Este artigo aborda as dinâmicas morais em torno da ajuda na saúde em um município fluminense. A partir dos dados etnográficos, coletados entre 2013-2017, mostra como os favores e o trabalho na saúde concorrem para fazer políticos, potencializar carreiras e influenciar positivamente no êxito eleitoral, desde que os sujeitos implicados não transgridam certas fronteiras éticas e códigos morais tacitamente estabelecidos, a partir dos quais os munícipes estabelecem suas expectativas e qualificavam o comportamento dos políticos locais. Considerando que os dramas relacionados às enfermidades e/ou à morte são tidos como inegociáveis – fora do circuito das dádivas interessadas, a ajuda na saúde se torna um terreno movediço para os políticos que ignoram ou contrariam os valores sociais concebidos como importantes para a comunidade. Sendo assim, o artigo evidencia que a prática não gera recompensas eleitorais automáticas, ao contrário, em certas circunstâncias pode inclusive desprestigiar o político, fazendo-o perder apoio e voto, pois os eleitores agenciam esses atos de ajuda (de dar ou de negá-la) observando, interpretando e agindo, às vezes estrategicamente, em função das distintas abordagens: se prestativa ou se interesseira.
Leia o artigo de Gilmara Gomes da Silva Sarmento em https://www.scielo.br/j/mana/a/TWH7mjZr5FV7DmhrcG4D3PC/?format=pdf&lang=pt