30/09/2025

A estratégia como prática se expande e consolida, cada vez mais, nas pesquisas em administração. Embora ainda disponhamos de raros estudos desenvolvidos nas indústrias criativas, a estratégia como prática apresenta um significativo potencial de crescimento e contribuição nesse campo. Este artigo consiste em uma revisão sistemática da produção acadêmica sobre estratégia como prática no campo das indústrias criativas. A revisão identificou, selecionou e analisou publicações acadêmicas, sustentando a classificação das principais abordagens metodológicas utilizadas, bem como a categorização teórica sobre relevâncias, concepções, ausências e desafios na pesquisa sobre estratégia como prática nas indústrias criativas. Outros resultados da pesquisa envolvem a discussão de contribuições cruzadas entre esses campos do conhecimento e de perspectivas para renovar o futuro de sua produção acadêmica.

Leia o artigo de Roberto Guanabara Calasans e Eduardo Davel em https://periodicos.fgv.br/cadernosebape/article/view/93451/87442

A Indústria Criativa no Brasil representa 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, totalizando R$ 393,3 bilhões em 2023. A potência do PIB criativo no país fica ainda mais evidente em estados como São Paulo (5,3%), Rio de Janeiro (5,2%), Santa Catarina (4,2%) e Distrito Federal (4,9%), com participações acima da média nacional (3,6%). O levantamento faz parte do Mapeamento da Indústria Criativa 2025, estudo da Firjan, que chega a sua 8ª edição. O estudo é elaborado com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023, último dado oficial disponibilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Pioneiro no país a tratar do tema, o Mapeamento mostra a expansão do mercado criativo formal. Só em 2023, empregou aproximadamente 1,26 milhão de profissionais, um crescimento de 6,1% em relação a 2022 — quase o dobro do avanço registrado pelo mercado de trabalho nacional como um todo no mesmo período (3,6%).

“O Mapeamento da Indústria Criativa reforça a importância de políticas públicas, que promovam a capacitação profissional, o incentivo à inovação e a melhoria da infraestrutura para sustentar o crescimento do mercado criativo e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social do país”, enfatiza Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan.

Leia o estudo da Firjan em https://www.firjan.com.br/noticias/mapeamento-da-industria-criativa-2025-8AE4828D96AAF437019783E8CFE02F31-00.htm

A cultura de Governo Aberto fomenta a colaboração entre governo e sociedade, a partir da transparência na gestão, participação social e da accountability dos agentes. Assim, avaliar se os cidadãos conseguem usar os sítios e portais de transparência é fundamental para compreender a eficiência da disponibilização dos dados. Uma forma de avaliar é usando heurísticas, uma técnica comum na área da Interação Humano-Computador. Considera-se que o tipo de conexão e dispositivo usado no acesso, bem como a familiaridade do usuário com as tecnologias, impacta o bom uso e compreensão dos dados disponibilizados. Para os testes, foi utilizada uma metodologia dedutiva com base teórico-empírica. Os resultados sugerem que a maioria dos sítios web e mobile se adapta de certa forma às telas de dispositivos móveis, porém ainda demanda melhorias ou, em alguns casos, uma reconstrução total. A falta de responsividade limita o Governo Aberto e promove impactos capazes de prejudicar a participação e a transparência, facilitando a não accountability dos gestores.

Leia o artigo de João Marcelo Alves Macedo e outros em https://www.scielo.br/j/cgpc/a/VtfVPVtwGskMRF6FZGqhPsM/?format=pdf&lang=pt

Instituições participativas têm sido criadas em democracias contemporâneas para fomentar a participação das/os cidadã/os em discussões, formulação e controle de políticas públicas. Contudo, estudos apontam dificuldades na inclusão de certos grupos sociais, mesmo em instituições consolidadas. O que explica a não participação em instituições que têm como um dos objetivos a ampliação de seu escopo? Além da falta de incentivos pessoais e dos custos associados à participação, argumentamos que dois outros determinantes políticos contribuem para essa ausência: o ceticismo e a polarização. Nossos resultados indicam que o ceticismo está associado à não participação, mas é condicionado ao contexto, enquanto a polarização afetiva relaciona-se de forma significativa com a não participação em instituições participativas. Leia o artigo de Ligia Helena Hans Lüchmann e outros em https://www.scielo.br/j/cm/a/GJr5G5v8rf6xkDvZvYfwMWN/?format=pdf&lang=pt

Este trabalho objetiva analisar as possibilidades do letramento para uma pedagogia cidadã. Parte-se da ideia de Educação como emancipação, associando-a ao contexto da comunicação de massa, a partir das reflexões de Adorno e Horhkeimer, mas sem desprezar a importância da cultura como instrumento de mediação na relação sujeito e mundo. Adotamos a perspectiva interdisciplinar dos Estudos Culturais, mais especificamente os estudos de Richard Hoggart, pela qual entendemos que os consumidores/espectadores – mesmo expostos aos mass media, que tendem a exercer certo controle cultural e social através do uso do discurso competente – não estão inertes, permeáveis, mas em condições de produzir respostas. Nesse sentido, vislumbra-se a centralidade de políticas educacionais que pensem o letramento como processo que engloba habilidade técnica e aspectos cognitivos, inseridos em um contexto social e cultural que envolve estruturas de poder e ideologia, conforme Brian Street. Assim, o letramento, em um programa educacional para a liberdade inspirado pelo pensamento freiriano e na perspectiva da formação cidadã concretizada pela participação e pela inclusão discursiva, afigura-se como uma possibilidade para ampliar a democracia no Brasil.

Leia o artigo de Anne Greice Soares La Regina em https://www.scielo.br/j/edur/a/bhVTwZZStM3RZXrYRjyJTVL/?format=pdf&lang=pt

Respeitando o princípio da anualidade das leis eleitorais, as reformas políticas têm ocorrido em anos ímpares por iniciativa do Congresso Nacional. Somam-se a elas, o papel ativo da justiça na interpretação das regras vigentes e na formulação de resoluções que alteram a lógica do regramento que norteia os pleitos. Com base em tais aspectos, o principal objetivo desse artigo é compreender, a partir de informações disponíveis nos repositórios de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o quanto as alterações legais são capazes de alterar o perfil das candidaturas e, adicionalmente, o quanto impactam em quem serão os eleitos. Diante de tal esforço, este trabalho partirá da hipótese basilar de que o perfil das candidaturas, em maior medida, e dos eleitos, sob menor impacto, mudam de acordo com variações de natureza institucional-legal. Reforçaria tal argumentação o fato de que variáveis que não passaram por alterações legais no período de 2002 a 2022 não sofrem movimentações dignas de destaque quando consideradas candidaturas e pessoas eleitas ao cargo de deputado federal. São exemplos de variáveis que passaram por mudanças, ou foram diretamente impactadas pela lei: o total de candidaturas, o total de partidos, a média de candidaturas por partidos, as candidaturas femininas, as candidaturas de pessoas negras e as candidaturas sob coligações. Em contrapartida, o total de eleitos, a média de idade, o percentual de jovens, a escolaridade, o estado civil, a busca pela reeleição e a naturalidade dos candidatos – estado onde nasceram – não passaram por alterações.

Leia o artigo de Humberto Dantas e outros em https://www.scielo.br/j/ccrh/a/x4cTPKrTCPygtnJk574xHSN/?format=pdf&lang=pt

Quais ambiguidades e pressupostos conceituais das políticas de integridade, ética e combate à corrupção deixamos de discutir e, ao serem ignorados, prejudicam a própria efetivação dos objetivos que as ensejam? Argumenta-se que, ao embarcar na difusão mundial de políticas de governança pública, majoritariamente ligadas ao controle, o Brasil acabou por adotar o caminho da prescrição antes de debater e considerar as ambiguidades e pressupostos de tais políticas. O objetivo deste artigo é desvelá-las vis-à-vis a análise do arcabouço normativo existente no Brasil por meio de: uma contextualização da emergência dessas políticas no bojo da difusão da governança pública, uma análise da adoção de políticas de integridade pelo Brasil, compreensão da ética sob a lente da Filosofia, e como ela vem sendo operacionalizada no Brasil, e pressupostos histórico-culturais das políticas de combate à corrupção existentes.   

Leia o artigo de Temístocles Murilo de Oliveira Júnior e outros em https://periodicos.fgv.br/cgpc/article/view/92312/86566

Este artigo aborda a possibilidade da utilização dos títulos verdes como um meio viável para o fomento da agricultura familiar sustentável, de maneira a instrumentalizar o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com os quais o Brasil é comprometido a partir da assinatura do Acordo de Paris de 2016. O trabalho teve como objetivo geral analisar a viabilidade da utilização de títulos verdes para fomentar a agricultura familiar Sustentável, visando à aproximação da conquista dos objetivos da agricultura sustentável proposta pelo ODS 02 da agenda 2030, tomando como objetivos específicos a conceituação de agricultura familiar, a especificação dos procedimentos de emissão de títulos verdes e demonstrar a viabilidade de utilização destes pelo produtor rural familiar para o fomento de sua produção utilizando técnicas sustentáveis. Quanto à metodologia empregada, na fase de investigação utilizou-se o método indutivo, e na fase de tratamento de dados, o método cartesiano, sendo que a pesquisa teve como resultado a confirmação da hipótese de que, sim, é viável a utilização da titulação verde como instrumento para o fomento da agricultura familiar Sustentável e a instrumentalização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Leia o artigo de Denise Schmitt Siqueira Garcia e Eduardo Luiz Soletti Pscheidt em https://www.scielo.br/j/vd/a/Dq6J5HHKdnqqz8NKZmTmxdh/?format=pdf&lang=pt

A segregação socioespacial é um processo que vem constituindo o espaço urbano, particularmente em contextos periféricos e de desigualdades socioeconômicas onde a restrição do contato aprofunda condições de uma urbanização desigual. Neste trabalho analisamos evidências empíricas quantitativas associadas a reflexões teórico-críticas sobre o processo de urbanização contemporânea adotando os conceitos de fragmentação e segregação para analisar 125 cidades brasileiras de porte médio, entre os anos 1985 e 2020, nas quais em 60% dos casos a expansão se deu em velocidades superiores ao crescimento populacional. Detalhamos estudo em Pelotas/RS e Blumenau/SC, às quais aplicamos índices espaciais locais de segregação (dissimilaridade e isolamento) buscando analisar a associação entre morfologia da expansão e indicadores locais de segregação. Para ambas as cidades observamos que os distintos padrões morfológicos de expansão ocorrem com certa estabilidade nos índices globais de dissimilaridade, cujas áreas de expansão urbana combinam e justapõem situações locais de isolamento socioeconômico para os extremos grupos de alta e baixa renda. Os resultados sugerem que a expansão urbana tem sido estruturada pela segregação socioespacial, cujos processos encontram na morfologia urbana interna mecanismos para garantir a separação e a restrição no contato entre grupos sociais distintos.

Leia o artigo de Otávio Martins Peres e Renato Saboya em https://www.scielo.br/j/urbe/a/JwjZHM7WzCbfVHBptQ837Yq/?format=pdf&lang=pt

O presente artigo tem por objetivo investigar as consequências da criação Fundação de Previdência Complementar do Serviço Público Federal (FUNPRESP) desde a Lei nº 12.618/2012 e as modificações com a EC nº 103/2019 (contrarreforma da previdência social) aos servidores(as) públicos do executivo federal. Tais medidas impulsionaram a lógica de privatização da previdência social dos(as) servidores(as) públicos. Com base em informações dos investimentos financeiros das contribuições dos(as) trabalhadores(as) do executivo federal, os recursos do Estado e os atos normativos implementados, esse texto demonstra os riscos, inseguranças de um sistema de previdência social com regime de capitalização individual. Conclui-se que o estabelecimento da FUNPRESP expressa mais uma medida com a perspectiva de privatização da previdência social no Brasil, retirada de direitos dos(as) trabalhadores(as) e, sobretudo, demonstra os interesses do Estado e do capital financeiro de expropriação do fundo público como estratégia do capitalismo em profunda crise.

Leia o artigo de Viviane Aparecida Pereira Peres em https://www.scielo.br/j/rk/a/PLRmyjjckWqbnZH3svZj7Mx/?format=pdf&lang=pt