confiança

Este artigo argumenta que o conspiracionismo é essencialmente uma questão de confiança e desconfiança. As teorias da conspiração política são sintomas de desconfiança política generalizada – isso é o que chamo de abordagem da confiança pública às teorias da conspiração (TCs). As causas da desconfiança política são várias e evoluem para uma percepção generalizada de falta de confiabilidade. Os críticos da abordagem da confiança pública estão corretos ao apontar que não há nada epistemicamente falho nas TCs como tais. A rejeição de narrativas por meio da imputação de uma lógica conspiratória pode ser usada pelas autoridades públicas como um estratagema para minar críticas válidas. Embora essa objeção esteja correta, reconhecê-la não pode ofuscar o fato de que a desconfiança é um problema político significativo. Seguindo os filósofos da confiança, argumento que a desconfiança é um problema prático e que a proliferação de TCs é um sintoma de fracasso político. A única resposta à teorização da conspiração é o restabelecimento dos laços de confiança, pois um profundo senso de confiança é um requisito para uma vida política ética e democrática.

Leia o artigo de Tomás Lima Pimenta em https://www.scielo.br/j/ln/a/BLLfgwcwH68TwNzcPRRN4vy/?format=pdf&lang=en

O artigo comenta de forma sintética alguns dos desafios contemporâneos com que se defronta a democracia, recorrendo à perspectiva histórica para pensar questões atuais tais como o declínio dos níveis de confiança nas instituições políticas e a emergência de projetos populistas, aspectos que interpelam a democracia seja como ideal normativo, como aparato institucional, seja como procedimentos cristalizados. Levando em conta os grandes impasses contemporâneos, mas sem subscrever interpretações fatalistas ou messiânicas, o artigo defende que embora o caráter intrinsecamente expansivo da democracia não garanta por si só a sobrevivência da democracia, ele pode prover a base para o desenvolvimento de estratégias políticas que, combinando recursos humanos e tecnológicos, logre fomentar formas inovadoras para promover justiça, inclusão e participação, os elementos que dão vida à convivência democrática.

Leia o artigo de Elisa Reis em https://www.scielo.br/j/ea/a/n8Xbj7txtcVhpYfgSNXrZfz/?format=pdf&lang=pt

As crises política e econômica que assolaram o Brasil nos últimos anos do governo Dilma resultaram em uma queda substancial nos níveis de confiança no governo central. Estes caíram de 57,10% em 2013, com Dilma Rousseff (PT) como presidente, para 13,35% em 2018. Este artigo investiga o impacto desse fenômeno sobre as atitudes dos eleitores em relação à distribuição de poder entre os níveis de governo no Brasil. Com base em dois surveys inéditos com representatividade nacional, mostramos que a queda de confiança no governo central reduziu o apoio ao aumento do poder da União na federação brasileira, mas, contraintuitivamente, não resultou em crescimento de atitudes descentralistas, em direção distinta da encontrada para o caso norte-americano. A crise de confiança no governo central que se instalou entre esses dois pontos no tempo mudou significativamente a importância da confiança como um fator preditivo de atitudes centralistas. Em conjunto, esses resultados mostram que a opinião pública sobre a federação não se opõe ao nível de centralização existente no Brasil, e também alertam para a importância dos choques de confiança para entendermos como esta última afeta a formação de atitudes centralistas.

Leia o artigo de Diogo Ferrari e outros em https://www.scielo.br/j/dados/a/Chs7Z7ccLdgSPzNcYjrqbBg/?format=pdf&lang=pt

Neste trabalho se realiza uma revisão de literatura sobre o valor meritocracia nas sociedades contemporâneas e nas organizações. (mais…)

Este trabalho apresenta um esforço exploratório e descritivo em torno da Administração Pública. Os objetivos são: a) contrastar as crenças que cidadãos e administradores têm sobre a referida instituição, b) verificar diferenças e semelhanças entre os países da região, c) identificar eixos de reforma para promover a criação de confiança. A análise revela que: a) não há diferenças apreciáveis entre funcionários e cidadãos, b) há relativa homogeneidade entre países, c) políticas governamentais abertas podem ser uma excelente oportunidade para renovar a confiança. (mais…)

Durante meses, analistas de mercado exibiam – e muitos ainda exibem – otimismo em relação a que a aprovação da reforma da Previdência, se não for excessivamente desidratada no Congresso, levará ao aumento da confiança dos investidores, à queda da percepção de risco e das taxas de juro e, com isso, à expansão dos investimentos privados impulsionando a retomada da economia. (mais…)

O artigo analisa a relação entre as percepções que as pessoas fazem da atuação da polícia e o medo do crime. A atuação da polícia foi avaliada a partir das seguintes dimensões: presença e qualidade do policiamento nas vias públicas, presenciar atuação da polícia, estabelecer contato com a polícia, (mais…)