Pobreza

O objetivo desta nota é documentar, decompor e analisar as mudanças na distribuição de renda no Brasil entre 1995 e 2024, com ênfase no período mais recente, a partir das informações de pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, e PNAD Contínua). Os resultados mostram que, no longo prazo, os indicadores de renda, desigualdade e pobreza apresentaram avanços expressivos, embora o progresso tenha se concentrado em apenas dois períodos: os anos entre 2003 e 2014, e a retomada pós-pandemia, entre 2021 e 2024. Ainda assim, o Brasil registrou, em 2024, os melhores números da série histórica das pesquisas domiciliares. Por meio de decomposições, mostramos que os ganhos distributivos dos últimos anos foram impulsionados, em igual medida, pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela expansão das transferências assistenciais, que se tornaram mais efetivas no combate à pobreza e à desigualdade.

Leia o artigo de Pedro H. G. Ferreira de Souza e Marcos D. Hecksher em https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/eff9fa41-c55a-43e4-a8a1-5e05564af232/content

Embora muitas vezes negligenciadas na pesquisa de políticas públicas, as narrativas desempenham um papel relevante no debate público e nas diretrizes definidas para combater os problemas públicos. Esta pesquisa identifica as narrativas adotadas por ferramentas de inteligência artificial generativa para descrever a pobreza e as suas causas no Brasil. O estudo utiliza o Narrative Policy Framework (NPF) para mapear os principais elementos dessas narrativas, com o objetivo de comparar o conteúdo gerado em relação à diversidade narrativa. Também visa verificar a relação entre essas explanações e os vieses ideológicos subjacentes a elas. A metodologia é qualitativa e utilizou o ChatGPT-4, o Gemini Advanced e o Copilot PRO para a coleta de dados, que foram averiguados por meio de análise de conteúdo. Os resultados apontam para a consolidação de quatro tipos de narrativa: estruturalista, liberal, assistencialista e desenvolvimentista. As narrativas estruturalistas foram as mais recorrentes, seguidas pelas liberais, assistencialistas e desenvolvimentistas. Ao observar os vieses ideológicos subjacentes, notou-se uma tendência para a centro-esquerda nos chatbots de inteligência artificial generativa.

Leia o artigo de Gabriel Nones Arndt e Leonardo Secchi em https://www.scielo.br/j/rap/a/bYCbWyYRwd8MGT6JBzfrfdj/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

Na década passada, o Programa Bolsa Família conseguiu atenuar os efeitos sociais negativos do baixo desempenho econômico brasileiro e, mais recentemente, daqueles provocados pela crise sanitária da Covid-19. Observou-se a redução da pobreza no país, porém, em intensidade limitada. Este artigo analisa, após um longo período de vigência do programa, a evolução do perfil das populações beneficiadas direta e indiretamente pelo Bolsa Família. Procuramos evidenciar a existência de uma relativa dependência potencial dessas populações em relação à política pública, questionando a respeito da real possibilidade de a situação de pobreza se tornar, ou não, uma condição residual para a sociedade brasileira.

Leia o artigo de Cassiano José Bezerra Marques Trovão e Claudio Salvadori Dedecca em https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/rbest/article/view/20862/15036

A pobreza também alcança a população ocupada no Brasil e é mais frequente entre trabalhadores sem carteira assinada e os que atuam por conta própria. Em 2024, 20,4% dos ocupados sem registro formal e 16% dos autônomos viviam abaixo da linha de pobreza, com percentuais muito acima dos observados entre empregados com carteira assinada — entre esses últimos, apenas 6,7% estavam nessa condição. Os números são da Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025, divulgada pelo IBGE. Segundo o estudo, os dados mostram que a pobreza ainda atinge uma parte das pessoas que estão trabalhando, devido aos salários mais baixos em certos tipos de emprego. Ao mesmo tempo, o levantamento indica que ter alguma renda vinda do trabalho ajuda a diminuir os níveis de pobreza e extrema pobreza entre quem está empregado, especialmente quando comparado a quem está desempregado ou fora da força de trabalho.

Leia o artigo de Mayra Castro em https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/12/03/na-populacao-ocupada-pobreza-e-maior-entre-trabalhadores-sem-carteira-e-por-conta-propria.ghtml

Este artigo tem como objetivo investigar o impacto do processo de desindustrialização da economia brasileira sobre os determinantes da probabilidade de pobreza dos chefes de família, entre 2012 e 2023, estimados pelo modelo de regressão logística (logit). A principal contribuição deste trabalho encontra-se na análise conjunta das abordagens estruturalista, neoschumpeteriana e dos determinantes da pobreza, realizada por meio da investigação do impacto das mudanças na estrutura produtiva – mensurados por meio de seus reflexos na estrutura ocupacional, desagregada em 12 setores – na probabilidade de pobreza dos chefes de família brasileiros. Os principais resultados mostram o impacto heterogêneo dos diferentes setores sobre as chances de pobreza dos indivíduos e evidenciam que o processo de desindustrialização da economia brasileira implicou diminuição da contribuição dos segmentos industriais, especialmente da indústria de transformação (setor-chave para o crescimento), na redução das chances de pobreza. Ademais, destacou-se que a superação da pobreza envolve uma política multidimensional de Estado, que combata a discriminação de cor e gênero, amplie o nível de formalização do mercado de trabalho e reindustrialize a economia, aumentando a participação dos segmentos mais dinâmicos (mudança estrutural positiva), que contribuem para a redução das chances de pobreza ao proporcionar melhores oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Leia o artigo de Elohá Cabreira Brito e Ricardo Dathein em https://www.scielo.br/j/rec/a/WtxKbcGCFgqHfBpt6FCWqDp/?format=pdf&lang=pt

O artigo aborda Programas de Transferência Monetária no Brasil; o contexto socioeconômico e político; modalidades e orientação político-ideológica dos programas; o Auxílio Emergencial e a substituição do “Bolsa Família” pelo “Auxílio Brasil”. (mais…)

A pobreza e a extrema pobreza atingiram níveis recordes no Brasil em 2021. (mais…)

A interface entre as Mudanças Climáticas e a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) tem se destacado na agenda de desenvolvimento sustentável desde o início da década de 1990. (mais…)

A justiça social é um assunto muito importante. (mais…)

O presente artigo tem o objetivo de analisar quantitativamente a trajetória da pobreza no Brasil e na metrópole do Rio de Janeiro, considerando o período de 1976 a 2015, tendo em vista as mudanças estruturais ocorridas na economia e na sociedade brasileira e as particularidades do contexto metropolitano. (mais…)