educação

Investigamos os efeitos do controle territorial por facções de tráfico e milícias sobre o aprendizado. Há evidências de que crimes e violência prejudicam oportunidades e resultados educacionais, mas os impactos do crime organizado são ainda pouco compreendidos. Analisamos o desempenho de alunos do Ensino Fundamental na Metrópole do Rio de Janeiro, lançando mão de um Mapa Histórico dos Grupos Armados. Nossos resultados indicam que os grupos armados têm forte efeito negativo – e perdas maiores em áreas de milícia. Os impactos são maiores em estratos socioeconômicos mais altos e há indicações de que poderia haver cumulatividade ao longo do ciclo de vida. Mostramos que o crime organizado compromete o desenvolvimento socioeconômico e perpetua ciclos de desigualdade.

Leia o artigo de Rogério Jerônimo Barbosa e outros em https://www.scielo.br/j/ea/a/SQw9DdXLFFmq6sZ4WgVrcRB/?format=pdf&lang=pt

Com base nos debates atuais sobre o possível desempenho da Inteligência Artificial (IA), que foram desencadeados pela publicação do ChatGPT, entre outras coisas, bem como os temores do desenvolvimento de uma superinteligência que excederia em muito a inteligência humana, o artigo trabalha, em uma primeira etapa, em particular com Max Horkheimer e Ulrich Sonnemann. Procura mostrar até que ponto a formalização e operacionalização da razão humana já era evidente antes dos desenvolvimentos da inteligência artificial e foi submetida à crítica sob o título de uma razão instrumental. Na segunda parte, com G. W. F. Hegel, Joseph Weizenbaum e Thomas Fuchs, o artigo mostra as diferenças centrais entre a inteligência humana e a artificial. Na terceira parte identifica o perigo central à capacidade humana de se adaptar aos processos da máquina e de se render aos desenvolvimentos como se fossem processos necessários e quase automáticos. Ao mesmo tempo, porém, a capacidade de adaptação também oferece a possibilidade inversa de as pessoas tomarem esses processos de volta em suas próprias mãos e usarem a IA como uma oportunidade de se libertarem de atividades desumanizadas e mecânicas. Este último aspecto é tratado na conclusão do artigo.

Leia o artigo de Dirk Stederoth em https://www.scielo.br/j/es/a/9JVcSgLbStGY8xYyymh9T7B/?format=pdf&lang=pt

O artigo objetivou analisar a encruzilhada que se encontra a educação contemporânea: entre o caminho do ensino por competências e habilidades, focado na alta performance, e a perspectiva de uma formação humana ampliada. Mediante uma cuidadosa pesquisa bibliográfica, apresenta uma crítica ao ideal do homem-empresa e à sua assimilação inadvertida nos sistemas escolares, seguida da proposição de um caminho formativo pelas sendas do clássico páthei máthos (aprendizagem pelo padecer) e a consequente experiência de educação ampliada. A hipótese foi a de que o espanto faz estranhar a habitualidade performática e abre horizonte para o acontecer de uma autêntica experiência educacional.

Leia o artigo de Rodinei Balbinot e outros em https://www.scielo.br/j/es/a/xLt8YCWLNrchNCQPXsSmG3S/?format=pdf&lang=pt

Estratégias comerciais e operacionais das grandes companhias de saneamento

Para o Estado do Chile, a formação cidadã é um desafio para fortalecer a democracia. Para isso, foram organizadas escolas para implementar um Plano de Formação Cidadã. No entanto, essa tarefa é complexa porque envolve transformar representações e desenvolver ações em um campo curricular onde prevalecem as prescrições oficiais. Este artigo discute as iniciativas desenvolvidas pelo Estado do Chile e discute seu escopo teórico-prático como base para abordar as conquistas e dificuldades de um projeto de acompanhamento desenvolvido por uma equipe da Universidad Austral Chile planos de apoio em 61 escolas. O pano de fundo refere-se a um arcabouço jurídico altamente prescritivo e a ações iniciais de formação de cidadãos caracterizadas por sua fragmentação, condições a partir das quais as principais estratégias de apoio são projetadas e implementadas sob os princípios da participação, do diálogo e da reflexão coletiva.

Leia o artigo de Alberto Galaz Ruiz e Marcelo Arancibia Herrera em https://www.scielo.br/j/rbedu/a/QjbtNbr3QrxGcHPJtcCygsr/?format=pdf&lang=es

No Brasil, a chegada, os registros, as solicitações de refúgio e as matrículas escolares por parte de crianças e adolescentes migrantes e refugiados vêm aumentando desde meados da última década. Procurando contribuir para o debate sobre migração e educação, este artigo teve como objetivo analisar as práticas pedagógicas de inclusão voltadas para a educação de crianças e adolescentes migrantes e refugiados que chegaram ao país desde 2010. O estudo concluiu que há diversos obstáculos para a inclusão dessas crianças e adolescentes e que o corpo escolar vem desenvolvendo, de forma autônoma, práticas pedagógicas para superação das dificuldades e realização do processo de inclusão escolar.

Leia o artigo de Tânia Tonhati e outros em https://www.scielo.br/j/es/a/FGRxtH4fRbnfqXrrHsTVcfr/?format=pdf&lang=pt

Neste estudo, examinam-se indicadores educacionais com informações presentes em países selecionados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Brasil com o objetivo de detectar desafios para o futuro educacional brasileiro. Considerou-se como premissa que um conjunto de países da OCDE selecionados já possui um elevado nível educacional e que podem indicar caminhos a serem seguidos para o futuro educacional brasileiro. Os resultados mostram que há uma grande diferença entre os indicadores nos países selecionados da OCDE e no Brasil, e o exame do documento final da Conferência Nacional de Educação de 2024 mostra que as propostas e estratégias elencadas procuram diminuí-la, tendo como proposição básica a elevação dos recursos financeiros aplicados em educação a valores equivalentes a 10% do produto interno bruto. Leia o artigo de Nelson Cardoso Amaral em https://www.scielo.br/j/es/a/VCBQBzSKmGtLH85pQkFMqgH/?format=pdf&lang=pt

Este artigo teve como objetivo analisar como os discursos oriundos da extrema-direita sobre educação são compreendidos pelos eleitores conservadores. Por meio de minigrupos focais com professores, mães e pais de estudantes da rede pública classificados como conservadores moderados, buscou-se compreender: até que ponto esses discursos são conhecidos, e qual é o grau de aderência a esses temas de um eleitor médio. Os tópicos abordados incluíram: homeschooling, militarização das escolas, entre outros. Concluiu-se que há pouca familiaridade e baixo conhecimento sobre os temas abordados, com algumas exceções. Apesar de a linguagem e de o pensamento conservador permearem os discursos de forma geral, é possível identificar nuanças e contradições nas crenças e opiniões desse público.

Leia o artigo de Breno Barlach e Isadora Castanhedi em https://www.scielo.br/j/es/a/7Ns483LKqz9knZ7CT3zr6MB/?format=pdf&lang=pt

Este trabalho realiza um estudo sobre o caso da tramitação legislativa e aprovação do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação em 2020, com objetivo de analisar a atuação da Campanha Nacional pelo Direito à Educação como um exemplo paradigmático de participação da sociedade civil na elaboração de políticas públicas educacionais. Para tanto, recorre-se à investigação dos documentos produzidos pela rede, sob a luz de teorias sobre políticas públicas e movimentos sociais. Conclui-se que a inserção na arena decisória dos segmentos da população mais afetados pelas políticas públicas em discussão é um caminho necessário para a ampliação dos direitos sociais e para que avancemos no caráter substancial da democracia brasileira.

Leia o artigo de Luiz Antonio Guerra em https://www.scielo.br/j/es/a/6YG5ykxVFpJWfLRgQBvKLND/?format=pdf&lang=pt

Este artigo investiga o financiamento da política de educação no período entre 2016 e 2022, no contexto do ajuste fiscal brasileiro, após a Emenda Constitucional nº 95. Analisa as mudanças ocorridas, em 2023, no orçamento da União durante o governo Lula, que foi marcado por um novo arcabouço fiscal (NAF). Os procedimentos metodológicos buscam a compreensão do financiamento da educação e das renúncias tributárias, com base nos dados orçamentários coletados no Sistema SIGA e nos relatórios da Receita Federal. O orçamento da educação, em contexto de ajuste fiscal, passou do subfinanciamento de recursos para o (des)financiamento. O orçamento ainda não foi recomposto, e o NAF pode colocar em risco o financiamento da educação, inviabilizando o alcance de 10% do produto interno bruto previsto no Plano Nacional de Educação.

Leia o artigo de Evilasio Salvador em https://www.scielo.br/j/es/a/7HPK8T3TQT6XSPGxhyFy44B/?format=pdf&lang=pt

Resultado de pesquisa bibliográfica na matriz teórica de Amartya Sen, este ensaio teve como objetivo localizar a democracia e a alteridade como respostas políticas e éticas à metafísica da economia. Em perspectiva filosófica, teorizou-se sobre a democracia como espaço privilegiado de promoção das liberdades instrumentais e da liberdade substantiva e também acerca da perspectiva de alteridade que se abre na obra seniana conforme a fundamentação plural e a não maximização do autointeresse. A educação é defendida muito mais do que uma oportunidade social, sendo ato de formar o comportamento de infinito no horizonte histórico finito. Igualmente, defendeu-se a guinada que a educação precisa fazer em direção à esfera existencial, enquanto formação para a corresponsabilidade por pertencermos a um mundo comum.

Leia o artigo de Mauricio João Farinon em https://www.scielo.br/j/es/a/jyQLYXpZhSznfw8Hg9Kb97D/?format=pdf&lang=pt