Leonardo

Como podemos definir os desafios locais de inovação que são centrados no usuário, mas também abordam objetivos estratégicos, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)? Propomos um processo de design que apresenta uma contribuição relevante para as práticas no campo das políticas de inovação orientadas para a missão (em inglês, Mission-oriented Innovation Policies – MIPs), uma vez que vai dos grandes desafios societais (em inglês, Grand Societal Challenges – GSCs) aos desafios locais de inovação, que são mais relevantes para as necessidades locais e capacidades de solução. O principal objetivo do processo de desenho é passar de um GSC, como o “acesso à saúde” e uma de suas missões, como “reduzir as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)”, para um desafio de inovação mais capaz de resolver, passando pela sua missão, diferentes problemas e aspectos. Os métodos de amostragem bola de neve nos permitem encontrar e mobilizar assuntos elegíveis e técnicas de design thinking para processar o mapeamento de problemas, eleição e agrupamento, e criar declarações de desafio. Foi possível traduzir o GSC para a realidade local, reduzindo a contestação e a complexidade, e produzindo um mapa agrupado de problemas com priorização e três declarações de problemas (desafios) com formulação aberta e critérios de solução para promover os resultados desejados pelos usuários.

Leia o artigo de Hugo Medeiros e outros em https://www.scielo.br/j/rap/a/VRNRfcqPGQ6WTnb6nxGqnzG/?format=pdf&lang=pt

As ambivalências sobre o que é o desenvolvimento pairam no campo acadêmico devido às diferentes vertentes teóricas e paradigmáticas nas quais o conceito foi concebido, resultando em uma polissemia explicativa. Essa polissemia refletiu em práticas discursivas e ações políticas que, mediadas por determinada vertente ideológica, promoveram a construção de políticas públicas de variadas ordens ancoradas ao conceito. Como reflexo, há existência de políticas públicas que são conflitantes do ponto de vista do seu objetivo e conteúdo, mas que são expressadas pelo mesmo ideário – o desenvolvimento. Partimos da tese que o desenvolvimento é um conceito polissêmico e multidimensional, que necessita ser repensado a partir do exercício da Cidadania Efetiva enquanto instância (i)material resultante e condição do desenvolvimento. A metodologia utilizada foi a adoção de uma revisão da literatura acerca do conceito de Cidadania, Políticas Públicas e Gestão Territorial. O resultado alcançado foi de que políticas públicas com diferentes finalidades foram construídas a partir de dimensões diferentes do desenvolvimento, estas que negligenciaram o alcance da cidadania como condição indispensável à ação política-democrática-decisória na construção, execução e avaliação das políticas públicas. A cidadania é, pois, elemento central para que o desenvolvimento ocorra dentro de uma ação política, cujos interesses comunitários permitam que a espacialização do desenvolvimento seja convertida através e a partir da territorialidade de desenvolvimentos (alternativos) considerando as diferentes escalas, atores e processos envolventes.

Leia o artigo de Jhonatan dos Santos Dantas e Sergio Fajardo em https://www.cadernosdodesenvolvimento.org.br/cdes/article/view/732/pdf

O objetivo deste trabalho é mensurar a contribuição da indústria brasileira para o desenvolvimento a partir da análise do processo de transformação estrutural entre 2000 e 2019. Tal mensuração será analisada em três dimensões: (i) produtividade, (ii) remuneração média das ocupações e (iii) sofisticação das exportações. A relação entre transformação estrutural e desenvolvimento será analisada em perspectiva comparada aos principais países de renda média. Para além da vigência de um processo de desindustrialização, este trabalho contribui com a literatura ao demonstrar que este processo associa-se à redução da contribuição da indústria ao desenvolvimento.

Leia o artigo de Antônio Carlos Diegues e outros em https://www.economia.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD468.pdf

No diagnóstico da modernidade de Max Weber o termo Beruf pode ser entendido como uma coordenada simbólica fundamental para a orientação da sociedade ocidental na direção do desenvolvimento industrial. Sendo assim, o diagnóstico weberiano é um diagnóstico de tempo que diz respeito a uma certa dialética ação-estrutura por meio da qual a cultura ocidental modela a subjetividade humana, ao mesmo tempo em que aquela resulta ser historicamente singular por causa da ação típica desta última. Na contemporaneidade, o ideal cultural de homem profissional haveria perdido drasticamente o poder simbólico holístico que outrora teve para determinar tanto o sentido da condição humana como sua inscrição na estrutura básica da sociedade. A crise deste ideal cultural pode ser vista como uma condição de possibilidade para as transformações substantivas do capitalismo a partir da segunda metade do século XX, bem como incidindo de maneira decisiva no mal-estar na subjetividade e no enfraquecimento do laço social dos dias atuais. Desta forma, o presente artigo pretende articular um debate teórico, que combine elementos do plano da ação e da estrutura social, que contribua à elaboração de um diagnóstico social mais amplo sobre a incidência da depreciação do dever profissional no enfraquecimento do laço social e no mal-estar atual na subjetividade.

Leia o artigo de María Cecilia Ipar em https://www.scielo.br/j/rbcpol/a/CnvTtXVxPQDtxGHFWj3vjKR/?format=pdf&lang=pt

Este estudo se dedica a analisar o impacto das demissões em massa de trabalhadores em razão do emprego da tecnologia, sob a perspectiva do meio ambiente do trabalho. O recorte considera o fato de que o meio ambiente tem diversos elos, como o meio ambiente natural ou ecológico, o artificial, o cultural e, além desses, como previsto no art. 200, VIII, da Constituição brasileira, o meio ambiente do trabalho. Trata-se de uma análise emergencial, uma vez que reflete sobre o contraponto entre a velocidade do emprego tecnológico e a consequente substituição do trabalho humano em escala sem precedentes. Esse fenômeno relega uma massa de pessoas à margem de proteção, aumentando a miséria e a desigualdade social, o que, consequentemente, demonstrará que a adoção irrefletida da tecnologia pode se tornar insustentável. Assim, com base na análise de dados estatísticos sobre o desemprego tecnológico, faz-se uma pesquisa bibliográfica multidisciplinar que permeia o Direito, a Filosofia e a Economia e, a partir das evidências encontradas, critica os vieses acadêmicos que restringem o olhar para a tecnologia apenas como redentora, fato que não se confirmou, até o momento, na realidade brasileira.

Leia o artigo de Paulo Caliendo e Plínio Gevezier Podolan em https://www.scielo.br/j/vd/a/MXSmk6yBMVmm5hb97BHMp4g/?format=pdf&lang=pt

Tem surgido uma vasta gama de estudos sobre a precarização dos trabalhos uberizados, todavia, há uma lacuna referente a como esses trabalhos precários se integram ao movimento global de valorização e apropriação privada de valor. Assim, este ensaio objetiva a apreensão do movimento de reprodução do capital cuja base material concretiza-se nas dinâmicas das plataformas digitais, demonstrando as diferentes formas como o trabalho intermediado é engendrado no processo global de acumulação. Com uma abordagem materialista histórica, analisamos o fenômeno da uberização do trabalho no movimento de expansão da produção e circulação de mercadorias, perscrutando a dinâmica das principais empresas-plataformas quanto à sua relação com trabalhadores(as) e clientes, desvelando mediações no movimento do valor, que culmina em três formas de intermediação do trabalho: (a) Forma 1: como mercadoria de meio de consumo individual, (b) Forma 2: com parte dos processos de trabalho de um capital industrial, e (c) Forma 3: como moderador de relações de troca. Concluímos indicando que as três formas dos produtos na uberização nos ajudam a perceber como este processo de produção da mercadoria submete homens e mulheres às condições de trabalho precárias e ao aumento da exploração. As Formas 2 e 3, mais complexas e mediadas, demonstram como a uberização do trabalho se espraia na cadeia produtiva e propicia a extração e atração do mais-valor alhures, denotando o caráter imperialista da dinâmica capitalista nos dias atuais.

Leia o artigo de David Silva Franco e outros em https://www.scielo.br/j/osoc/a/zH4jGR87cRqFxsgVSZFp7hB/?format=pdf&lang=pt

Este estudo abordou os efeitos da infraestrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no crescimento econômico global, analisando uma amostra de 122 países de 2005 a 2017. A metodologia, seguindo Hansen (1999), segmentou a amostra com base no PIB per capita, revelando impactos distintos das TICs, dependendo do valor threshold específico de cada país. A banda larga, no primeiro regime, não mostrou significância estatística, enquanto as assinaturas móveis de celular e banda larga, no segundo regime, apresentaram coeficientes mais expressivos. No terceiro regime, essas assinaturas mantiveram um impacto positivo, embora com efeito menor. A análise dos fatores macroeconômicos revelou que o comércio impacta negativamente os países dos dois primeiros regimes, o desemprego tem maior impacto no segundo regime, e as despesas de consumo final das administrações públicas afetam todos os regimes, decrescendo com o aumento do PIB per capita. As implicações teóricas enfatizam a necessidade de abordagens flexíveis na formulação de teorias sobre a relação entre TICs e crescimento econômico. Nas implicações práticas, destacam-se recomendações para políticas de investimento em TICs, adaptação de políticas comerciais conforme os regimes de threshold. Os resultados indicam que políticas de investimento em infraestrutura de TICs podem efetivamente impulsionar o crescimento econômico. As contribuições científicas incluem o refinamento de modelos exploratórios, a validação empírica da relevância global das TICs e o apoio ao desenvolvimento de políticas embasadas em evidências. Apesar das contribuições, são reconhecidas limitações relacionadas ao acesso a dados completos, sugerindo futuras pesquisas para aprofundamento.

Leia o artigo de Marco Aurélio Vieira e Paulo Sergio Ceretta em https://www.economia.unicamp.br/images/arquivos/artigos/ES/81/Vieira_e_Ceretta_1.pdf

Partindo de dados para o período 1988-2020, examina-se comparativamente o grau de abertura ao comércio exterior da economia brasileira. O indicador mais abrangente demonstra que o Brasil não tem a economia mais fechada do mundo. Com efeito, o coeficiente da corrente de comércio duplicou ao longo daqueles 33 anos e aumentou adicionalmente no biênio 2021-2022. Ademais, a exposição ao comércio do Brasil não destoa da observada nas quatro maiores economias do mundo. Por fim, a economia brasileira tem sido relativamente menos aberta às importações do que às exportações e, sobretudo, mais fechada no comércio de serviços do que no de bens.

Leia o artigo de Marcelo Pinho em https://www.scielo.br/j/rbi/a/FQNTz6BGCBCgNLnRXSQ8vDv/?format=pdf&lang=pt

Se pretende contribuir al debate polifacético actual sobre el periodo posterior a la crisis financiero-productiva global de 2007-2009, introduciendo la problemática del pasaje del capitalismo a una nueva fase de desarrollo y la existencia de diversas vías nacionales de emprendimiento de la fase seguidas por grupos de países. La ilustración de esa aproximación mediante el estudio de las experiencias de EE.UU. y China apunta a que la actual crisis no obedece a un agotamiento de la fase de desarrollo, el capitalismo del conocimiento, sino se trata de una crisis del neoliberalismo como su vía de emprendimiento predominante, a la cual, se argumenta, le es consustancial la llamada financiarización – sin ser, por tanto, propia de la fase. En contrapartida, lo que tiene lugar en China es un proceso de “financiarización a la inversa” en el marco de la vía asiática seguida –. Con ello se aporta a despejar la controversia imperante en la literatura sobre la financiarización en relación con los alcances y limitaciones tanto teóricas como históricas de ese concepto.

Leia o artigo de Sergio Ordóñez e Thiago Araujo do Pinho em https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/ES/84/4_ORDONEZ_e_PINHO.pdf

As análises das implicações da financeirização na dinâmica produtiva-tecnológica tem se cristalizado em posturas polarizadas. De um lado estão aqueles adeptos de uma financeirização dinâmica, para os quais esta última amplia as possibilidades de desenvolvimento do capitalismo, de outro, os partidários da financeirização parasitária advogando não só a maior instabilidade e propensão a crises deste sistema, como o surgimento de bloqueios ao dinamismo produtivo-tecnológico. A abordagem proposta nesse texto combina elementos das duas posturas, sugerindo a hipótese de uma financeirização desigual ou assimétrica.

Leia o artigo de Ricardo Carneiro em https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD487.pdf