Infraestrutura

A inteligência artificial (IA) tem se expandido significativamente nos últimos anos, permeando diversos setores da economia e da vida cotidiana. Entretanto, essa rápida adoção exige uma análise das contrapartidas associadas ao seu funcionamento, muitas vezes desconhecidas pelo público. Com base em uma análise de dados extraídos de artigos acadêmicos, relatórios técnicos, repositórios de dados e documentos governamentais, este artigo explora as dimensões físicas, energéticas e geopolíticas subjacentes à IA. Apesar de frequentemente vista como imaterial, a IA depende de uma vasta e complexa infraestrutura física, sustentada por data centers que abrigam milhares de equipamentos produzidos a partir de uma ampla gama de minerais e metais, muitos deles classificados como críticos. Atualmente, existem cerca de 12 mil data centers em operação globalmente, incluindo 992 de hiperescala, que ocupam áreas de milhares de metros quadrados. O curto ciclo de vida dos equipamentos desses centros, combinado ao descarte inadequado, retira metais valiosos da cadeia de suprimentos, intensificando a extração mineral e agravando impactos socioambientais. Paralelamente, a disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de minerais críticos e pela liderança em tecnologias de IA tem acirrado tensões geopolíticas, com restrições mútuas à exportação de tecnologias avançadas e minerais essenciais. Outro aspecto importante é o alto consumo energético das aplicações de IA: nos Estados Unidos, os data centers já representam cerca de 4% do consumo nacional de eletricidade, com previsão de atingir 9,1% até 2030. Embora as grandes empresas de tecnologia invistam em fontes renováveis, como solar e eólica, para suprir essa demanda crescente, tais fontes também requerem volumes significativos de minerais críticos. Esse conjunto de fatores evidencia a complexa interconexão entre Inteligência Artificial, Data Centers, Minerais Críticos, Energia e Geopolítica.

Leia o artigo de João Henrique Santana Stacciarini e Ricardo Junior de Assis Fernandes Gonçalves em https://www.scielo.br/j/sn/a/LC65bzyhKgVBL4zjk7p5Skm/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR

A complexidade sociopolítica e custos transacionais dos projetos de infraestrutura são exacerbados na Amazônia brasileira, rica em recursos e com fragilidades socioambientais, apresentando desafios para o gerenciamento de projetos. Vetores da estratégia nacional de desenvolvimento, megaprojetos não entregam desenvolvimento local, sobrecarregam serviços públicos, alteram modos de vida, violam direitos humanos, intensificam vulnerabilidades sociais, com degradação ambiental e desmatamento. Apesar do maior escrutínio do licenciamento ambiental, o processo é insuficiente para mitigar impactos, e a participação social limitada. Consequências para o gerenciamento de projetos incluem atrasos, judicializações e danos reputacionais, e oportunidades perdidas para o desenvolvimento territorial sustentável. A tomada de decisão permanece tecnocrática e isolada da sociedade civil, ignorando seu caráter político. Projetos territorialmente cegos e socialmente surdos levam a contestações da sociedade e baixa antecipação das demandas, fazendo dos territórios meros repositórios de investimentos. Por meio de análise documental e entrevistas semiestruturadas e um estudo de caso da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia brasileira, investigamos como uma abordagem territorial na governança da infraestrutura pode afetar o gerenciamento de projetos. A análise mostra que territórios influenciam e são influenciados pelos megaprojetos, corroborando a ideia de que especificidades contextuais requerem formas específicas de planejamento e gerenciamento. Uma abordagem territorial específica ao contexto poderia antecipar melhor alguns dos desafios e complexidades da gestão de infraestrutura nos países em desenvolvimento e economias emergentes. Além disso, resultados orientados a metas de desenvolvimento, como os ODS, podem ser mais eficientes tanto para territórios como para a entrega de projetos.

Leia o artigo de Daniela Gomes Pinto e Marco Antonio Carvalho Teixeira em https://periodicos.fgv.br/cadernosebape/article/view/88262/84473

En muchas situaciones, los desafíos de gobernanza en América Latina son más específicos y dependen de crear una perspectiva sobre realidades sociales y políticas muy desiguales, heterogéneas en cuanto a las capacidades estatales, las diferencias en los mercados y las perspectivas sobre los emprendimientos sociotécnicos. La aplicación de la inteligencia artificial en la región ha implicado diferentes desafíos de gobernanza, incluyendo la sostenibilidad, el desarrollo económico, la salud y la educación, entre otros. Su avance la convierte en una herramienta esencial para enfrentar estos retos en los países en desarrollo. Los países latinoamericanos avanzan en la construcción de políticas estratégicas para dominar la inteligencia artificial con el fin de responder a diferentes problemáticas de desarrollo. Sin embargo, la forma en que se construyen estas políticas estratégicas tiene lugar dentro de su marco específico. Por un lado, los países latinoamericanos enfrentan el riesgo de dependencia tecnológica, incluidos los problemas de acceso a datos, infraestructura crítica para el desarrollo de la IA y capacidades técnicas y operativas. Por otro lado, expresan en sus políticas estratégicas elementos de ruptura de una lógica colonial que pueden reforzarse con sistemas sociotécnicos basados en inteligencia artificial. Este artículo trabajará con este marco dual que informa la construcción y aplicación de la inteligencia artificial en América Latina.

Leia o artigo de Fernando Filgueira em https://revista.clad.org/ryd/article/view/desafios-gobernanza-inteligencia-artificial-America-Latina/527

O artigo analisa como os principais prestadores dos serviços de água e esgoto se financiam, usando informações das demonstrações financeiras de 2016 e 2019. (mais…)

O objetivo deste artigo é apresentar os dramas experenciados por artistas brasileiros durante o período da pandemia da covid-19. (mais…)

No Brasil, parcela significativa dos investimentos recentes em projetos de infraestrutura tem como foco a construção de usinas hidrelétricas na região Amazônica. (mais…)

Este estudo busca identificar as principais motivações e barreiras para a atração de investimentos do mercado de capitais para o setor de infraestrutura no Brasil. (mais…)

Apesar do entusiasmo disseminado com a participação privada na provisão de infraestrutura, as avaliações internacionais dos seus resultados são raras e inconclusivas.

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Este artigo tem como objetivo propor uma metodologia alternativa de análise, avaliação e priorização de projetos de mobilidade urbana capaz de auxiliar a tomada de decisão de investimento, considerando variáveis financeiras, econômicas e espaciais.

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Há consenso entre economistas de várias orientações sobre a importância da infraestrutura no desenvolvimento econômico. Além de dinamizar a economia no curto prazo, pela criação de demanda por materiais de construção e, principalmente, pelo aumento do emprego, a ampliação e melhoria da infraestrutura tem efeitos mais generalizados e permanente, tais como, a elevação da produtividade e dinamização de setores particulares da indústria que lhes fornecem insumos. (mais…)