questão social

A construção dos direitos sociais no Brasil, iniciada em 1988, ainda é refém de um estado de bem-estar inconcluso. Ainda que no período de governo do Partido dos Trabalhadores tenha sido possível enfrentar a questão social (Proni, 2017) com mais ênfase, a fragilidade de tais conquistas impede sua perenidade. Nesse sentido, mesmo que condições essenciais para a liberdade e o bem-estar do ser humano, tal como mobilidade urbana e habitação, sejam pautadas pelo texto constitucional, estas se materializam como um desafio a ser solucionado. Portanto, neste texto, tenho como objetivo indicar e caracterizar a aporofobia como um dos sintomas sociais prementes de um estado de bem-estar social não totalmente concluído, e, em seguida, evidenciar e analisar exemplos de aporofobia em grandes centros urbanos, levando em consideração três diferentes casos observados na paisagem urbana.

Leia o artigo de Daniel dos Santos em https://www.scielo.br/j/ecos/a/4fXNdGZDTYG5YMKhpJkH8Lq/?format=pdf&lang=pt

O presente artigo objetiva revisitar de modo abrangente e ensaístico o debate sobre as protoformas, a gênese e a consolidação da “questão social” no Brasil, tendo como base o materialismo histórico-dialético de Marx e resgatando as contribuições de Florestan Fernandes e Octavio Ianni a respeito da formação social brasileira, com alguns aportes das obras de Jacob Gorender, Clóvis Moura e Carlos Nelson Coutinho. Seu percurso expositivo parte da dimensão universal da gênese e desenvolvimento da sociabilidade burguesa para considerar a particularidade nacional inserida neste contexto. No primeiro tópico são abordadas as protoformas da “questão social” no Brasil e, no segundo tópico, trabalha-se a gênese e a consolidação da “questão social” brasileira. Conclui-se, por fim, a pertinência e atualidade da caracterização florestaniana do capitalismo dependente, conformado através da dupla articulação segregação interna e dominação externa, reafirmando também o racismo enquanto marca social negativa que constitui uma das dimensões da essência da “questão social” em nossa particularidade.

Leia o artigo de Davi Machado Perez em https://www.scielo.br/j/rk/a/6KGYxj4bm89PvFXTMVbbJWg/?format=pdf&lang=pt