15/11/2025

O estudo tenta estimar o impacto da guerra às drogas, travada pelo Estado nas periferias do Rio de Janeiro, no desempenho escolar. Duas fontes medem a exposição aos tiroteios protagonizados pela polícia contra os traficantes: a plataforma Fogo Cruzado. e os registros dos diretores das escolas. Os resultados do modelo multinível que inclui todas as escolas municipais mostram que a exposição aos tiroteios decorrentes das operações policiais provoca uma queda no aprendizado dos alunos do 5º ano em português e em matemática. Quando se comparam apenas escolas pareadas em função do perfil socioeconômico dos alunos e da complexidade da sua gestão, o efeito dos tiroteios constantes reduz em dois terços o aprendizado esperado de português durante um ano e anula completamente o aprendizado esperado em matemática no mesmo período. No entanto, os efeitos não foram significativos para o 9º ano. O estudo encontrou ainda impactos dos tiroteios nas taxas de reprovação e abandono. O trabalho é uma primeira tentativa de estimar os impactos da guerra às drogas na área de educação.

Leia o artigo de Ignacio Cano e outros em https://www.scielo.br/j/dados/a/tw4LcFRSBm8BkqXFqQN9pps/?format=pdf&lang=pt

Na educação básica, a gestão escolar se apresenta majoritariamente feminina, porém há poucos estudos que problematizam as dinâmicas de gênero que atravessam essa função. Portanto, o presente artigo busca analisar as dinâmicas de gênero e de poder na gestão escolar da rede estadual de ensino de Santa Catarina. Para este estudo foram analisadas duas categorias: i) a representatividade das mulheres na gestão. ii) os desafios de estar na direção escolar como mulher. Os resultados mostram que a gestão na educação básica, mais que um lugar de poder, é parte do exercício da função docente, que é expressivamente feminina. Contudo, pelo fato de as mulheres estarem em um lugar de liderança identifica-se a presença de dinâmicas de gênero e de poder que reproduzem as desigualdades sociais entre mulheres e homens. Isto é, elas ainda estão ausentes de instâncias de maior poder de decisão do sistema educativo e quando estão na gestão das escolas enfrentam o desafio da comunicação violenta e a inexistência da justa distribuição do trabalho reprodutivo em seus lares. Leia o artigo de Sirnei Puntel Dal Maso e Neiva Furlin em https://www.scielo.br/j/ep/a/47mXyXCsVjQ8XjWxC7fPSff/?format=pdf&lang=pt

Neste artigo, exploramos as recentes tentativas de integrar as Cadeias Globais de Valor (CGV) e os Sistemas Nacionais de Inovação (SNI) a um nível teórico, e até que ponto isso poderia não ser alcançado de forma coerente. Estas recentes tentativas desconsideram a tensão entre as fronteiras organizacionais das empresas multinacionais (EMN) e o espaço nacional – como lugar de aprendizagem e de geração de tecnologias – de duas maneiras. Primeiro, a perspectiva das CGV assimila a atualização microeconômica ao aprendizado e à inovação, o que pode não ser suficiente para explicar os processos de aprendizado sistêmico e a competitividade estrutural. Segundo, a abordagem das GVC assimila a produção à circulação de capital, o que é consistente com a lógica que domina a expansão das EMNs durante a financeirização, mais orientada à apropriação do que à implantação internacional da tecnologia.

Leia o artigo de Pablo José Lavarello e outros em https://www.scielo.br/j/rec/a/zD69qx4GcNB8B9fzXqqjPqn/?format=pdf&lang=en

O presente artigo analisa alguns dos elementos mais significativos para o avanço do capitalismo na era digital na política educacional brasileira. A perspectiva metodológica baseia-se nos princípios da etnografia de redes na política educacional, adaptada ao que se denominam redes políticas de governança digital. Os resultados da pesquisa concentram-se em três características comuns da privatização educacional digital na política educacional brasileira, que fazem parte do novo movimento global de reformas educacionais digitais: as agendas tecnoeducativas, as redes políticas de governança digital e os mercados tecnoeducativos da financeirização da indústria EdTech.

Leia o artigo de Geo Saura e outros em https://www.scielo.br/j/es/a/WpSyzrHPBnN5xcXnwrgS7bH/?format=pdf&lang=pt

Em um mundo globalizado, o controle do Legislativo sobre matérias ligadas ao Mercosul e à União Europeia importa, mas varia em relação às decisões de Política Externa Regional (PER). Este artigo investiga se existem configurações, considerando o desenho institucional, as condições políticas e os fatores econômicos, que expliquem a intensidade da participação legislativa na determinação de tais matérias. Foi realizada uma consulta com especialistas para selecionar 5 decisões que representaram mudanças significativas para a dinâmica regional dos países mercosulinos e europeus. Após definida a amostra intencional de casos, através de uma Análise Qualitativa Comparativa (QCA), foram identificadas condições causais, necessárias e suficientes, para a participação do Legislativo em PER. Os resultados indicam que desenho institucional e fatores econômicos importam, mas debates prévios nos Parlamentos sobre o tema também são relevantes para explicar a atuação legislativa. Isso foi corroborado por uma Análise de Coincidência que demonstrou que essa variável compõe a cadeia causal da participação.

Leia o artigo de Marcelo de Almeida Medeiros e outros em https://www.scielo.br/j/dados/a/qbgGyMxYWvt9dfJyFb9kmcH/?format=pdf&lang=en

O presente estudo busca identificar como as características econômicas, demográficas, fiscais, geográficas, políticas e regionais dos municípios brasileiros afetam a escolha racional dos agentes governamentais de optar pela ação coletiva por meio de consórcios públicos intermunicipais. Por ser um país muito diverso, com desigualdades regionais evidentes e uma Constituição Federal que possui um desenho regional, social e de serviços públicos complexo, analisar os determinantes da cooperação intermunicipal no Brasil requer o acréscimo de algumas variáveis e discussões ainda não exploradas pela literatura da Ação Coletiva Institucional. Portanto, este estudo aplicado fornece novas variáveis e discussões para a literatura empírica. Os resultados aqui encontrados sugerem, entre outras coisas, que a dinâmica regional dos municípios brasileiros na prestação de serviços públicos pode influenciar a decisão pela ação consorciada. Além disso, há indícios de que a herança oligárquica de algumas localidades pode torná-las menos propensas à colaboração horizontal.

Leia o artigo de Lucas Leão e outros em https://www.scielo.br/j/urbe/a/TrpyCsvmHJkx3N8rB4BjsSn/?format=pdf&lang=pt

A Constituição Federal de 1988 criou um ambiente institucional para a descentralização das políticas públicas. A literatura argumenta que a descentralização política e administrativa não foi devidamente acompanhada da descentralização fiscal. Este artigo analisa como o governo priorizou o orçamento em diferentes setores de políticas públicas usando a teoria de agenda-setting. Ele também identifica fatores conjunturais e institucionais que causaram mudanças nessas prioridades. Os resultados mostram que, segundo a Teoria do Equilíbrio Pontuado, a descentralização fiscal da União geralmente acontece de forma gradual, com algumas mudanças bruscas. A atenção do governo às políticas varia entre estados e municípios, mas saúde e educação sempre recebem muita atenção. O artigo defende que a teoria de agenda-setting aprimora a compreensão da descentralização fiscal no Brasil. Também afirma que analisar todas as transferências intergovernamentais é mais relevante, pois ajuda a identificar os fatores institucionais e conjunturais que influenciam esse processo.

Leia o artigo de Gabriel Santana Machado e outros em https://www.scielo.br/j/rsocp/a/sYGxVs76H4mLGb6y37d38VM/?format=pdf&lang=pt

Este artigo analisa as regras fiscais brasileiras, com especial atenção ao Novo Arcabouço Fiscal (NAF), regra sancionada em 2023 em substituição ao Teto de Gastos. Com base na restrição orçamentária do governo, analisamos as regras fiscais brasileiras e suas consequências para a sustentabilidade do endividamento público. A análise do Novo Arcabouço Fiscal e seu impacto no endividamento público mostra que a regra proposta reduz o ritmo do ajuste fiscal em relação à regra do Teto dos Gastos. Adicionalmente, mostramos que o ajuste somente será possível com elevação substancial da carga tributária.

Leia o artigo de Fernando de Holanda Barbosa Filho e Mario Carvalho em https://www.scielo.br/j/rep/a/LJwvBv94cJLBCdxLz6cnPks/?format=pdf&lang=pt

O artigo examina a cobertura da mídia sobre a política fiscal brasileira entre 2010 e 2015, utilizando análise temática nos jornais Valor Econômico, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Foram catalogadas 1.706 matérias com palavras-chave predeterminadas: política fiscal, austeridade, ajuste fiscal, excesso de gastos, nova matriz econômica e problema fiscal. No contexto da cobertura da mídia, as palavras foram classificadas como “Positivo” (se alinhadas à análise ortodoxa) ou “Negativo” (outras análises). Os resultados indicam que a visão ortodoxa dominou, com mais de 60% de cobertura em todos os filtros utilizados.

Leia o artigo de Jamile Ulisses Pereira e Fabio Terra em https://www.scielo.br/j/rep/a/fHsfrkFXG3xXKxpZZSCTfwN/?format=pdf&lang=pt