23/02/2026

Em um contexto de crise dos paradigmas modernos de desenvolvimento, os discursos culturais passam a ser reconhecidos como elementos estratégicos na consolidação de novos modelos e indicadores capazes de garantir as devidas conexões entre cultura e desenvolvimento. A partir de um pensamento complexo acerca destas conexões, o artigo em questão amplia os significados das expressões desenvolvimento e cultura, com o objetivo de enriquecer a reflexão acerca das políticas públicas no Brasil.

Leia o artigo de Cláudia Sousa Leitão em https://revistas.uece.br/index.php/opublicoeoprivado/article/view/2357/2132

Este artigo tem como objetivo analisar como as ações relacionadas ao requerimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Constituição Federal de 1988 e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), tanto no que se refere a novos requerimentos quanto à manutenção dos benefícios já concedidos, têm se tornado cada vez menos acessíveis devido às atuais estratégias de gestão. Além disso, discute as dificuldades de articulação entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a política de assistência social nos municípios brasileiros.

Leia o artigo de Vanessa Rodrigues Moreira e Geraldo Márcio Timóteo em https://www.scielo.br/j/sssoc/a/GKQKMfwGcHjSZpKdKm59vRC/?format=pdf&lang=pt

Desde seu aparecimento, a política de reserva de vagas na educação superior tem suscitado críticas. Uma delas, conhecida como a hipótese da incompatibilidade, argumenta que os estudantes cotistas, possivelmente menos qualificados, enfrentam desafios adicionais para acompanhar os cursos, o que resultaria em maiores taxas de evasão e menores índices de conclusão. Para examinar essa hipótese em um contexto abrangente, conduziu-se uma análise para toda a rede federal de ensino superior. Compararam-se as probabilidades de desligamento e conclusão de alunos cotistas e não cotistas, mediante um modelo logístico multinomial. Além disso, estimaram-se os tempos levados para a conclusão do curso por meio do modelo de sobrevivência de Cox. Não foi encontrado apoio para a hipótese da incompatibilidade.

Leia o artigo de Danilo Braun Santos e outros em https://www.scielo.br/j/aval/a/dgBsq5fgJcZBcGqsqc3kMTM/?format=pdf&lang=pt

O objetivo deste artigo é abordar a Indústria 4.0 como o cerne de um novo paradigma de produção – o ciberfordismo – que emergiu no bojo do estágio ultraneoliberal do capitalismo. Primeiramente, apresentamos as características da Indústria 4.0 para evidenciar como ela radicaliza os processos de automação da produção e de inserção da inteligência artificial nos processos decisórios. Em seguida, retomamos os contornos dos paradigmas fordistas e pós-fordistas de produção, demarcando a continuidade entre estes e o ciberfordismo, bem como apontando a desconstrução do compromisso fordista e do Estado de bem-estar em sua transição para os modelos de flexibilização pós-fordistas e neoliberais. Discutimos também as características do paradigma ciberfordista, que maximiza os propósitos do fordismo clássico, uma vez que tende a tornar prescindíveis a mão de obra qualificada e até mesmo os próprios gerentes. Na conclusão, destacamos as contribuições do artigo e recomendações para futuras pesquisas.

Leia o artigo de Ana Paula Paes de Paula e Ketlle Duarte Paes em https://www.scielo.br/j/cebape/a/jdPSyBLskZhg6MBgfWKXBsF/?format=pdf&lang=pt

A acessibilidade tem relação direta com qualidade de vida e sustentabilidade. Medidas de acessibilidade ganham espaço em estudos sobre exclusão social, principalmente nas cidades, já que a maioria da população mundial é urbana. Este estudo concentra-se em Curitiba, onde surgiu uma solução de mobilidade – o Bus Rapid Transit (BRT) implantado desde 1974, mas apresentando rápido crescimento das periferias e matriz modal baseada em transporte não sustentável – sobretudo o automóvel – cujas infraestruturas favorecem grupos de rendas mais altas. Assim, procurou-se investigar como se configura a variação espacial do acesso a oportunidades por meio de transporte público e pedonal aos serviços essenciais, propondo um índice composto de acessibilidade sustentável, a fim de contribuir à análise da equidade na distribuição do acesso às oportunidades e sua relação com características socioeconômicas. O índice composto e os parciais mostram que os valores estão muito aquém do que poderia ser considerado uma distribuição equitativa.

Leia o artigo de Paulo de Almeida Correia Junior e outros em https://www.scielo.br/j/asoc/a/d4pdHYjFxnfbsvg8JDbkP5G/?format=pdf&lang=pt

O mundo atravessa uma jornada convulsionada. Guerras e escalada do protecionismo, entre outros movimentos, criaram um ambiente geopoliticamente atípico. Um ineditismo que escancara a importância de o Brasil fazer bem a lição de casa: não errar naquilo que dependa de nós. Esse caminho exige diálogo. Precisamos de um debate verdadeiro sobre temas fundamentais para o futuro sustentável do Brasil. Isso exige que ao redor estejam a academia, o setor produtivo, representantes do poder público e sociedade civil. Construção necessária para que, em mares turbulentos, o Brasil navegue no rumo correto. Atualmente, há assuntos para os quais nossa bússola parece desorientada. Entre eles, vale destacar três agendas que merecem atenção.

Leia o artigo de Paulo Hartung e outros em https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/09/quando-falta-dialogo-sobram-riscos.shtml

A tolerância é um dos fundamentos da cultura política democrática. Mas, será que o indivíduo que tolera todos os grupos, de forma irrestrita, é, de fato, quem melhor representa a cidadania democrática? Este artigo testa empiricamente essa pergunta com base nos dados da pesquisa pós-eleitoral “Clivagens no Brasil”, realizada em 2023, contrastando uma tipologia com três perfis de tolerância política: 1) o tolerante incondicional, que tolera todos os grupos, 2) o intolerante em relação a grupos que ameaçam a democracia e suas normas, e 3) o intolerante a grupos que não representam ameaça à democracia. Os resultados mostram que, ao contrário do que supõe a literatura clássica, o segundo perfil tem um maior compromisso com a democracia. Nosso estudo, oferece uma perspectiva que permite avaliar a tolerância política em um contexto de ameaça à democracia

Leia o artigo de Mario Fuks e outros em https://www.scielo.br/j/dados/a/5gqfxs5Yg8X7Vj3fWBHzGbq/?format=pdf&lang=pt

O objetivo deste artigo é discutir a renda da terra como base para análise das questões urbana e agrária. Para isso, realizamos um estudo temático cuja análise seguiu o método materialista histórico-dialético. Debruçamo-nos sobre os estudos desenvolvidos por Marx e Engels, além de elaborarmos uma pesquisa bibliográfica complementar. Buscou-se desvelar o laço que unifica a essência de duas expressões da questão social: a propriedade privada da terra e o processo de sua valorização a partir do trabalho incorporado à terra.

Leia o artigo de Raphael Martins e Caroline Magalhães em https://www.scielo.br/j/sssoc/a/sjXjmbgZfxgm4nyzrMWb6hj/?format=pdf&lang=pt

O Programa Escola Cívico-Militar (PECIM) na Educação Brasileira teve como propósito implantar 216 escolas cívico-militares em todo o país até 2023. O modelo implementado pelo Ministério da Educação objetivava ser um reforço para as escolas públicas, baseando-se no dito “alto nível” dos colégios militares do Exército. Tal programa tem servido para enaltecer a adoção de práticas disciplinares militares como estratégia de aprimoramento e sucesso na educação. Considerando o contexto contemporâneo em que se apresenta o PECIM, este artigo problematiza o cenário da atualidade, questionando as condições de possibilidade a partir das quais se instaura o programa. Para dar conta dessa problematização, realizou-se um diagnóstico do presente, com a relação e o embasamento deste artigo, de cunho pós-estruturalista, em Michel Foucault e sua arqueologia, aprofundando questões de saber-poder de cada época, para localizar-se, por meio de discursos e enunciados, as condições históricas e, a priori, o discurso de militarizar a educação pública, que tomou força e alcançou o lugar de poder. Foucault, em seus estudos, subverte a noção de linearidade e de pensamento analítico, mostrando as historicidades descontínuas, além disso, problematiza a “verdade” vista como absoluta, universal, investigando o “dito verdadeiro”. O repositório de teses e dissertações da CAPES serviu como instrumento de análise para averiguar-se, por meio de produção científica, a racionalidade da época, que deu condição de possibilidade para a instauração do programa.

Leia o artigo de Juliana Boanova Souza Ferreira e Suelen Assunção Santos em https://www.scielo.br/j/edur/a/f456RCr9gkwkfhZ4H7NvhNt/?format=pdf&lang=pt

A partir de diários de campo, entrevistas e dados secundários, este estudo reconstrói a mobilidade de uma pessoa, Alecsandro, sobrevivente do cárcere, e de uma moto, Honda Pop, por diferentes regiões do Brasil. Motocicletas de baixa cilindrada são instrumentos básicos do trabalho precário e criminalizado que conectam mercados informais, ilegais e legais entre diferentes regiões do Brasil. Neste trabalho argumenta-se que as mobilidades marginais de pessoas e bens ajudam a compreender “coronelatos” e “facções” como lógicas políticas sobre mercados, também produtoras de violência e desigualdade em pequenas e médias cidades por todo o Brasil.

Leia o artigo de Fernando de Jesus Rodrigues e outros em https://www.scielo.br/j/dilemas/a/rg45DvPC5gXgtNXfhkptznN/?format=pdf&lang=pt