014. Em seguida, analisa os impactos da crise recente, destacando a retração a partir de 2015 e o desastre de 2020. Na sociedade brasileira, onde predomina o individualismo exacerbado, a mobilidade social está associada ao padrão de consumo. Apesar da profunda desigualdade, do descaso social do Estado e das generalizadas carências da maioria da população, a aquisição de bens e serviços indica melhoria nas condições de vida. Se a ampliação do consumo é significativa e persistente, as pessoas pobres podem ser convencidas de que subiram de classe social (ascenderam à classe média), ainda que em grande parte permaneçam nas mesmas condições estruturais. Nos últimos anos, a temática racial e as questões de gênero têm merecido crescente espaço nos meios de comunicação. Entretanto, ficam ocultas as verdadeiras causas da enorme desigualdade social no Brasil.

Leia o artigo de Waldir Quadros em https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/rbest/article/view/17381/12228

A partir de uma análise comparada e da mobilização da literatura de Ciência Política, Economia e Economia Política do Desenvolvimento, este artigo analisa as relações entre o Estado brasileiro, a burocracia econômica, o empresariado industrial e o capitalismo financeiro em duas estratégias de desenvolvimento similares, contudo, processadas em regimes políticos antípodas: o Nacional-Desenvolvimentismo Autoritário (1974-1979) e o Novo Desenvolvimentismo Democrático (2011-2016). Os resultados da pesquisa mostram que, no primeiro caso, o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) constituiu uma ação deliberada do Estado para transformar estruturalmente o capitalismo industrial e aprofundar a industrialização substitutiva de importações (ISI) a partir de um modelo de desenvolvimento pautado na mudança estrutural com endividamento. Tal paradigma refuta a ideologia do livre-mercado, mas enfrenta os poderosos interesses da grande imprensa e do capitalismo financeiro materializados na “campanha contra a estatização da economia”. No segundo caso, que assinala a primazia do capital financeiro rentista e improdutivo – fruto das profundas transformações da economia internacional na década de 1970 -, o governo Dilma Rousseff tentou inverter a tradicional “equação distributiva” no Brasil, fundamentada na “privatização dos ganhos” e na “socialização dos prejuízos”, que remetem aos governos de Getúlio Vargas e João Goulart. Ademais, buscou reforçar o modelo de desenvolvimento produtivo/industrializante, todavia, sucumbiu diante do poder do capital financeiro articulado politicamente a uma poderosa coalizão liberal-conservadora signatária de uma agenda socialmente regressiva e de destruição dos fundamentos da Constituição Federal de 1988. Ambos os experimentos evidenciam os obstáculos estruturais impostos pelo sistema financeiro a uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo direcionada ao setor produtivo. Leia o artigo de Carlos Eduardo Santos Pinho em https://www.scielo.br/j/rec/a/PjMxX8CQyrCkZfNQc5Lmvpm/?format=pdf&lang=pt

As agências financeiras de fomento (AFFs) configuram mecanismos de realização de políticas públicas de investimento e desenvolvimento, cujo objetivo maior é a propagação do bem-estar social, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico dos estados, a fim de garantir sua sustentabilidade e reduzir as desigualdades regionais e sociais. Diante desse contexto, o objetivo do presente estudo é analisar o nível de eficiência e rentabilidade das AFFs brasileiras. O exame se caracteriza como pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa. Empregou-se a análise de índices-padrão para analisar a eficiência e a rentabilidade dessas agências, bem como testes de medianas para verificar se o tamanho da agência influencia nesses indicadores de desempenho. A amostra foi composta por 14 AFFs, no período de 2012 a 2018. Os resultados apontaram que as AFFs de maior porte tendem a obter nível excelente de eficiência, enquanto agências com menor infraestrutura se encontraram classificadas nos níveis regular e insatisfatório. Por outro lado, as AFFs com maior ativo total têm maior probabilidade de obter nível regular ou insatisfatório em sua rentabilidade. Além disso, os índices de eficiência (IE) e o retorno médio das operações de crédito (RET) foram apontados como indicadores propícios à análise de desempenho das AFFs.

Leia o artigo de Juliana Ribeiro Souza e outros em https://www.scielo.br/j/rap/a/6jxpJsqNWrGD6wwtBVMQHfd/?format=pdf&lang=pt

Durante as últimas décadas, os modelos comerciais urbanos optaram por grandes superfícies comerciais e shoppings. A recessão econômica global sofrida desde a segunda década do século XXI colocou esses critérios em crise. A cultura urbana não veio para eliminar os modelos comerciais tradicionais e a cultura do espaço público. Atualmente, o interesse pelo potencial comercial do espaço público urbano tem reaparecido através de várias formas de ação, mas algumas são como uma extrapolação da estratégia seguida pelos centros comerciais, exportada para o espaço público. Esta pesquisa reflete sobre essas práticas, investigando sua resposta social e seu impacto urbano. Como principal conclusão do estudo, a relação recuperada entre o espaço público e a atividade comercial pode ser positiva, quando subordinada ao primeiro e não ao contrário.

Leia o artigo de Sergio García-Doménech em https://www.scielo.br/j/urbe/a/bQCdWj4qqVDJvFNp8TkZk5j/?format=pdf&lang=es

Esse ensaio é uma revisão narrativa que pretende apresentar a categoria território como alternativa de lente teórico-metodológica para compreensão da sociedade e de onde ela habita. Para tanto, situa o território entre as categorias do espaço geográfico, retoma a origem, evolução e diferentes significados, trata das suas territorialidades e ainda reflete sobre a necessidade de conectá-lo à realidade de regionalização da saúde no Brasil atual. A possibilidade de apropriação conceitual desta categoria geográfica no campo interdisciplinar em saúde, em especial nas áreas de gestão pública, regulação de assistência hospitalar e em emergências, para municípios de pequeno e médio porte, levanta críticas e propõe uma agenda de pesquisa promissora para avaliação de resultados de iniciativas consorciadas de atenção à saúde no interior do estado do Rio Grande do Sul (RS).

Leia o artigo de Solange Murta Barros e Anelise Graciele Rambo em https://publicacoeseventos.unijui.edu.br/index.php/slaedr/article/view/22934/21639

O artigo fornece uma análise abrangente dos primeiros dez anos do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) no Brasil, instituído pela Lei Federal nº 13.019/2014. O MROSC introduziu inovações nas parcerias entre as OSCs e o poder público. Este trabalho realizou uma revisão de escopo sobre a implementação do MROSC por entes subnacionais a partir de uma amostra de 86 publicações, utilizando diferentes bases de dados. O objetivo deste estudo é avaliar a produção acadêmica sobre implementação do MROSC pelos entes subnacionais, oferecendo insights que podem orientar os administradores públicos e os gestores das OSCs no aprimoramento desse processo e enriquecer as discussões empíricas e teóricas em torno das parcerias.

Leia o artigo de Patrícia Maria E. Mendonça e outros em https://revista.enap.gov.br/index.php/RSP/article/view/11131/7066

Os objetivos do artigo são distinguir e aproximar duas abordagens de(s)coloniais recentes, que têm contribuído para discussões e práticas de gestão e organizações, nomeadamente as abordagens Decoloniais Latino-Americanas e as Epistemologias do Sul, e analisar artigos científicos sobre gestão e organizações que têm utilizado essas abordagens nos últimos dez anos, com o intuito de destacar como as aproximações entre elas tem contribuído para o campo da gestão e organizações, utilizando uma revisão sistemática da literatura (RSL). Cinco temas se destacaram nos artigos analisados: gestão ambiental, ensino de gestão, gestão em organizações não empresariais, pesquisa relativa à gestão e às organizações, e gestão internacional. Para cada tema, foram destacados conteúdos referentes aos conceitos de transmodernidade pluriversal, ecologia dos saberes e sociologia das ausências e das emergências. A partir dessa análise, foi possível observar contribuições importantes, como a busca por compreensões sobre naturezas alternativas às ocidentais, questionamento de pressupostos modernos, como a noção de sustentabilidade, possibilidades de diálogo entre variados conhecimentos, ênfase em diferentes modelos organizacionais e de gestão, construção de vínculos de solidariedade entre países, e promoção de ensino e pesquisa conectados às histórias e aos conhecimentos locais.

Leia o artigo de Elisabeth Cavalcante dos Santos em https://www.scielo.br/j/read/a/9Kw7grcNHcD6PnY3f7tPPTH/?format=pdf&lang=pt

Permeados por uma conjuntura que contempla relações humanas, sistemas de inteligência artificial e plataformas sociodigitais, os diversos modos de produção, compartilhamento e acesso às informações na contemporaneidade são marcados por uma ambiência de poder e política que, enquanto recurso estratégico, sustenta contextos socioculturais e modos de governança mediados pela desinformação. Diante disso, foi concebida essa pesquisa teórica e descritiva, com o objetivo de apresentar os principais elementos que, a partir da interface teórica que conecta conceitos de desinformação e regime de informação, compõem o que seria um regime de desinformação. Do ponto de vista epistemológico esse estudo oferece um novo olhar para este conceito apresentado com evidência, sobretudo, na Ciência da Informação: o regime de informação, na tentativa de adequá-lo a um ambiente social no qual a desinformação opera na transformação de estruturas e de noções estabelecidas ao longo do tempo.

Leia o artigo de Juliana Ferreira Marques e Edvaldo Carvalho Alves em https://www.scielo.br/j/pci/a/DTNCGf6sWJtTQdXc4sbgxmM/?format=pdf&lang=pt

Existem 553 bancos de desenvolvimento no mundo: 18% dessas instituições surgiram desde a crise financeira de 2008. Existe uma vasta literatura teórica sobre tais instituições, mas as evidências sobre sua eficácia são dispersas. Este artigo fornece uma revisão sistemática dos estudos de efeito causal de um dos maiores e mais representativos bancos de desenvolvimento do mundo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Analisamos 48 trabalhos acadêmicos que estimam o impacto dos empréstimos e programas de crédito do BNDES em várias dimensões de políticas. Em geral, as evidências indicam que os bancos de desenvolvimento podem ser um instrumento eficaz para aumentar o investimento, as exportações, o emprego e o PIB, principalmente quando os tomadores de empréstimo são micro, pequenas e médias empresas. A experiência brasileira também sugere que os bancos de desenvolvimento podem ser uma importante ferramenta de combate às mudanças climáticas, reduzindo o desmatamento. Por outro lado, evidências indicam que a maior dificuldade dessas instituições é gerar impactos positivos na produtividade, variável essencial para o crescimento econômico. Finalmente, as evidências são inconclusivas sobre a influência política nos empréstimos do banco de desenvolvimento.

Leia o artigo de Ricardo Barboza e outros em https://www.scielo.br/j/rep/a/hxMy6FsPF4SncsJ5tTXHpVr/?format=pdf&lang=en

Este estudo teve como objetivo analisar os determinantes do investimento privado no Brasil entre 1971 e 2019 a partir das peculiaridades das economias emergentes. Essas economias apresentam características distintas daquelas observadas nos países desenvolvidos e que constituem os axiomas que sustentam os estudos empíricos realizados usualmente sobre o tema. A incerteza do ambiente político-econômico, a baixa disponibilidade de crédito, a escassez de divisas, as políticas cambiais e a precariedade da infraestrutura são fatores que influenciam as decisões de investimento do setor privado nas economias emergentes. Portanto, devem fazer parte do estudo empírico. Os resultados da análise econométrica — a partir da metodologia dos Vetores Autorregressivos (VAR) e do Modelo de Correção de Erros (VECM) — indicam que, tanto no curto como no longo prazo, o investimento público complementou o investimento do setor privado (efeito crowding-in). Esse resultado indica que os investimentos do setor público foram canalizados para infraestrutura ou em áreas em que o setor privado não tinha interesse ou capacidade para atuar. Esse efeito é confirmado pelo resultado positivo que os investimentos em infraestrutura exercem sobre o setor privado no Brasil.

Leia o artigo de Carlos Gilbert Conte Filho e Marcelo Savino Portugal em https://www.scielo.br/j/rec/a/w47TH4dhyyj3gxYgJtbCCkR/?format=pdf&lang=en