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A indústria brasileira tem trocado ocupações de baixa escolaridade por ocupações com alta escolaridade, tais como, ensino superior, mestrado e doutorado. Portanto, o objetivo desta pesquisa é verificar se há efeito da taxa de crescimento na demanda por mão de obra qualificada na indústria sobre a taxa de crescimento econômico nos municípios brasileiros. Como estratégia econométrica, propõe-se, além do uso de dados em painel, utilizar variáveis instrumentais (Bartik Instrument – shift-share) para tratar a endogeneidade da relação entre a taxa de crescimento do emprego na indústria e crescimento econômico. Os principais resultados indicam que a taxa de crescimento da demanda por trabalho qualificado na indústria tem efeito positivo na taxa de crescimento econômico dos municípios, bem como, gera efeitos spillovers para os setores da agricultura e serviços. As evidências também apontam que não há efeito diferencial para municípios que pertencem a regiões metropolitanas e não metropolitanas, exceto para a métrica do PIB per capita.

Leia o artigo de Edcleutson de Souza Silva e outros em https://www.scielo.br/j/neco/a/7FqD5Pd6rRZHfr3q5cvn5Rz/?format=pdf&lang=en

O presente artigo discute o fenômeno da desindustrialização nas principais regiões metropolitanas no Brasil nas duas primeiras décadas do século XXI. Os objetivos são apresentar a análise da estrutura produtiva da indústria de transformação das metrópoles brasileiras vis-à-vis sua inserção nacional, identificar os ramos de atividade mais determinantes para o processo de desindustrialização metropolitano do país e caracterizar as regiões metropolitanas em que esse fenômeno se apresenta com mais frequência. Foram utilizados dados públicos e uma tabulação solicitada ao IBGE sobre o valor da transformação industrial das regiões metropolitanas referente a vários anos. Constatou-se que a desindustrialização brasileira é fundamentalmente um fenômeno metropolitano, sobretudo quando se consideram os ramos de intensidade tecnológica mais elevada. Contudo, esse processo não aconteceu de modo homogêneo entre as metrópoles. Aquelas que mais contribuíram para a sua ocorrência foram São Paulo, Salvador e Curitiba, ao passo que as que mais contrabalancearam esse processo foram Rio de Janeiro e Recife.

Leia o artigo de Marcelo Gomes Ribeiro em https://www.scielo.br/j/rbeur/a/qQfnFW5FrddxRrP8MFsm53d/?format=pdf&lang=pt

O artigo assume a importância da indústria manufatureira para o crescimento no longo prazo e examina o processo de desindustrialização do Brasil desde a abertura econômica. A recuperação da indústria manufatureira é analisada à luz da proposta de reindustrialização da economia na atual emergência climática global. Em linha com a literatura ­novo-desenvolvimentista, a reindustrialização implica alargar o espaço de política para recuperar o investimento público e privado em ativos produtivos, proporcionando condições financeiras compatíveis com retornos a longo prazo. Assume um papel ativo na intervenção estatal. Nesse sentido, a política industrial da Nova Indústria Brasileira deve ancorar expectativas de longo prazo para potencializar o investimento produtivo comprometido com a transição verde. Esta abordagem posiciona a política industrial como a âncora para a construção de uma convenção de desenvolvimento sustentável.

Leia o artigo de Carmem Feijó e outros em https://www.scielo.br/j/rep/a/SKTVmhzSYyGYggFcWN5YVjb/?format=pdf&lang=en

Procuramos identificar os principais vetores que reconfiguram a política industrial contemporânea nos EUA e na União Europeia para informar a formulação de políticas na América do Sul e no Brasil, dados os seus desafios específicos para o desenvolvimento econômico. Salientamos dois vetores principais, a segurança nacional e as preocupações ambientais, que desencadearam uma tendência para a nacionalização ou regionalização das cadeias de abastecimento através da substituição de importações. Também têm fundamentado a política industrial num planeamento abrangente que abrange vários sectores e atividades. A questão essencial para a América do Sul e o Brasil é combinar essas preocupações a partir de uma realidade sustentada pela desindustrialização, pela degradação ambiental (desmatamento) e pela marginalização social.

Leia o artigo de Carlos Aguiar de Medeiros e Esther Majerowicz em https://www.scielo.br/j/rep/a/JGvV9P3cQc3KpYgZsKZGBLS/?format=pdf&lang=en

O artigo analisa os impactos arrecadatórios e distributivos de propostas de aumentos da faixa de isenção para o imposto de renda sobre pessoa física (IRPF), tema que foi alvo das campanhas presidenciais de 2022 e está atualmente em discussão. Nossos resultados demonstram que a adição de medidas de aumento da progressividade do imposto a algumas das propostas é suficiente para mitigar os efeitos arrecadatórios e distributivos negativos delas. A adoção de uma alíquota de 35% para o 1% mais rico junto com a retomada da tributação de lucros e dividendos da pessoa física neutralizaria a elevação da desigualdade e a queda de receitas geradas por determinados aumentos da faixa de isenção.

Leia o artigo de Ana Bottega e outros em https://madeusp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/npe_34_site.pdf

A austeridade é onipresente. Aumentos nas taxas de juros, novas privatizações, contratos de trabalho cada vez mais flexíveis, cortes na assistência médica e na educação pública, redução de impostos sobre ganhos de capital e aumento de impostos sobre o consumo. Toda reforma econômica nos é apresentada como uma necessidade: devemos apertar os cintos, para que nosso Estado não vá à falência. Precisamos ser realistas e fazer escolhas difíceis, conforme a situação econômica exigir. Uma visão da economia entendida como uma ciência pura, objetiva e lógica nos encanta. Não há alternativa, nem opção, a não ser confiar nos especialistas. Mas o que esses especialistas querem dizer quando usam esse termo aparentemente onipresente? Leia o artigo de Clara E. Mattei e Aditya Singh em https://jacobin.com.br/2024/12/a-austeridade-e-um-projeto-profundamente-antidemocratico/

O artigo atualiza as estimativas de multiplicadores fiscais de diferentes componentes do gasto e da receita no Brasil e utiliza os resultados para simular o efeito de diferentes políticas de ajuste fiscal. Os resultados indicam que o impacto imediato sobre o PIB é positivo para um aumento dos gastos, sobretudo investimento público e benefícios sociais, e negativo para o aumento da receita via elevação de impostos. A um prazo mais longo, contudo, o efeito negativo do aumento da receita se torna não significante, enquanto os efeitos positivos do investimento público e dos benefícios sociais persistem: para cada real gasto com investimento e benefício social, o PIB tende a aumentar R$ 2,6 e R$ 2,15, respectivamente, após 25 meses. Do ponto de vista tanto de crescimento econômico quanto de um potencial controle do endividamento público, a melhor política é a combinação de aumento de receitas e de gastos com investimento público ou benefícios sociais. Nossos resultados também demonstram como o corte de subsídios é, de fato, a melhor política do lado dos gastos.

Leia o artigo de Marina da Silva Sanches e outros em https://madeusp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/NPE-55-Ajuste-via-receita-ou-via-gasto.pdf

Nas últimas décadas, tem-se observado um esforço de reconstituição de uma vertente do republicanismo cuja gênese remonta aos ideais e instituições da antiga República romana. Reconstruído por historiadores do pensamento político – e recentemente absorvido por teóricos de orientação analítica e normativa -, o “republicanismo neorromano” gira em torno de uma visão da liberdade como não dominação, alegadamente distinta da concepção de liberdade como não interferência, predominante no liberalismo contemporâneo. Compreendendo a liberdade como um “conceito essencialmente contestado”, o artigo procura responder as seguintes questões: (1) Em que medida é defensável a tese dos neorromanos sobre rivalidade entre republicanismo e liberalismo enquanto tradições históricas singulares de pensamento político? (2) Quais são as principais distinções conceituais entre a liberdade como não dominação e a liberdade como não interferência? Enquanto a primeira questão enquadra o debate sobre a liberdade do ponto de vista da história das ideias, a segunda o faz a partir de uma perspectiva analítica e normativa.

Leia o artigo de Ricardo Silva em https://www.scielo.br/j/ln/a/Ck6fSJmb9h6SqVYGtHw3D6Q/?format=pdf&lang=pt

Neste trabalho buscamos responder a como a literatura internacional sobre cooperação entre governos locais se distingue internamente quanto à natureza das organizações que lhe dão suporte e como estas articulam os interesses de seus associados. Mobilizando como metodologia a revisão bibliográfica com foco em problemas de cooperação interlocal, até que fosse alcançado ponto de saturação, assumimos como objetivo identificar diferentes agrupamentos de estudos tomando por critério tipologia de riscos de colaboração proposta no âmbito da Teoria da Ação Coletiva Institucional. Ao final identificamos três agrupamentos: parcerias voluntárias, como associações para realização de interesses comuns, governança regional e gestão de regiões metropolitanas, estas últimas incorporando também temas para os quais governos locais atribuem diferente saliência ou mesmo se colocam em posição conflitante, embora sob condições distintas. Os agrupamentos identificados se referem a obstáculos e dilemas institucionais próprios para a cooperação, tanto do ponto de vista dos poderes institucionais delegados à associação quanto da amplitude do escopo da sua agenda.

Leia o artigo de José Angelo Machado em https://www.scielo.br/j/rdc/a/GQqBFnjqbnQBLfQH9Wp95RQ/?format=pdf&lang=pt

A temática mais geral desta pesquisa diz respeito à eficiência na administração pública e sua manifestação na saúde pública. Em um contexto neoliberal, marcado por políticas de austeridade, em que as restrições orçamentárias em relação às políticas sociais são um dos aspectos principais, a análise sobre o que significa eficiência torna-se uma questão de pesquisa relevante. As diferentes ideias sobre eficiência, constituídas e modificadas ao longo da história, exercem influência na gestão dos recursos públicos. Neste sentido, este artigo tem como objetivo descrever a trajetória de desenvolvimento do conceito de eficiência na administração pública, mais especificamente na área de saúde pública. Para alcançar este objetivo, foi realizado um ensaio teórico, no qual desenvolve-se um argumento teórico-analítico destinado a orientar pesquisas empíricas em relação ao tema da eficiência na gestão em saúde. Este argumento é baseado em três pressupostos: ao longo de um século de desenvolvimento do conceito de eficiência na administração pública, este conceito ainda é fortemente carregado de pressupostos oriundos da engenharia, esses pressupostos, por sua vez, se conectam diretamente com princípios da economia neoclássica, que estão na base de perspectivas neoliberais aplicadas à gestão pública, e na área da saúde, o conceito de eficiência fundado apenas em pressupostos da economia de mercado é insuficiente, necessitando ser articulado aos conceitos de eficácia e efetividade.

Leia o artigo de Janiele Cristine Peres Borges e Ronaldo Bordin em https://www.scielo.br/j/sdeb/a/BvHdpyYcmRSX6WVyLqNhK3C/?format=pdf&lang=pt