23/02/2026

Este artigo procura analisar a relação entre a moldura institucional e as transformações nas políticas de desenvolvimento produtivo chinesas após o início das Reformas Econômicas de 1978. Parte-se da hipótese de que o êxito dessa estratégia de desenvolvimento decorre, em grande medida, da capacidade de coevolução entre as transformações nas esferas institucional e política. Isso porque este processo seria condicionado por uma “moldura institucional” estabelecida pelo planejamento econômico, que ainda preserva características de centralização. O ritmo e a configuração dessa coevolução seriam, em última instância, condicionados pelos desafios e contradições inerentes às transições entre os distintos estágios do desenvolvimento chinês. Como principal contribuição à literatura, o texto pretende propor um desdobramento teórico, necessário para abordar a complexidade e a dimensão do desenvolvimento econômico chinês das últimas décadas. A partir de diferentes abordagens institucionalistas, destaca-se uma perspectiva macro institucional do desenvolvimento, compatível com a noção de composição e configuração da “matriz institucional”, bem como com a ideia de que, no caso chinês, é fundamental abordar a noção de “moldura institucional”, dado o forte componente de planejamento/planificação da sua economia nacional, que se estende por todas as esferas administrativas e abrange também o setor privado, nacional e estrangeiro. Assim, conclui-se que no que se refere aos aspectos institucionais, o desenvolvimento econômico chinês é bastante singular.

Leia o artigo de Adriano José Pereira e Antonio Carlos Diegues em https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD482.pdf

Estratégias de produção e distribuição de alimentos são essenciais para a resiliência e promoção da sadia qualidade de vida urbana. Nas cidades brasileiras, 27 milhões de pessoas estão em grave insegurança alimentar. O planejamento urbano, a ação climática local e a segurança alimentar incluem-se no escopo legal de ação dos municípios brasileiros, oferecendo oportunidades valiosas para fortalecer a resiliência urbana. Nesse contexto, a investigação buscou verificar se e como os municípios brasileiros coordenam políticas públicas para a resiliência urbana e com que resultados. Desenvolvido como um estudo de caso múltiplo abrangendo dez cidades brasileiras, o estudo compreendeu a análise qualitativa do conteúdo de documentos de políticas públicas utilizando o NVivo como ferramenta de tratamento, quantificação e categorização de dados. Os resultados mostraram grande variedade na amplitude e profundidade das ações de política pública, com diferentes níveis de maturidade e implementação, apontando oportunidades para futuras investigações e aprimoramentos de política pública.

Leia o artigo de Debora Sotto e Arlindo Philippi Jr. em https://www.scielo.br/j/asoc/a/RB7WzxdTLkkHmND7xRTpnLS/?format=pdf&lang=en

A presente pesquisa tem o objetivo de analisar as diferenças e similaridades dos métodos brasileiros de avaliação do desenvolvimento sustentável em propriedades agrícolas: Ambitec-Agro, APOIA-NovoRural e ISA. O método utilizado foi o de meta-estudo. Os resultados indicaram que os três métodos Ambitec-Agro, APOIA-NovoRural e ISA possuem cada um com suas similaridades e diferenças. Como conclusões, na escolha do método, deve-se dar especial ênfase à decisão sobre a delimitação na propriedade agrícola do que vai ser analisado (uma tecnologia, uma atividade agrícola ou a propriedade como um todo). Além disso, os três métodos partem de indicadores e foram estabelecidos a priori, o que impossibilita a opção de escolhê-los.

Leia o artigo de Laura Gonçalves Osorio e Marcelo Fernandes Pacheco Dias em https://www.scielo.br/j/asoc/a/k7m6JM8BBY5SGGsHf6srCVG/?format=pdf&lang=pt

O artigo revisa a política ambiental brasileira, observando seus mecanismos centrais, sustentando que estes se fundamentam em uma concepção de responsabilidade compartilhada no cuidado da natureza que vem sendo minada recentemente. A partir de três abordagens da teoria política que discutem os problemas de: coordenação da ação, deliberação e justiça ambiental, analisamos os mecanismos institucionais de responsabilidade enquanto proteção, participação e controle, observando a relevância e a justificação destes mesmos para a política ambiental. O artigo utiliza dados empíricos documentais, com o objetivo de refletir sobre os potenciais do modelo de política ambiental frente às implicações possíveis de sua deformação, concluindo que o caráter compartilhado da responsabilidade na política ambiental é o foco central das mudanças que vêm ocorrendo, o que coloca em risco uma importante dimensão democrática.

Leia o artigo de Cristiana Losekann e Raquel Lucena Paiva em https://www.scielo.br/j/asoc/a/HvDnjf38fzbMWrFJJnbV3Np/?format=pdf&lang=pt

A Constituição Federal de 1988 elevou a assistência social ao status de direito social e a inseriu no tripé da seguridade social, ao lado da saúde e da previdência. Contudo, a lei, por si só, não constrói a realidade. Para tirar o direito do papel e torná-lo palpável na vida de milhões de brasileiros, era preciso um sistema capaz de unificar e organizar as ofertas públicas e privadas. Foi desse anseio civilizatório e da mobilização de um número significativo de atores sociais que nasceu, em 2005, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) já como decorrência das deliberações da IV Conferência Nacional de Assistência Social realizada em dezembro de 2003. O SUAS é a espinha dorsal da assistência social brasileira, um projeto que estabeleceu a lógica da descentralização administrativa e da participação social, levando os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados (CREAS) para os territórios, garantindo que o direito chegasse a cada município e bairro.

Leia o artigo de Renato Francisco dos Santos Paula em https://aterraeredonda.com.br/20-anos-de-suas/

É possível atribuir inúmeros sentidos às oposições ao ambientalismo em sua trajetória histórica. Resguardadas as particularidades de casos específicos, o texto defende que, em regra, esse antagonismo no século XXI configuraria não uma mudança de estilo de governo, mas um vetor de ruptura. Para desenvolver essa hipótese, analisa o caso dos Estados Unidos, tomando como eixo analítico a atuação do executivo federal no plano doméstico e internacional entre 1970-2021, dando enfoque às administrações republicanas, o que o faz a partir de análise documental. Mediante reflexões conduzidas ao longo do estudo, percebe a questão do anti-ambientalismo como um aspecto da crise contemporânea das democracias liberais ocidentais. Conclui-se que o que estaria em jogo nessa tentativa disruptiva não seria o ambientalismo em si, mas as condições que permitem a sua existência enquanto tal.

Leia o artigo de Pedro Henrique Ramos Prado Vasques em https://www.scielo.br/j/asoc/a/4Bs9Y739KGQD3Z3hhWjxcNy/?format=pdf&lang=es

O Brasil ocupa o quinto lugar entre 216 países em novo relatório global sobre desigualdade de renda. Os 10% dos brasileiros no topo da pirâmide de rendimentos per capita capturam 59,1% da renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 9,3%. O país aparece atrás apenas de África do Sul, Colômbia, México e Chile. Em relação à concentração da riqueza, que inclui ativos financeiros e outros bens, como imóveis e aplicações, o Brasil está na sexta posição. Os 10% mais ricos detêm 70% do total, e o 1% no topo, mais de um terço.Leia o artigo de Fernando Canzian em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/brasil-e-o-5o-pais-mais-desigual-do-mundo-diz-estudo-da-equipe-de-thomas-piketty.shtml

Estudo feito pela organização Todos pela Educação concluiu que a quantidade de estudantes que concluíram o ensino fundamental e o ensino médio no país avançou nos últimos dez anos, com aumento considerável da inclusão, porém ainda insuficiente para diminuir a disparidade, tanto considerando critérios raciais quanto de renda. A pesquisa avaliou os índices de conclusão da educação básica na idade correta (16 anos para o fundamental e 19 para o médio), comparando os dados de 2015 e de 2025, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e do seu Módulo Educação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as conclusões apontadas pela pesquisa estão o avanço no ensino fundamental, no qual o número de concluintes até 16 anos passou de 74,7% em 2015 para 88,6% em 2025, um crescimento de 13,9 pontos percentuais. No ensino médio. o avanço foi ainda maior: de 54,5% para 74,3%, com aumento de 19,8 pontos percentuais.

Leia o artigo de Guilherme Jeronymo em https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-11/renda-e-cor-sao-determinantes-para-nao-concluir-o-ensino-medio-no-pais

A eficiência na recuperação de materiais em centros de triagem (CT) da coleta seletiva depende de fatores como a diversidade e quantidade dos resíduos, processos e tecnologias adotadas e condições de trabalho. Este trabalho tem como objetivo analisar os gargalos de desempenho dos processos operacionais do CT da coleta seletiva de São José dos Campos (SP). A metodologia envolveu a coleta de dados primários e análise dos resultados, adotando princípios do Lean Manufacturing para identificar desperdícios do processo. O CT recebe cerca de 70 toneladas/dia de resíduos da coleta seletiva, sendo 72,5% recicláveis, dos quais mais de 40% têm sido destinados como rejeitos. O desperdício de materiais representou perda de mais de R$ 2 milhões em 2018. Há grande desperdício de tempo, principalmente para troca das caçambas de rejeitos (aproximadamente 1 hora). Outro desperdício é o número de sacos que permanecem fechados ao longo do processo, sendo descartados como rejeitos. Leia o artigo de Bianca Ruiz Ferro e Ricardo Gabbay de Souza em https://www.scielo.br/j/asoc/a/Z3RpYzkZ4Kn5KVR6NNGcvhN/?format=pdf&lang=pt

Em sua Teoria das Necessidades, Maslow argumenta que no estágio de autorrealização o indivíduo teria valores B mais desenvolvidos, o que envolveria, entre outras características, a tendência a se dedicar principalmente a causas de interesse coletivo em detrimento de interesses individuais. Seria também na fase de autorrealização que o meio ambiente teria um valor intrínseco, aspecto importante se considerarmos a necessidade de desenvolver soluções para os problemas socioambientais. Nesse sentido, a Representação Social do meio ambiente teria relação com os diferentes estágios de necessidades propostos por Maslow em sua teoria? O estágio de autorrealização poderia revelar um indivíduo com uma representação globalizante do ambiente? Para responder a essas questões, foi realizado um estudo com 134 participantes adaptando e utilizando o instrumento Teste de Perfil de Motivação Ambiental e os resultados mostraram uma correlação significativa entre o estágio de autorrealização e uma representação globalizante do Meio Ambiente.

Leia o artigo de Anna Karolina Osório Pimentel e outros em https://www.scielo.br/j/asoc/a/jpk4kr6H9sd8F4SDnzLpK5k/?format=pdf&lang=pt