A recente reformulação do sistema de avaliação da pós-graduação brasileira, anunciada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior para o ciclo 2025-2028, inaugura uma mudança paradigmática na classificação da produção científica nacional. Pela primeira vez, o foco da avaliação desloca-se dos periódicos para os artigos individualmente considerados, articulando indicadores bibliométricos, métricas de impacto e apreciação qualitativa por pares. O novo modelo procura superar limitações históricas do antigo sistema Qualis Periódicos, frequentemente criticado pela excessiva centralidade atribuída ao prestígio editorial e pelas distorções produzidas pela mercantilização do campo científico. À primeira vista, a proposta parece responder a reivindicações antigas da comunidade acadêmica: reduzir a dependência da “marca” do periódico e examinar a contribuição efetiva de cada artigo para o avanço do conhecimento. Entretanto, um exame mais atento das diretrizes revela ambiguidades, lacunas metodológicas e riscos substantivos para áreas como educação, humanidades e ciências sociais. O que se anuncia como modernização pode, paradoxalmente, aprofundar desigualdades estruturais e acelerar tendências já preocupantes no cenário científico internacional. Leia o artigo de Carlos Bauer em https://aterraeredonda.com.br/as-novas-diretrizes-da-capes/