moralidade

As práticas de boa governança buscam evitar que as condutas dos ocupantes de cargos públicos se deem de maneira corrupta. Para tanto, modelos de gestão são elaborados com vistas ao aprimoramento da administração, o que envolve critérios relacionados ao ingresso dos ocupantes dessas funções. Tendo isso em vista, este artigo faz uma análise sobre as maneiras pelas quais se deram as seleções de pessoas ao longo da história brasileira e o que isso revela acerca da lealdade por elas prestada. O estudo baseia-se em uma revisão bibliográfica sobre os aspectos relacionados a modelos de gestão e ingresso de pessoas na administração pública, bem como no levantamento de dados em sítios eletrônicos oficiais do governo brasileiro. Os achados sugerem que os discursos e alterações normativas adotados não foram capazes de contribuir, de modo significativo, para o fortalecimento de uma governança pública pautada em critérios afetos à moralidade e à integridade.

Leia o artigo de Carolina Schincariol Scacchetti em https://www.scielo.br/j/cgpc/a/SJGvffX6ZtJmyRkX9MZgJQw/?format=pdf&lang=pt

O artigo discute como o Programa Bolsa Família (PBF) é mobilizado e significado nas práticas e discursos de beneficiárias em uma favela no Rio de Janeiro. O material empírico do qual se parte é uma pesquisa de campo na Favela do Tripé (nome fictício), trecho precário de uma favela maior, que envolveu observação participante e a interação com beneficiárias do Programa. A partir das falas destas mulheres, refletimos sobre a relação entre o PBF, vulnerabilidades, saúde, alimentação, convenções de gênero e o papel e presença do Estado em contextos de favela. A questão do cuidado, representada pela posição central das mães/mulheres, também é um dos fios condutores da análise, mostrando como o ato de cuidar reitera convenções morais. A partir dos ruídos – que vão desde os tiroteios aos gritos de mães -, realiza-se também uma discussão sobre a posição da mulher e o seu papel enquanto cuidadora e mãe, abordando as expectativas daquele grupo. Estas expectativas reafirmam convenções de gênero e deixam evidente a moralização do lugar feminino e da condição materna. Para além da violência estatal e dos agentes do crime organizado, dos controles e vigilâncias difusos, no Tripé, a outra dimensão da sociabilidade dos moradores aqui abordada diz respeito à vulnerabilidade e à precariedade.

Leia o artigo de Viviane Mattar e outros em https://www.scielo.br/j/csc/a/YH6nv6WMb74xN38cnq5WvMJ/?format=pdf&lang=pt

Neste texto, será explorada a gênese da ideia de “cidadão de bem” e seu uso peculiar no cenário de acumulação social da violência no Rio de Janeiro. A partir de uma análise dos comentários de leitores de reportagens sobre operações policiais de um jornal on-line, destrinchamos os sentidos por meio dos quais os autointitulados “cidadãos de bem” definem um Outro que, por oposição, lhes dá forma e conteúdo central. Igualmente é feita uma análise da noção de cidadania no Brasil e das distorções por que passa em um cenário de “violência urbana” em que há uma crença nativa em “portadores da sociabilidade violenta”. A categoria “cidadão de bem” sustenta-se na diferenciação de seus portadores daqueles que não são “sujeitos direitos”, no limite, os “inimigos” da ordem societal almejada.

Leia o artigo de Michel Misse e Vittorio Talone em https://www.scielo.br/j/dilemas/a/7X3ZtsvMJn7kZbmnk6xLnkq/?format=pdf&lang=pt

Quando a corrupção é contextualizada no dia a dia das organizações, o foco ético pode estar no uso da moralidade para transmitir ideias sobre o que é aceitável ou não.

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