agronegócio

Se há o dado objetivo relativo ao avanço do agronegócio sobre o Cerrado e discursos que o legitimam, tal processo não ocorre num vazio cultural. Por trás da estruturação do que se tem chamado de “sociedade do agronegócio” encontram-se sociabilidades, moralidades e hierarquias constituídas enquanto regularidades sociais. Recorrendo-se ao método etnográfico aplicado entre 2018 e 2020 junto a atores representativos dessa sociedade no Polo de Irrigação do Planalto Central, envolvendo porções contíguas de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, o artigo tem como objetivo explorar traços sociais que marcam o dizer e o aparecer de quem habita tal sociedade. Ao deslocar a atenção dos interesses em jogo, evidenciamos como seus membros, ao reproduzirem padrões estéticos e narrativas coerentes partilhadas em suas redes, reforçam uma unidade de grupo criadora de espaços comuns e vínculos intersubjetivos, delimitando um sentido de pertencimento mobilizador de um modo particular de agir e expressar.

Leia o artigo de Gustavo Meyer e Cleyton Gerhardt em https://www.scielo.br/j/dados/a/qPp6GRRqHgf55XqvxVrwLkp/?format=pdf&lang=pt

O trabalho analisa o mais recente produto financeiro do mercado de capitais voltado para o financiamento do agronegócio, o Fundo de Investimento das Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). O estudo exploratório observa interações sociais que envolvem seu principal financiador, a pessoa física. É objetivo mapear interpretações do investidor individual de varejo para compreender os dispositivos que contribuem para efetivação da compra de cotas do Fiagro. As fontes do estudo são entrevistas realizadas entre janeiro e agosto de 2023, período em que o fundo completou dois anos de operação, além de documentos descritivos e estatísticos. Metodologicamente, uma abordagem especulativa pela amostragem “bola de neve” reuniu relatos de investidores, posteriormente tratados a partir da Teoria Ator-Rede. Os primeiros resultados apontam para a mobilização da pessoa física ao Fiagro pela simultaneidade da diminuição de direitos de seguridade social, da consolidação da imagem próspera do setor agroindustrial e da popularização das redes digital e financeira.

Leia o artigo de Bruna Bronoski e Rodolfo Bezerra de Menezes Lobato da Costa em https://www.scielo.br/j/asoc/a/Z5fS4xxjtrgL6Hvw8w3V5cc/?format=pdf&lang=pt

A presente pesquisa tem o objetivo de analisar as diferenças e similaridades dos métodos brasileiros de avaliação do desenvolvimento sustentável em propriedades agrícolas: Ambitec-Agro, APOIA-NovoRural e ISA. O método utilizado foi o de meta-estudo. Os resultados indicaram que os três métodos Ambitec-Agro, APOIA-NovoRural e ISA possuem cada um com suas similaridades e diferenças. Como conclusões, na escolha do método, deve-se dar especial ênfase à decisão sobre a delimitação na propriedade agrícola do que vai ser analisado (uma tecnologia, uma atividade agrícola ou a propriedade como um todo). Além disso, os três métodos partem de indicadores e foram estabelecidos a priori, o que impossibilita a opção de escolhê-los.

Leia o artigo de Laura Gonçalves Osorio e Marcelo Fernandes Pacheco Dias em https://www.scielo.br/j/asoc/a/k7m6JM8BBY5SGGsHf6srCVG/?format=pdf&lang=pt

O objetivo deste estudo consistiu em compreender o futuro das inovações agropecuárias sustentáveis, analisando as tecnologias desenvolvidas pela EMBRAPA, à luz conceitual da inovação, do desenvolvimento econômico sustentável e do Estado empreendedor. Utilizou-se uma metodologia exploratória e qualitativa para organizar cronologicamente 1188 soluções tecnológicas, 363 patentes e 2043 cultivares. A partir dos resultados obtidos observou-se uma tendência de investimentos em sistemas aprimorados de captação de água, irrigação inteligente, variedades tolerantes ao calor e seca, tecnologias de manejo de solo, controle biológico de pragas, uso de matérias-primas renováveis e melhoramento genético. Por fim, priorizaram-se também investimentos em metodologias, processos e ampliação de serviços da EMBRAPA, bem como a celebração de parcerias com grupos agropecuários, empresas e institutos. Com base em todas as informações apresentadas neste trabalho, é evidente que a EMBRAPA já possui tecnologias estabelecidas. Contudo, é mais urgente e imperativo do que nunca investir e impulsionar a inovação sustentável, tornando-a acessível a todos os produtores brasileiros, garantindo um futuro próspero de produção e conservação do setor.

Leia o artigo de Vivian Cristina Ribeiro Barbosa e Marlon Vinícius Brisola em https://www.scielo.br/j/resr/a/KvCjrVjRPJGJ3T57CC3X9zK/?format=pdf&lang=pt

O artigo se volta para mudanças ocorridas nas quatro últimas décadas nas formas de organização dos trabalhadores do campo no Brasil, enfatizando disputas, convergências e impasses não só na relação entre os próprios atores em processo de constituição, mas também com os mecanismos institucionais e políticas públicas voltadas para o campo. (mais…)

Em função do acirramento de disputas fundiárias e conflitos socioambientais, em anos recentes, agentes do campo do agronegócio no Brasil impulsionaram, de modo organizado e sistemático, sua concertação política.

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Agrônomos, biólogos e entidades como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) alertam que a destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas têm grande potencial para prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil, porque afetam diversos fatores ambientais de grande influência sobre a atividade agrícola. (mais…)