inteligência artificial

A digitalização da administração pública tem se desenvolvido em um ritmo cada vez mais acelerado. Em particular, destaca-se o impacto da combinação da interoperabilidade entre sistemas e bancos de dados com a inteligência artificial generativa. Entre outras coisas, esse impacto permite que os governos forneçam serviços cada vez mais personalizados aos cidadãos. A administração pública está gradualmente passando de um longo período de satisfação reativa das necessidades e demandas dos cidadãos para um período em que a tecnologia permite a antecipação proativa da demanda dos usuários. Esta apresentação analisa o impacto dessa transição tecnológica na administração pública, as restrições à sua possível adoção em países tecnologicamente defasados e as salvaguardas que devem ser consideradas sob a perspectiva da segurança cibernética, da privacidade de dados individuais e dos potenciais riscos à vida democrática.

Leia o artigo de Oscar Oszlak em https://revista.clad.org/ryd/pt_BR/article/view/467/589

Embora muitas vezes negligenciadas na pesquisa de políticas públicas, as narrativas desempenham um papel relevante no debate público e nas diretrizes definidas para combater os problemas públicos. Esta pesquisa identifica as narrativas adotadas por ferramentas de inteligência artificial generativa para descrever a pobreza e as suas causas no Brasil. O estudo utiliza o Narrative Policy Framework (NPF) para mapear os principais elementos dessas narrativas, com o objetivo de comparar o conteúdo gerado em relação à diversidade narrativa. Também visa verificar a relação entre essas explanações e os vieses ideológicos subjacentes a elas. A metodologia é qualitativa e utilizou o ChatGPT-4, o Gemini Advanced e o Copilot PRO para a coleta de dados, que foram averiguados por meio de análise de conteúdo. Os resultados apontam para a consolidação de quatro tipos de narrativa: estruturalista, liberal, assistencialista e desenvolvimentista. As narrativas estruturalistas foram as mais recorrentes, seguidas pelas liberais, assistencialistas e desenvolvimentistas. Ao observar os vieses ideológicos subjacentes, notou-se uma tendência para a centro-esquerda nos chatbots de inteligência artificial generativa.

Leia o artigo de Gabriel Nones Arndt e Leonardo Secchi em https://www.scielo.br/j/rap/a/bYCbWyYRwd8MGT6JBzfrfdj/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

A integração da Inteligência Artificial (IA) em órgãos de defesa da concorrência para identificar práticas anticompetitivas acarreta riscos éticos inerentes, como o viés algorítmico e a dependência excessiva de fornecedores de tecnologia. Visando mitigar tais riscos, este artigo investiga como 35 autoridades reguladoras, classificadas pelo Global Competition Review (GCR) Enforcement Rating de 2023, abordam esses desafios. Por meio de uma análise documental realizada com o auxílio do ATLAS.ti25, comparam-se as organizações com base em cinco princípios éticos (Transparência, Responsabilidade/Accountability, Justiça e Equidade, Robustez e Segurança, e Privacidade), fundamentados em frameworks consolidados de ética da IA e bioética de proteção. Os resultados demonstram uma disparidade crítica na maturidade regulatória: observa-se maior rigor técnico em princípios de ética operacional (Robustez, Privacidade e Segurança) do que em princípios de ética social. Persistem deficiências substanciais em Transparência, Responsabilidade e Justiça/Equidade. Essa lacuna aponta para um déficit no princípio central da Explicabilidade (que engloba a inteligibilidade e a prestação de contas). A causa principal reside na ausência de procedimentos objetivos e na falta de divulgação sobre o uso da IA para a atividade-fim dessas organizações. O estudo conclui que o aprimoramento da liderança ética e o estabelecimento de mecanismos organizacionais de prestação de contas são fundamentais para garantir uma aplicação justa e transparente da IA na regulação econômica. Leia o artigo de  Mayla Cristina Costa Maroni Saraiva e Fátima de Souza Freire em https://www.scielo.br/j/rap/a/nY6wFWJRyVMk5d7JLCKkH9x/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

“A questão não é se armas de IA serão construídas, mas quem vai construí-las e com que finalidade”. Essa afirmação faz parte do que vem sendo chamado de “Manifesto Palantir”, um conjunto de 22 pontos, publicado no X/Twitter, no dia 18 de abril de 2026, pela empresa Palantir, com base no livro A república tecnológica. A Palantir, empresa de tecnologia fundada em 2003 por Peter Thiel, tem como CEO, Alex Karp, um dos autores do referido livro, e é hoje uma das empresas mais poderosas, obscuras e politicamente influentes – especialmente após a segunda eleição de Donald Trump – no mercado de inteligência artificial e análise de dados.

Leia o artigo de  Carolina Parreiras em https://www.scielo.br/j/aantropol/a/8fY58GkGzDLtRJmKYTrKYKx/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

A Inteligência Artificial (IA) está revolucionando a assistência médica com soluções para desafios complexos, aprimorando o diagnóstico, o tratamento e o cuidado. No entanto, sua integração levanta questões sobre aplicações, benefícios e desafios. Esta revisão teve como objetivo discutir o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para melhorar a gestão, o diagnóstico e o cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS). Os estudos examinaram as TIC sobre o uso potencial de ferramentas baseadas em IA no atendimento de pacientes na APS (11/34, 32,35%), e quanto aos desafios do uso da IA na APS (23/67,65%). A aplicação da IA na APS destaca a promessa de melhorias significativas, mas também a complexidade envolvida em sua implementação. A eficácia da IA nesse contexto está diretamente ligada a uma abordagem integrada que deve considerar a infraestrutura tecnológica existente, essencial para suportar as demandas de processamento de dados e a implementação de sistemas inteligentes.

Leia o artigo de Douglas Rodrigues Torres e outros em https://www.scielo.br/j/sdeb/a/PVB3n8hZ4WJpg9x3zVHTTxg/?format=pdf&lang=pt

Este artigo de reflexão conceitual explora a necessidade imperativa de criar ecossistemas digitais institucionais integrados e situados para a implementação eficaz e transformadora da inteligência artificial (IA) na Educação Superior. O artigo apresenta argumentos que demonstram as falhas de abordagens fragmentadas para a adoção da IA e defende um ecossistema digital integrador que harmonize as dimensões tecnológicas, pedagógicas, organizacionais e ético-legais. Enfatiza a importância de contextualizar esses ecossistemas em ambientes educacionais específicos. A análise revela que a transformação em direção a ecossistemas digitais integrados é um imperativo estratégico para a reinvenção das instituições educacionais. Esses ecossistemas são essenciais para aproveitar o potencial disruptivo das tecnologias de IA e alinhar-se aos novos paradigmas da Educação 4.0. O ensaio destaca o papel crítico da IA e dos ecossistemas digitais na superação das lacunas rumo às mudanças radicais necessárias na educação superior, oferecendo uma nova perspectiva sobre a integração estratégica dessas tecnologias nos contextos educacionais.

Leia o artigo de Milena Patricia Rojas e outros em https://www.scielo.br/j/ensaio/a/gcg6Rj8VMtpM35pjwLPRbGw/?format=pdf&lang=en&ilang=en

Analisar de forma crítica as potencialidades, os desafios e as implicações éticas da incorporação da Inteligência Artificial (IA) à saúde pública brasileira, à luz dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando também suas interfaces com a prática epidemiológica. Identificam-se múltiplas possibilidades de uso da IA para o fortalecimento do SUS, incluindo predição de eventos em saúde, apoio ao diagnóstico, regulação de serviços e formulação de políticas públicas. No entanto, destacam-se barreiras estruturais, como a fragmentação dos sistemas de informação, desigualdades regionais e lacunas na formação profissional. Questões como equidade e justiça algorítmica, explicabilidade, soberania tecnológica e letramento digital emergem como dimensões essenciais para a adoção responsável da IA. A IA não é neutra, e sua integração ao SUS deve ser guiada por princípios democráticos e sensibilidade às vulnerabilidades sociais, sob pena de reforçar modelos tecnocráticos e excludentes. A disputa pelo sentido da inovação é, portanto, também uma disputa pelo futuro da saúde pública no Brasil.

Leia o artigo de Marcela Quaresma Soares e Alexandre Dias Porto Chiavegatto Filho em https://www.scielo.br/j/rbepid/a/wd44hqsJjHM89cyFgHdhQdr/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

Há um crescente debate sobre a adoção de tecnologias de inteligência artificial (IA) em organizações públicas e os diferentes tipos de tecnologias e técnicas utilizados por elas e seus efeitos nas decisões das burocracias. Poucos estudos analisam, no entanto, as características associadas à adoção pelas organizações públicas desses diferentes tipos de tecnologias e técnicas relacionadas à IA. Além disso, no que se refere ao contexto brasileiro, há uma lacuna de estudos que discutem a adoção da IA no setor público. Nesse contexto, este artigo analisa a adoção de IA por organizações governamentais brasileiras e sua associação com características relacionadas às capacidades em tecnologia da informação (TI) presentes nessas organizações. A partir de uma análise dos microdados da Pesquisa TIC Governo Eletrônico 2021, esse estudo mostra que as organizações governamentais brasileiras têm adotado tecnologias e técnicas em IA, mas esse processo ainda é restrito a um grupo pequeno delas. Além disso, esse processo tem sido heterogêneo entre as entidades federais e estaduais no país, e isso pode estar associado às diferentes capacidades em TI presentes no setor público.

Leia o artigo de  Manuella Maia Ribeiro e Catarina Ianni Segatto em https://www.scielo.br/j/rap/a/Nc7fkHcBFsJPCqpxfZrdynh/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

O fenômeno GovTech envolve a colaboração entre governos, empresas e outros atores por meio de tecnologias digitais para solucionar problemas públicos complexos, com o objetivo de melhorar a eficácia, a eficiência, a transparência e a acessibilidade dos serviços públicos, além de promover participação cidadã e gerar valor público. Apesar disso, GovTech carece de definições acadêmicas consolidadas e é considerado uma lacuna de pesquisa. Este artigo explorou a literatura cinzenta, como relatórios e publicações digitais, por meio de análise documental com apoio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) — SciSpace, ChatGPT e Gemini — para responder: quais são as barreiras, os facilitadores e as tendências relacionados a GovTech, identificados com apoio da IA? A validação dos dados ocorreu por triangulação entre quatro pesquisadores, aumentando a confiabilidade dos resultados. Foram identificadas quatro dimensões principais: definições de GovTech, tendências, facilitadores, barreiras e desafios. A pesquisa elaborou um framework que consolida as informações e evidencia as dimensões-chave do fenômeno, demonstrando possíveis inter-relações. Os resultados oferecem uma visão ampliada e podem ser aplicados em diversos contextos, além de apresentar nova agenda de pesquisa. As tendências apontam para a crescente digitalização dos serviços públicos, para o uso de dados na tomada de decisões e para a integração de tecnologias emergentes e sustentáveis.

Leia o artigo de Dayse Karenine de Oliveira Carneiro e outros em https://revista.clad.org/ryd/pt_BR/article/view/413/582

Em meio às transformações provocadas pela inteligência artificial, pela automação e pela expansão do poder tecnológico, o Papa Leão XIV publicou a Carta Encíclica Magnifica Humanitas, divulgada em 25 de maio de 2026 e assinada em 15 de maio do mesmo ano, um dos documentos mais importantes do início de seu pontificado. Desde as primeiras páginas, o Papa deixa claro que sua preocupação central está ligada à forma como o homem passa a compreender a si mesmo em meio a uma cultura marcada pela eficiência, pelo desempenho e pelo controle. O documento acompanha os desafios trazidos pela inteligência artificial, pela automação e pelas novas formas de concentração de poder tecnológico, sempre à luz da dignidade da pessoa humana.

Leia o artigo em https://bibliotecacatolica.com.br/blog/igreja/magnifica-humanitas-papa-leao-xiv/. A Encíclica na íntegra em https://www.vatican.va/content/dam/leo-xiv/pdf/encyclicals/Carta%20Enc%C3%ADclica%20do%20Santo%20Padre%20Le%C3%A3o%20XIV%20Magnifica%20Humanitas%20(15%20de%20maio%20de%202026).pdf