Fiagro

Calcado na leitura de Moore (2015) e nos conceitos de neoextrativismo e land grabbing, este trabalho caracteriza uma forma emblemática de concretização do capitalismo na América Latina, especialmente no estado brasileiro do Mato Grosso. Como manifestações concretas do land grabbing são discutidos os recentemente instituídos Fundos de Investimento do Agronegócio (Fiagro) e apresentadas as empresas listadas em bolsa vinculadas diretamente à especulação de terras e/ou ao monocultivo. Apresentam-se a geolocalização das fazendas administradas pelos Fiagro e sua proximidade dos conflitos por água no estado do Mato Grosso, além do mapa dos compartimentos geoambientais desse estado e o das terras indígenas. O objetivo é encontrar pistas de como – em resposta ao movimento geral de circulação e de valorização do capital em escala global – a construção e a operacionalização desses renovados instrumentos financeiros podem repercutir concretamente na existência de territórios de povos e comunidades que teimam em funcionar com outra lógica.

Leia o artigo de Daniel Lemos Jeziorny em https://www.scielo.br/j/rbeur/a/K33Z9GxW7VrCQQ7cPxScZPn/?format=pdf&lang=pt

O trabalho analisa o mais recente produto financeiro do mercado de capitais voltado para o financiamento do agronegócio, o Fundo de Investimento das Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). O estudo exploratório observa interações sociais que envolvem seu principal financiador, a pessoa física. É objetivo mapear interpretações do investidor individual de varejo para compreender os dispositivos que contribuem para efetivação da compra de cotas do Fiagro. As fontes do estudo são entrevistas realizadas entre janeiro e agosto de 2023, período em que o fundo completou dois anos de operação, além de documentos descritivos e estatísticos. Metodologicamente, uma abordagem especulativa pela amostragem “bola de neve” reuniu relatos de investidores, posteriormente tratados a partir da Teoria Ator-Rede. Os primeiros resultados apontam para a mobilização da pessoa física ao Fiagro pela simultaneidade da diminuição de direitos de seguridade social, da consolidação da imagem próspera do setor agroindustrial e da popularização das redes digital e financeira.

Leia o artigo de Bruna Bronoski e Rodolfo Bezerra de Menezes Lobato da Costa em https://www.scielo.br/j/asoc/a/Z5fS4xxjtrgL6Hvw8w3V5cc/?format=pdf&lang=pt