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Este trabalho realiza uma análise comparativa do dinamismo econômico e tecnológico dos setores industriais do Brasil durante o período 2007-2020, com vistas a identificar correspondência entre essas variáveis de resultado e a prática de política industrial (PI) setorial. Os resultados sugerem ter havido pouca coordenação entre o emprego dos instrumentos, que grande parte dos setores não se distinguiu dos padrões gerais da indústria de transformação, que performances excepcionais não estão relacionadas à diversidade de instrumentos, mas que os setores de maior intensidade tecnológica parecem ter respondido particularmente bem à combinação de financiamento do BNDES e da FINEP e uso de poder de compra público.

Leia o artigo de Luís Felipe Giesteira e outros em https://www.scielo.br/j/rep/a/B7SMKhmLXtDCCrjMd8yr3qB/?format=pdf&lang=pt

Este artigo resgata o debate sobre a independência do banco central a partir de sua origem histórica e relação com a financeirização. Diante da dominância financeira, os Estados passam a ter menos ingerência sobre as políticas dos bancos centrais, na medida em que os bancos centrais adquirem maiores capacidades de ação com o fortalecimento da política monetária. A independência do banco central é uma expressão da financeirização na medida em que torna a autoridade monetária mais susceptível às pressões dos mercados financeiros e, simultaneamente, limita a participação do Estado e da sociedade na condução da política monetária.

Leia o artigo de Rodrigo Siqueira Rodriguez em https://www.scielo.br/j/rep/a/VtLzsYy79LMqBs9jHbMhG8J/?format=pdf&lang=pt

Este comentário critica a reprodução da crença equivocada de que a economia mainstream é igual à economia neoclássica e de que esta, por sua vez, é igual à economia (neo)liberal. A rejeição dessas igualdades complica as relações entre economia mainstream, ortodoxa e heterodoxa. O comentário argumenta também que o caso do Brasil é diferente do americano, pois várias ideias econômicas que são marginalizadas nos Estados Unidos têm prestígio e influência na academia brasileira, o que torna o próprio conceito de economia mainstream mais ambíguo. Tudo isso implica várias divergências em relação ao artigo recente de Francisco Marques (2024). Outras diferenças são apontadas no que se refere ao uso de matemática, estatística e econometria e à interdisciplinaridade. O resultado é uma visão mais complexa da academia de economia nos Estados Unidos e sobretudo no Brasil. O comentário também identifica e corrige as principais distorções na tradução que Marques faz de um trecho relativamente longo de Dequech (2018).

Leia o artigo de David Dequech em https://www.scielo.br/j/dados/a/ckSQ9r3PZhXxntfB38ZnvBB/?format=pdf&lang=pt

O efeito da política fiscal sobre os ciclos econômicos tem sido fonte de maior controvérsia apesar da crescente literatura empírica e experiência internacional. Este artigo propõe um escopo analítico que permita analisar os canais de transmissão de política fiscal, atualizando as descobertas mais recentes após pandemia. Dessa forma, pretende-se contribuir para um entendimento mais detalhado de alguns dos principais mecanismos pelos quais a política fiscal afeta a economia.

Leia o artigo de Manoel Carlos Pires e Luiz Fernando de Paula em https://www.scielo.br/j/rep/a/Y7TJV674CKkhtCvH54Rf56t/?format=pdf&lang=pt

O artigo tematiza a educação ambiental no Brasil, em consonância com os direitos humanos, e objetiva ponderar sobre a Lei n. 9.795 de 1999. Problematiza-se o que a Lei n. 9.795/99 efetivamente oportunizou em termos ambientais e objetiva-se investigar de que forma os espaços informais de ensino foram favorecidos e se a educação ambiental se efetiva em uma perspectiva limitada ao espaço escolar ou deve estar disseminada como conteúdo ético e prático nas relações humanas. Para a pesquisa, utiliza-se o método dedutivo, com pesquisa qualitativa bibliográfica e legislativa. Metodologicamente, são apresentados os aspectos históricos da educação ambiental e os seus reflexos no Brasil, perpassando pelos tratados internacionais dos quais o país é signatário, assim como os mandamentos constitucionais, órgãos e institutos que consagram a proteção do meio ambiente e a gestão ambiental, sobretudo por meio da educação ambiental. Sequencialmente, enfoca-se na Lei de Educação ambiental (Lei n. 9.795/99), refletindo criticamente sobre suas disposições. É resultado da pesquisa a importância da educação ambiental para a Política Nacional de Educação, entendendo-a como objetivo para uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações (i.e., aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos). A educação ambiental deve estar inserida no ensino formal, ademais, direcionada à comunidade, visando à garantia da democratização das informações socioambientais, ao estímulo ao fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social, ao incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente. A defesa da qualidade ambiental é valor inseparável do exercício da cidadania.

Leia o artigo de Leilane Serratine Grubba em https://www.scielo.br/j/inter/a/MFsnMykrrpGggrMVLV8RCzs/?format=pdf&lang=pt

É notória a necessidade de trabalhar para a sustentabilidade, o que inclui a atividade turística. Isso requer trabalhar os aspectos ambiental, econômico e social de forma equilibrada, bem com os interesses dos atores envolvidos no desenvolvimento turístico. Para tanto, a Teoria do Commons é um apoiador nesse processo, pois se baseia em ações coletivas para lidar com recursos compartilhados. Assim, com o objetivo de analisar relações de pesquisa existentes na literatura científica entre commons e turismo, foi desenvolvida uma revisão integrativa da literatura, tendo como fundamento as cinco etapas definidas por Tranfield, Denyer e Smart (2003). As bases de dados selecionadas foram o Google Scholar, a SciELO, a Scopus e a Web of Science, e as buscas sistemáticas ocorreram no dia primeiro de julho de 2021. Dos 163 estudos levantados, 22 foram selecionados após o uso de critérios de exclusão e inclusão. Os principais resultados encontrados foram: a) a percepção de um aumento moderado de estudos sobre a relação turismo e commons, b) o levantamento de uma diversidade de atores envolvidos no bem comum turístico, c) o entendimento de certos conflitos que devem ser trabalhados em destino turístico sustentável, d) o uso de variadas formas de regulação dos recursos compartilhados na atividade turística, e) cinco ações para desenvolver um turismo sustentável baseado na Teoria do Commons. Em relação a futuras pesquisas, sugere-se estudar se ações tomadas em prol de um turismo sustentável utilizam a Teoria do Commons e como se desenvolvem a gestão e a governança desse processo, além de identificar e analisar quais recursos turísticos são adequados à prática do bem comum.

Leia o artigo de Leonardo Lincoln Leite de Lacerda e Alexandre Augusto Biz em https://www.scielo.br/j/inter/a/qrsjtgs7vdsG7QHn4bx8sFq/?format=pdf&lang=pt

No final da década de 1970, a República Popular da China (RPC) promoveu políticas de atração de investimentos do mundo capitalista desenvolvido, visando à transferência tecnológica e oferecendo um ambiente lucrativo em troca. Embora o capital, o know-how e a tecnologia das ETN tenham sido fatores fundamentais para o desenvolvimento chinês, o Estado planejou e regulou esses investimentos, de modo que possam ser alinhados a um projeto autônomo de desenvolvimento, evitando a clássica relação de dependência centro-periferia. A análise deste trabalho centra-se nos Planos Quinquenais e nas leis de política de regulação para o investimento interno. Ao final analisamos os dados do IDE, que nos permitiram identificar as principais mudanças e distintas fases do desenvolvimento do IDE e da política de Estado. Leia o artigo de Tomás Costa de Azevedo Marques e Giorgio Romano Schutte em https://www.scielo.br/j/rep/a/QJXKnQFYsbYRst57HPYJTQN/?format=pdf&lang=en

Nosso objetivo é, usando o conceito de conjuntura crítica, discutir o desenvolvimentismo como legado histórico. Para tanto, na primeira seção, fazemos uma descrição estilizada de quatro casos típicos (Brasil, México, Coreia do Sul e Taiwan) e, em seguida, valendo-nos da técnica do process tracing, propomos um mecanismo causal composto por fatores estruturais e volitivos para entender o surgimento do desenvolvimentismo. Concluímos que o desenvolvimentismo é ilustrativo das vantagens de uma ciência social histórica que permite ir além da análise do conteúdo ideacional dos diversos paradigmas desenvolvimentistas e avançar para a identificação das condições históricas de sua produção como projeto político.

Leia o artigo de Renato Perissinotto em https://www.scielo.br/j/rep/a/vd9NxSm84JJkwcCyNKxnp7M/?format=pdf&lang=pt

O objetivo desse artigo é contribuir para a compreensão do fenômeno da politização do Judiciário a partir da análise da figura do juiz como um agente maximizador de utilidade. Fazendo uso de métodos mistos quantitativos e qualitativos o artigo buscou responder à seguinte questão: Como a popularidade e o prestígio gerados no curso de uma operação judicial contra a corrupção política podem influenciar a forma pela qual um determinado juiz irá executar seu trabalho no Brasil? Os seis casos analisados corroboram as hipóteses do estudo ao revelar que a popularidade, o prestígio e a possibilidade de desenvolvimento de uma autoimagem positiva como agente do combate à corrupção são variáveis-chave na análise do fenômeno da politização do Judiciário. A principal contribuição do artigo reside no aprofundamento do entendimento da politização do Judiciário e dos juízes como atores racionais expostos a determinados incentivos e restrições no cenário brasileiro.

Leia o artigo de Fabiano Andrade Lima e Arnaldo Mauerberg Jr. em https://www.scielo.br/j/dados/a/YMtBQDVm88Hfkbd9pBZKNzs/?format=pdf&lang=pt

Qual é o conceito por trás do liberalismo? Apesar de ser um termo conceitualmente contestado, os partidos políticos ainda se rotulam como liberais e buscam legitimidade ao se juntarem à Internacional Liberal (IL). Neste artigo, adoto uma estratégia de método misto para avaliar o que essa ideologia significa na América Latina. Primeiro, baseio-me na teoria econômica e política para propor quatro componentes potenciais do liberalismo: propriedade privada, democracia liberal, não conformismo e justiça social. Em seguida, procuro por esses componentes na declaração de princípios de todos os membros da IL na região. Depois, avalio o apoio relativo dos liberais a esses componentes comparando as atitudes de suas elites e eleitores com as de conservadores e socialistas no Paraguai, Honduras e Nicarágua. Este artigo constata que a democracia liberal é o único componente central do liberalismo na América Latina. Embora o não conformismo e a justiça social sejam amplamente mencionados em documentos políticos, seu apoio entre elites e eleitores é dependente do contexto. Esses resultados enfatizam a contestabilidade do liberalismo, ao mesmo tempo que lançam luz sobre o que une os liberais na América Latina.

Leia o artigo de João V. Guedes-Neto em https://www.scielo.br/j/dados/a/YP6kKWLw4M88C3TMsjKWLCG/?format=pdf&lang=en