30/09/2025

A literatura emergente sobre Trocas Ecológicas Desiguais (TED) incorpora múltiplos elementos de vertentes pós-keynesianas, em particular a análise estruturalista das relações econômicas globais e da divisão centro-periferia. No entanto, ainda há pouca discussão na literatura sobre as sinergias e interligações dos aspectos produtivos e ecológicos da condição periférica. Este trabalho pretende entrar neste debate propondo uma análise multirregional de insumo-produto (MRIP) do padrão recente das relações econômicas entre Brasil e China, com foco na evolução e nas ligações entre os aspectos produtivos e ecológicos. Os resultados mostram uma crescente troca desigual de recursos biofísicos que flui do Brasil para a China, que está ligada a setores-chave do recente processo de recuperação chinês. Como conclusão, argumenta-se que as hierarquias produtivas e ecológicas implicam duas faces da mesma moeda da condição periférica.

Leia o artigo de Jan Klink e outros em https://www.scielo.br/j/rep/a/NW4jTMtPw38K9thXK9Zgphr/?format=pdf&lang=en

Ambiental na Administração Pública (A3P) na consciência ambiental dos servidores públicos. Para analisar as 414 respostas de servidores públicos de uma entidade do setor de justiça que aderiu à agenda A3P, aplicou-se a técnica de modelagem de equações estruturais. Os resultados evidenciaram que somente os eixos “sensibilização e capacitação dos servidores” e “licitações sustentáveis” da A3P não foram estatisticamente significantes. Em contrapartida, ficou claro que os eixos “uso racional dos recursos naturais e bens públicos”, “gestão adequada dos resíduos gerados”, “qualidade de vida no ambiente de trabalho” e “construções sustentáveis” afetam, de forma positiva e estatisticamente significativa, a consciência ambiental dos servidores. Adicionalmente, verificou-se que, quando inseridas as variáveis de controle (idade, tipo de atividade e tempo de organização) no modelo, houve algumas alterações significativas, comprovando que, quanto maior a idade e o tempo de organização, maior é a percepção da importância das práticas e ações da A3P. Conclui-se, com este estudo, que é importante que os indivíduos, em âmbito organizacional, também estejam imbuídos de ações e práticas voltadas para o atingimento dos objetivos da Agenda 2030.

Leia o artigo de Silvana Dalmutt Kruger e outros em https://www.scielo.br/j/rap/a/QJDFd7zvM5dSYxfXFNSmCWn/?format=pdf&lang=pt

O artigo problematiza um acontecimento discursivo caro ao campo da Educação Ambiental (EA): a configuração da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Com as lentes foucaultianas, o estudo mira as estratégias de governamento neoliberal que dão rosto a essa nova proposta educacional. Aqui, fizemos dois movimentos: o primeiro, que se refere a discutir sobre o aparecimento da EDS e suas redes capilares que se fortalecem enquanto biopolíticas tratadas no interior de uma governamentalidade neoliberal, o segundo, que problematiza a luta política de pesquisadores/as brasileiros/as a respeito da chegada da EDS e do esmaecimento da EA nas políticas públicas atuais. O neoliberalismo, investindo em consumidores, ensina-nos, agora, a consumir o desenvolvimento sustentável. Esse embate não se dá sem resistências que se refletem como campo epistemológico e político. É sobre a produção dessas lutas e desses tensionamentos que esse artigo trata.

Leia o artigo de Paula Corrêa Henning e José Luís Schifino Ferraro em https://www.scielo.br/j/ciedu/a/GWG5RxXZjphFRcwhbL8zShF/?format=pdf&lang=pt

Em iniciativas realizadas em áreas protegidas, a ciência cidadã pode gerar dados úteis para as tomadas de decisão, além de tornar a governança dessas áreas mais inclusiva e participativa. Embora existam diretrizes gerais que orientam os projetos de ciência cidadã, pouco se explorou em termos de boas práticas para a concepção e implementação dessas iniciativas em áreas protegidas. Este trabalho teve como objetivo caracterizar projetos/programas de ciência cidadã desenvolvidos em áreas naturais protegidas e identificar boas práticas relacionadas a sua concepção e implementação. Concluiu-se que as boas práticas identificadas podem servir como uma orientação valiosa para os coordenadores dos projetos de ciência cidadã, fortalecendo o desenvolvimento de iniciativas bem-sucedidas nas áreas protegidas.

Leia o artigo de Gabriela Francisco Pegler e Victor Eduardo Lima Ranieri em https://www.scielo.br/j/asoc/a/Jty9yNr4fbFXJSwcDNxxnqQ/?format=pdf&lang=pt

A ciência cidadã é uma forma promissora de estreitar relações entre academia e sociedade. Embora esteja se popularizando no mundo, pode não ser trivial praticá-la no modus operandi vigente dentro das instituições brasileiras de ensino e pesquisa em projetos voltados à conservação ambiental que são liderados por pesquisadores formais. Neste artigo, conceitualizamos “ciência cidadã” e “ciência aberta” e propomos reflexões sobre três cenários com os quais acadêmicos brasileiros estão se deparando ao tentar promover uma ciência inclusiva e acessível. Cada cenário tem seu ponto positivo e negativo para o pesquisador formal (e.g., produtividade científica), bem como para a sociedade (e.g., conhecimento aplicado). Com vistas a potencializar a ciência cidadã, sugerimos adequações dentro das instituições brasileiras em relação à avaliação dos pesquisadores e meios de otimizar projetos com essa abordagem.

Leia o artigo de Eduardo Roberto Alexandrino e outros em https://www.scielo.br/j/ea/a/Z7q4fbcRNchpzNHFSQZVrCF/?format=pdf&lang=pt

O modelo econômico intensivo em carbono encontrou forte questionamento nos anos 1970-1980, levando à disseminação da ideia do desenvolvimento sustentável após os anos 1990 que, por sua vez, entrou em questionamento nessas últimas décadas. Nesse contexto, emergiu o Pós-desenvolvimento, formado por movimentos culturais com um conjunto de proposições e iniciativas distintos, que visam criar alternativas ao modelo de crescimento econômico ilimitado. Mais recentemente, duas frentes pós-desenvolvimentistas ganharam maior visibilidade: o Decrescimento e o Bem Viver. Assim, este artigo visa identificar, mapear e analisar as proposições e práticas de transição provenientes dos movimentos pós-desenvolvimentistas. Dentre as características das proposições analisadas, nota-se que parte delas é compatível com o desenvolvimento sustentável ou com o modelo de uso intensivo de carbono. Essa variedade de temáticas, categorias e proposições reflete a diversidade e as contradições dos movimentos pós-desenvolvimentistas, que apresentam múltiplas iniciativas transformadoras em diferentes territórios.

Leia o artigo de Marques, N.R. e Nascimento, E.P em https://www.scielo.br/j/mercator/a/LBhBsn7kFBkbdWtFxpqPR5h/?format=pdf&lang=pt

O zoneamento ambiental é um instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente de 1981 que visa harmonizar conflitos ambientais, sociais e econômicos associados ao desenvolvimento, sendo implementado ao longo dos anos como Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). O artigo tem por objetivo analisar o panorama do ZEE no país enquanto instrumento de planejamento e de subsídio a políticas públicas. Para tanto, está baseado em revisão bibliográfica e documental e em entrevistas com representantes de órgãos responsáveis pelo ZEE. Os resultados apontam: apenas 28 das 79 experiências de ZEE no país aprovadas por norma legal, pela qual são definidos o papel do ZEE para o planejamento e as diretrizes para as políticas públicas e as atividades privadas, e desafios para efetivar o papel do ZEE para o planejamento e as suas diretrizes, demonstrando que o ZEE não tem constituído um propósito relevante e de interesse dos gestores públicos para subsidiar o planejamento e as políticas públicas.

Leia o artigo de Marcia Renata Itani e outros em https://www.scielo.br/j/ea/a/c8ywnP6gGFv6dzDb8qnxjSP/?format=pdf&lang=pt

Da proteção social à proteção socioambiental em tempos de mudança climática

O rápido aumento da incidência e intensidade de eventos climáticos extremos soaram um alerta para a população, deixando claro que estamos em uma emergência climática. A COP-30 reflete a ansiedade da sociedade, com uma necessária mudança na estratégia global de eliminação da extração e uso dos combustíveis fósseis e com a implementação de políticas públicas voltadas à adaptação climática. A ciência deixa claro que com a atual trajetória de altas emissões, estamos levando o clima do planeta a um aquecimento de 3 graus Celsius em média, o que no Brasil se reflete em um aumento de temperatura de 4 a 4.5 °C. Reduções significativas na precipitação no Brasil Central, Amazônia e Nordeste são previstas, com aumento de chuvas no Rio Grande do Sul. Essas mudanças afetam a produção agropecuária brasileira, nossa geração hidroelétrica e muitos outros impactos negativos em nossa sociedade. Os ecossistemas brasileiros vão sofrer profundas mudanças e os impactos na saúde da população não podem ser negligenciados. A necessidade de repensar nosso “desenvolvimento” econômico, respeitando os limites planetários e a necessária redução das desigualdades sociais, coloca pressões sobre a COP-30.

Leia o artigo de Paulo Artaxo em https://www.scielo.br/j/ea/a/vwHzCqyLWNxtFD9j9gwjZdK/?format=pdf&lang=pt

O principal objetivo da Conferência das Partes (COP) da Convenção do Clima que ocorreu em Baku no Azerbaijão em novembro de 2024 era de atualizar os compromissos financeiros dos países industrializados “em atender as necessidades dos países em desenvolvimento”. Essas necessidades foram avaliadas pelo Comitê de Finanças da Convenção em 5 a 7 trilhões de dólares de 2022 a 2030, isto é, cerca de 455-485 bilhões de dólares por ano. A COP 29 em Baku adotou o novo compromisso de aplicar 300 bilhões de dólares por ano até 2035. A aplicação desses recursos não impedirá que a temperatura da Terra ultrapasse 2.6 ºC até o fim do século. Ações adicionais serão imprescindíveis para evitar que a temperatura da Terra aumente apenas 1.5 ºC como um novo Plano Marshall para combater o aquecimento global ou novas políticas públicas.

Leia o artigo de José Goldemberg em https://www.scielo.br/j/ea/a/Yr48YJ9SyngtPmtrhTKmwLQ/?format=pdf&lang=pt