24/02/2026

Em busca de se tornar um país inovador até 2049, para o centenário da República Popular da China, o recente crescimento econômico chinês impressiona e dá a essa nação a previsão de ocupar o posto de primeira economia mundial até 2030. Desempenho este que despertou o interesse de compreender de que modo a relação entre Estado, universidade e empresa tem contribuído para tal desenvolvimento econômico. Para tanto, esta investigação, de caráter exploratório, fez uso de pesquisas bibliográfica, documental e de campo (entrevistas e aplicação de questionário). Os dados foram tratados por meio de análise de conteúdo teórica, com as categorias teóricas elaboradas a partir da teoria Tríplice Hélice e Transferência do Conhecimento. Os achados indicam se tratar de uma relação virtuosa, que ocorre de forma assimétrica com um Estado de múltiplas responsabilidades e comprometido com as forças propulsoras do desenvolvimento econômico, oscilando entre um “Estado forte” e um “Estado efetivo”.

Leia o artigo de Rosilene Carla Vieira e outros em https://www.scielo.br/j/ensaio/a/WWJqzRQSV49ptg7D5HntJMt/?format=pdf&lang=en

Este estudo analisa como governos estaduais implementam as modalidades especiais de contratações públicas de inovação (CPIs), identificando obstáculos e práticas adotadas para superá-los. Trata-se de uma pesquisa observacional, descritiva, com desenho comparativo de corte transversal. Analisaram-se os governos estaduais e o distrital. A coleta de dados ocorreu através de análise documental da legislação e dos contratos públicos de inovação, além de entrevistas semiestruturadas. Os resultados evidenciam que as CPIs nos estados brasileiros ainda são incipientes devido à novidade do tema, à elevada percepção dos riscos associados à inovação e ao excesso de burocracia no setor público. Embora haja uma visão positiva sobre os CPIs e esforços empreendidos para implementá-los, conclui-se que ainda existem desafios a serem superados, como capacitar os agentes públicos e promover uma cultura de inovação.

Leia o artigo de Izabel Sabino de Sousa e James Batista Vieira em https://www.scielo.br/j/rbi/a/HQ4XRQMLQxRN7FnYnCSfSYk/?format=pdf&lang=pt

Na área de difusão de políticas públicas, existem lacunas tanto na utilização de dados massivos quanto na estimativa do quão similares as políticas são. Tomando como base as normas de inovação no nível subnacional brasileiro, propomos e aplicamos um modelo de análise de similaridade das políticas de inovação a partir do reuso de texto entre leis e leis complementares que instituem marcos regulatórios estaduais de inovação ou que regulamentam a legislação federal de inovação no nível estadual. Observou-se que: a) as normas foram adotadas em duas fases, correspondentes às publicações da legislação federal em 2004 e 2016, b) as políticas são bastante similares, com alto grau de reutilização de texto, resultando em legislações com estruturas e conteúdos muito parecidos, c) embora as fases sigam as publicações das normas federais, as leis dos Estados de uma mesma região tendem a ser mais semelhantes entre si do que em relação à legislação federal. Isso indica que o reuso de texto é uma ferramenta eficaz para analisar a similaridade entre políticas e destaca que, em contextos de federalismo com baixa coerção, a difusão de políticas públicas tende a ocorrer em ondas, ligadas a eventos específicos, como novas legislações federais. No entanto, essa difusão ocorre de forma horizontal e por proximidade regional, com legisladores estaduais incorporando dispositivos de leis de unidades vizinhas, indicando a presença de mecanismos de emulação e competição entre eles.

Leia o artigo de Hugo Medeiros e Fabiana Costa em https://www.scielo.br/j/rsocp/a/QNL7spwKtrmFj8RKwxtqJmD/?format=pdf&lang=pt

Este estudo examina a relação entre as políticas estaduais de inovação no Brasil e o índice de inovação dos estados sob a perspectiva dos sistemas regionais de inovação. A pesquisa é classificada como qualitativa exploratória e abrange políticas de inovação estabelecidas por meio de leis e decretos estaduais editados até 2017 e no período entre 2018 (ano em que o primeiro índice foi divulgado) e 2021, a fim de entender como as políticas promulgados nesse período potencialmente contribuíram para os índices de inovação dos cinco estados mais inovadores em 2021. Assim, as disposições legislativas sobre inovação dos 27 estados brasileiros foram classificadas e examinadas sob as dimensões estrutural, financiamento e interação. Como resultados, quatro achados que podem ajudar a explicar o avanço ou a manutenção da posição desses estados no ranking de inovação foram apresentados. O estudo oferece contribuições teóricas e práticas sobre políticas de inovação no contexto dos estados brasileiros.

Leia o artigo de Nicole Cecchele Lago e outros em https://www.scielo.br/j/rbi/a/dW8R8vHQdqbNXnR8mCmVJdD/?format=pdf&lang=pt

Using the knowledge base theory, which classifies knowledge into analytical, synthetic, and symbolic types, this paper aims to analyze Brazil’s spatial pattern of knowledge distribution in two periods, corresponding to a growth and a downturn phase. The methodology relies on occupational data segmented by knowledge types. Results show that the core region still creates a conducive environment for symbolic, synthetic, and analytical knowledge types, although the regional gap is reducing. Such a spatial pattern can only be understood as an intrinsic outcome of interconnections between Brazil’s regional formation process and its position in the global economy. This paper contributes to the discussion on regional disparities by interpreting the results drawing on aspects of the evolutionary economic geography (EEG), the Latin American dependency theory, and the geographical political economy (GPE), together with the hypothesis of uneven and combined development.

Leia o artigo de Ana Cristina Fernandes e Fernando Mesquita em https://www.scielo.br/j/rbi/a/mvmHjWpVzHbznMgKBjxRYfm/?format=pdf&lang=en

O objetivo principal do presente estudo é entender quais critérios influenciam o processo decisório de seleção das melhores startups em inovação por um fundo de venture capital, na visão dos investidores, profissionais de fundos de venture capital e empreendedores de startups entrevistados. Apresentamos algumas ideias sobre as características das principais cidades que promovem inovação e os ideais do modernismo e do modernismo crítico (Habermas) e do pensamento criativo (Einstein). As entrevistas confirmaram diversas relações entre as hipóteses encontradas na literatura sobre teoria organizacional. Achados como os ambientes pós-burocráticos (Heckscher) e a proposta de adhocracia de Mintzberg (1995), assim como a Teoria da Escolha Racional de Herbert Simon (1987) e seus estudos sobre o processo decisório nas organizações pelo reconhecimento de padrões cognitivos pelos decididores, foram corroborados pela análise das entrevistas. Foram elaboradas entrevistas semiestruturadas (nove, no total) com profissionais de fundos de venture capital, empreendedores de startups e investidores com alguma experiência no mercado em questão. A importância do tema resiliência organizacional também foi ressaltada, e, no fim, sugere-se o estudo sobre a abertura de novos espaços de criação de startups e inovação, como a Station F, em Paris, França, o espaço La Nave, em Madri, e o projeto Porto Maravilha, no Rio, e de centros urbanos de inovação, como a Vila Olímpia e a Avenida Paulista, em São Paulo.

Leia o artigo de Isabella Francisca Freitas Gouveia de Vasconcelos e outros em https://www.scielo.br/j/cebape/a/QrmcFysBBfjfB7RWSYS7Lmd/?format=pdf&lang=pt

As discussões em torno da política orçamentária discricionária têm evidenciado que seu uso agressivo pode acarretar impactos negativos no desenvolvimento econômico. Neste estudo, investigamos essa política como uma consequência de práticas rent-seeking, examinando empiricamente seu efeito sobre o orçamento público, maiormente na dimensão dos gastos na área da saúde realizados pelos municípios de Mato Grosso, durante o escândalo da “Máfia das Ambulâncias” (2001 a 2006). Nossos resultados apontam para um aumento significativo nas medidas de política orçamentária discricionária durante o caso de corrupção, principalmente entre os municípios envolvidos, sugerindo uma maior agressividade na execução do orçamento das despesas na função de saúde. Além disso, nossas descobertas destacam que o uso excessivo dessa política pode não apenas prejudicar o estado atual da economia, mas também ter impactos negativos nos indicadores de desenvolvimento social. Em suma, quanto mais os gastos públicos ultrapassam um nível ótimo, mais danos tendem a causar à saúde da população local. Essa relação entre a política orçamentária discricionária e o IFDM-Saúde foi claramente observado no contexto da “Máfia das Ambulâncias”.

Leia o artigo de Paulo Sérgio Almeida-Santos e outros em https://www.scielo.br/j/rbcpol/a/JRbrYPLGqkDJrC3dXST7DBq/?format=pdf&lang=pt

O controle externo municipal exercido pelos Tribunais de Contas permite, por meio da divulgação dos relatórios de auditoria, conhecer as irregularidades encontradas nas contas dos governos municipais. Elas têm sido analisadas empiricamente, do ponto de vista de sua classificação em termos de gravidade, mas poucos são os estudos que visam identificar os fatores que influenciam tais falhas. Constatada essa lacuna, o principal objetivo deste estudo é identificar fatores que possam influenciar lapsos na gestão pública municipal apontados pela auditoria do Tribunal de Contas. Este artigo contribui para aprofundar a pesquisa em torno desse tema e para a melhoria da gestão nos municípios. Trata-se de uma análise exploratória, baseada em modelos econométricos para dados em painel. A amostra inclui 179 municípios paulistas, com dados relativos aos anos de 2011, 2013, 2015, 2017 e 2019. Os resultados sugerem que as recomendações e as determinações do Tribunal de Contas, bem como lacunas nos controles internos, influenciam irregularidades em municípios pequenos, médios e grandes. O volume de transferências legais e constitucionais recebidas influenciam os municípios pequenos e médios, ao passo que o produto interno bruto (PIB) municipal tem influência nos municípios médios.

Leia o artigo de Abinair Bernardes da Silva e outros em https://www.scielo.br/j/rap/a/5CNWF69TmrGVkrPjvQWq3ZR/?format=pdf&lang=pt

O artigo analisa a relação entre percepção de corrupção e legitimidade democrática na América Latina a partir da estrutura multidimensional da legitimidade. Além disso, nosso trabalho diferenciou a percepção de corrupção em duas variáveis independentes: políticos e funcionários públicos. Utilizamos uma metodologia quantitativa ancorada em dados do survey do Barômetro das Américas (BA) em sua rodada de perguntas 2018/2019. Os resultados do estudo indicam que a percepção de corrupção enfraquece a legitimidade democrática na América Latina não apenas nos níveis mais específicos de apoio político, mas também no próprio apoio aos objetos mais difusos do regime, comprometendo a legitimidade e a estabilidade da democracia na região. Nossos resultados também sugerem que o impacto da percepção sobre a legitimidade difere quando a variável independente são os políticos ou os funcionários públicos, sendo mais deletério para o regime quando os cidadãos percebem a classe política como corrupta.

Leia o artigo de Tailon Rodrigues Almeida e Gabriel Avila Casalecchi em https://www.scielo.br/j/rbcpol/a/JRrqk7h6ggKyMVdcVMsdSWR/?format=pdf&lang=pt

A corrupção tem impacto nas economias, afetando o progresso social e o crescimento econômico. Sua incidência varia entre países, sendo mais comum em nações em desenvolvimento, o que pode afetar os índices de inovação. A relação entre felicidade, inovação e corrupção, influenciada pela liberdade econômica, é um tema de estudo interligado. Neste trabalho foi adotada uma metodologia de pesquisa quantitativa, de natureza descritiva, na qual os dados foram obtidos por meio da coleta de informações contidas em relatórios e em conjuntos de dados relacionados aos índices examinados. O escopo da pesquisa abrange a análise de índices de relevância global, envolvendo uma amostra de 119 países, com o propósito de contribuir para o avanço do conhecimento nas áreas relacionadas a esses índices. Evidenciou-se que países com alta liberdade econômica e baixo índice de corrupção apresentam alto índice de felicidade e inovação. Além disso, em ambientes reprimidos há baixo índice de felicidade, e países com liberdade econômica apresentam felicidade alta. Também foi evidenciado que a corrupção gera felicidade em ambientes reprimidos e reduz a percepção de felicidade em ambientes livres. De modo similar, a felicidade aumenta conforme aumenta o índice de liberdade econômica. Assim, promover felicidade, inovação e combater a corrupção são objetivos interconectados que requerem uma análise estratégica.

Leia o artigo de Daiane Migliolli Yetika e Nelson Hein em https://www.scielo.br/j/read/a/ZJnhZmY8BT8dx5JFDsxJhmK/?format=pdf&lang=pt